Ao anunciar que pretende construir uma avenida ligando o Jardim Fortaleza ao Jardim Paraíso II, o prefeito Amarildo Duzi Moraes (Sem Partido) pode estar contribuindo para a implantação do Parque Linear do Rio Verde, um dos principais projetos de meio ambiente e urbanismo previstos pelo Plano Diretor Participativo que mesmo pronto e tendo cumprido todos os requisitos para sua elaboração, há quatro anos está parado no Executivo.
É claro que melhorar a mobilidade da cidade, facilitando o acesso dos moradores aos serviços e demais pontos de Vargem Grande do Sul é algo necessário e deve fazer parte dos projetos do Executivo. Mas, pensar no futuro do vargengrandense, valorizar a questão do urbanismo e investir em qualidade de vida da população deveria ter tão ou mais valor que criar mais espaços para carros transitarem.
Um parque com essa concepção é uma obra que muitos prefeitos sonham em tirar do papel, por se tratar de um legado que atravessaria gerações. Seria oferecer um espaço de lazer e turismo, além de preservar uma área verde e recuperar a mata que já existiu nas margens do Rio Verde.
A construção da avenida coloca esse projeto em risco. Pois no mínimo, diminui a área a ser destinada ao parque, caso ambos projetos tenham andamento. Mas o maior medo, e o que fatalmente deve acontecer, é a criação dessa área verde se tornar mais um sonho que perdeu sua chance de virar realidade, como foram as propostas para a antiga estação de trem, que havia no início da Via Expressa Antônio Bolonha.
Pois uma vez que a avenida estiver concretizada, será muito mais difícil (e mais caro) desapropriar as áreas necessárias para a criação do parque. Afinal, essas glebas ficarão mais valorizadas por conta dessa benfeitoria.
Enfim, o prefeito é eleito para direcionar as políticas públicas da cidade. A ele, cabe decisões sérias que vão impactar o futuro do município. O Plano Diretor Participativo vem para trazer diretrizes elaboradas em parceria com a população e também para orientar melhorias para que esse futuro seja mais sustentável. Ao demorar para colocar esse plano para apreciação do Legislativo, o prefeito permite que muitas das medidas trazidas pelo projeto não sejam implementadas, que não haja a modernização de uma série de regramentos e que ideias inovadoras, como a do Parque do Rio Verde, fiquem mais difíceis de serem concretizadas.
Quem sabe agora que a promotoria fez uma intervenção e deu prazo para a prefeitura enviar o Plano Diretor para a Câmara, finalmente as engrenagens comecem a se mover e a cidade passe a contar com novas diretrizes para nortear seu crescimento. E quem sabe, haja uma esperança para a criação do Parque Linear do Rio Verde.












