Hospital de Caridade: Uma história que serve de exemplo

O Hospital de Caridade completa 100 anos nesta terça-feira, dia 13 de maio

A história do Hospital de Caridade de Vargem Grande do Sul já foi muitas vezes objeto de matéria do jornal Gazeta de Vargem Grande, e agora quando completa 100 anos do lançamento da pedra fundamental que lhe deu origem, é merecedor que a contemos de novo para que as pessoas tomem conhecimento da sua centenária trajetória, que se inspirem e possam dar sua contribuição como os nossos antepassados deram ao erigirem obra tão marcante para a comunidade vargengrandense.
Parte da presente matéria foi publicada em 26 de setembro de 2015, quando o Hospital completou 90 anos de fundação. Outro texto interessante, foi-nos enviado pelo historiador Mario Poggio Junior, que compilou do antigo jornal A Imprensa, que durante muitas décadas registrou os fatos históricos de Vargem Grande do Sul.
Vargem Grande do Sul foi fundada no dia 26 de setembro de 1874, com o término da partilha da sesmaria Vargem Grande, da família Garcia Leal. E desde a sua fundação, a cidade só foi contar com atendimento em saúde em 1903, quando chegou dr. Eurico Vilela, o primeiro médico de Vargem.
Até então, os pacientes eram levados a Casa Branca e São João da Boa Vista. Sete anos depois, chega o dr. Affonso de Assis Teixeira. Mas, a cidade ainda não possuía um hospital. E em 1922, foi formada uma Comissão de Notáveis, para angariar fundos visando a construção da unidade de saúde.

O início
Segundo pesquisou Mario Poggio Junior na edição do jornal “A Imprensa”, de 13 de maio de 1925, sobre o lançamento da pedra fundamental do Hospital de Caridade, em novembro de 1922, um grupo de pessoas residentes na cidade teve a ideia de construir a “Santa Casa de Misericórdia”, porém, ao colocar-se em campo desanimaram, face ao pouco apoio, vez que somente conseguiram assinaturas do Capitão João Pinto Fontão e de Dona Therezinha Fontão.
Em novembro de 1924, durante palestra, a ideia renasceu, e então os senhores José D’Ávila Ribeiro, doutor João Peres, doutor Crescêncio Miranda, Heitor de Andrade Fontão, José de Andrade Fontão e Júlio Silva resolveram tentar novamente.
Em 24 de janeiro de 1925 receberam o reforço do capitão Belarmino Rodrigues Peres e de Antônio de Oliveira Fontão, e em 29 de março de 1925, o senhor João Peres, após relevante participação, solicitou demissão em face de mudança para a cidade de Mococa, de forma que foi substituído pelo capitão Francisco Ribeiro da Costa, o “Chico Ribeiro”.

Compra do terreno
Em 6 de novembro de 1924, reuniram-se na casa do senhor José D’Ávila Ribeiro, planejaram o trabalho e começaram a agir.
No dia 10 de novembro escolheram o terreno, no qual localizava-se o campo de futebol do São Luiz Futebol Clube, mas o proprietário pediu valor alto, o que inviabilizou o empreendimento.
Houve ofertas, algumas bastante generosas, como a do senhor Raymundo Moretti, do senhor Francisco Ribeiro da Costa, do senhor Lydio Leal e do senhor João Jacynto Pereira Junior, mas que não lograram aprovação em razão do tamanho do terreno ou da distância.
Em reunião efetuada em 16 de dezembro de 1924, estabeleceram que o senhor José D’Ávila Ribeiro e José de Andrade Fontão providenciariam entendimento com o senhor José Victor Rodrigues, proprietário de uma chácara ao lado do campo do “São Luiz”, sobre a aquisição desse terreno para a edificação da Santa Casa.
Em prol da comunidade, o senhor José Victor Rodrigues (avô de José Cândido Pereira, o Zé Candinho, e do Rubens Claro Ribeiro, o Rubão Boiadeiro), proprietário da Fazenda Santa Cruz, que abrangia a chácara mencionada, concordou em negociá-la. Assim, no dia 30 de janeiro de 1925 efetivaram a sua compra por 12:000$000.

Dr. Lauro Corsi com as Irmãs de Caridade

Novas Benfeitorias
No dia 30 de janeiro de 1925, o capitão Belarmino Rodrigues Peres, comunicou que pediu e obteve a abertura em continuação da Rua Coronel Batista Figueiredo em toda extensão do terreno adquirido e das respectivas travessas para a Rua do Comércio, formando com isso um novo quadrado, onde deveria ser construído o edifício da “Santa Casa”. Ainda, a Câmara Municipal prontificou a necessária canalização de água para o local.

