Uma conta que não fecha

A matéria intitulada “Fupreben: Déficit atuarial de R$ 279 milhões preocupa” publicada pela Gazeta de Vargem Grande na edição do dia 2 de março de 2024, semana passada, teve toda a responsabilidade ao ser redigida. Um questionário contendo 23 perguntas foi enviado no dia 7 de fevereiro ao diretor do Fundo de Previdência e Benefícios dos Servidores Públicos do Município, Edson Bovo e também um outro questionário com 14 perguntas referentes ao Fundo foi enviado ao prefeito Amarildo Duzi Moraes para que ele respondesse sobre o assunto.
Diferentemente da mentira dita pelo vereador Paulinho da Prefeitura (PSB) na última sessão de Câmara, que o jornal não ouviu os dois lados, a Gazeta de Vargem Grande foi extremamente profissional ao redigir a matéria e tem todas as respostas tanto dos diretores do Fundo, como também da prefeitura, arquivadas nos emails enviados e recebidos.
Os diretores do Fupreben, Edson Bovo, diretor executivo, e Moacyr Rosseto, diretor financeiro, foram extremamente profissionais e corretos ao responderem as questões, da mesma forma procedendo a prefeitura. Neste editorial, queremos ressaltar que até o momento, nada consta que desabone a atuação dos dois diretores na condução do Fundo, pelo contrário, mostraram pela transparência das respostas, que não há nada a esconder, tudo é feito às claras e com a devida competência de ambos na condução do referido Fundo, que hoje ostenta em caixa um patrimônio de R$ 77.462.818,71, não sendo deficitário e atualmente com superávit orçamentário, ou seja, paga a aposentadoria dos seus aposentados e ainda sobra dinheiro mensalmente.
Tudo isso está devidamente esclarecido na matéria, o problema é que as pessoas não leem, e quando o fazem, não conseguem interpretar o que leram, o que parece ser o caso do vereador Paulinho da Prefeitura, que atacou o jornal sem entender o que foi escrito.
O grande problema é que a cifra assusta, é muito dinheiro envolvido no pagamento futuro dos aposentados da prefeitura, que devem chegar a mil servidores daqui a algumas décadas, só que vai chegar esse dia e a conta não vai fechar, se nada for feito desde agora.
O próprio nome já diz tudo ‘Cálculo atuarial’, uma ciência que usa a matemática e estatísticas para garantir no futuro, o pagamento dos pensionistas e seu diagnóstico aponta que para daqui 35 anos este déficit será de quase R$ 280 milhões no Fupreben de Vargem, se nada for feito.
O tempo, 35 anos, pode parecer muito, mas não é, a criação do Fundo tem 32 anos, e parece que foi ontem sua aprovação. Então, fatalmente este dia vai chegar e de fato, se nada for feito, não haverá lá na frente, dinheiro para pagar todos os aposentados da prefeitura na ocasião.
Esta foi a finalidade da matéria do jornal, tornar tudo público e os diretores do Fundo não se esquivaram de mostrar esta realidade, cuja responsabilidade do déficit, não é deles, mas da própria concepção do Fundo, que arrecada cada vez menos do que paga aos seus aposentados, criando uma bola de neve que só aumentará nos próximos anos.
Só há duas maneiras de resolver a questão e ela terá de ser enfrentada, resguardando o direito de todos. Ou diminui o valor das aposentadorias futuras dos servidores municipais, colocando-se tetos, como o INSS vem fazendo, ou tira-se cada vez mais dinheiro dos cofres da prefeitura municipal, dinheiro que vem dos impostos pagos por todos os contribuintes e são canalizadas para Saúde e Educação, por exemplo.
A prefeitura tem dado mostras de que está no seu limite de pagamento ao Fundo, complementando cada vez mais com dinheiro para diminuir o déficit atuarial que só tende a aumentar. A conta não fecha e não tem dinheiro. Essa deveria ser de fato a preocupação do vereador Paulinho da Prefeitura e demais vereadores e políticos responsáveis da cidade e não questionar o conteúdo da matéria publicada pela Gazeta de Vargem Grande, colocando em dúvida a idoneidade do jornal e de seus redatores, que com profissionalismo e coragem, abordaram o problema e levaram ao conhecimento de todos que o déficit atuarial do Fupreben, pelos valores envolvidos, assusta a todas as pessoas responsáveis desta cidade e não é culpa de seus administradores até agora, mas que com o conhecimento do déficit, passam a ter responsabilidades se nada for feito, não só eles, como todos os responsáveis pela condução do Fundo, leia-se prefeito e vereadores também.

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