Projeto de construção
Uma vez solucionada a escolha do terreno, passaram a tratar da planta do prédio, sendo apresentada uma proposta pelo conceituado construtor local senhor José Speria, contudo foi rejeitada após estudadas as disposições do Código Sanitário.
Posteriormente, a comissão recebeu planta elaborada pelo engenheiro civil, doutor Sylvio Miranda Freitas, a qual foi aprovada, com abertura de concorrência pública para a construção do edifício.
A Miranda & Fontão apresentou a proposta vencedora, que foi aprovada em 18 de abril de 1925, com a assinatura do contrato em 21 de abril de 1925.

Fotos: Arquivo Gazeta

Contribuintes
O início da construção somente foi possível porque a população colaborou com materiais ou financeiramente, de forma que indicamos a seguir aqueles que contribuíram até o dia do lançamento da pedra fundamental, em ordem alfabética:
Abílio F. Costa; doutor Affonso Teixeira; A. J. Patrocinio Rodrigues; Alberto A. Ribeiro; Alcino A. Ferreira; Ângelo Cavalheiro; Dona Antônia L. Castro; Antônio Caixeta; Antônio da Costa Rosa; Antônio de Oliveira Fontão; Antônio Ricardo da Costa; Arthur D’Ávila Ribeiro; Azevedo Silva & Cia.; B. Braga & Cia.; Capitão Belarmino Rodrigues Peres; Canal & Irmão; doutor Cândido Libanio; Carino Gama Corrêa; Cincinato Bruto da Costa; Constantino Abrahão; Dona Exordina Rocha; doutor Francisco Alvares Florence; Felippe M. Jacob; Francisco J. da Costa; Francisco José da Rosa; Professor Francisco Ribeiro Carril; Capitão Francisco Ribeiro da Costa; Gabriel Alves; Gabriel F. Costa; Heitor Andrade Fontão; Irmãos Ferreira; Dona Izabel Sabioni; João Benedicto de Mello; João Cândido da Costa; João Cândido de Souza Dias; João D’Ávila Ribeiro; João J. da Costa; João O. Fontão; Capitão João Pinto Fontão; João Thomaz de Andrade; Joaquim Maciel de Godoy; Joaquim Octávio de Andrade; José Alves de Mello; José Andrade Fontão; José Bedin & Cia.; José Cândido Pereira; José da Costa Rosa; José D’Ávila Ribeiro; José Fernandes; José Lino Ribeiro; José Milan; José O. Fontão; José R. Peres; José Zarif; Jorge Domingos; Júlio Silva; Lima & Irmãos; Luiz Marini; Luiz Milan; Luiz O. de Oliveira; Manoel A. de Andrade; Manoel Mendes; Manoel Nogueira de Carvalho; Dona Maria R. Ribeiro; Dona Maria Thereza Ribeiro Fontão; Mansur Bitar & Cia.; Minchetti & Cia.; Octavio Parreira; Olavo Navarro; Ottero & Irmão; Pedro P. Bueno; Pio Albino Margotto; Purificação R. Peres; Raymundo Moretti; Ricardo Buzatto; Rosalvo de A. Dias; Saturnino A. de Carvalho; Vicente Polito; Victorio Ligabue; Waldomiro F. Menezes; e ainda houve as listas compostas de vários doadores, a saber; Nº 1 a cargo do Senhor Anacleto Bergonzoni; e Nº 2 a cargo do Senhor João Cypriano Carvalho.

Lançamento da pedra fundamental
Finalmente, no dia 8 de maio de 1925, nova reunião da comissão decidiu a colocação da pedra fundamental em 13 de maio de 1925, com a escolha dos paraninfos da solenidade: Senhoras donas Marianna Olympia de Andrade; Maria R. Ribeiro e Laura A. Teixeira e os senhores capitães João Pinto Fontão; Joaquim Octávio de Andrade; e João Cândido da Costa. E do orador, o clínico doutor Francisco Alvares Florence.
A obra durou cerca de 4 anos e foi custeada com recursos do livro de ouro, doações de materiais, festas beneficentes e subvenções da Câmara e da prefeitura.
Em 1930, a entidade concluiu o primeiro ano de atividades tendo realizado oito cirurgias, 268 curativos, fornecido 255 receitas, realizado 48 exames laboratoriais, 18 pessoas foram internadas e foi registrado um óbito.

Fechamento e Reabertura
Em 1932, o Hospital de Caridade foi ocupado pelos militares que combatiam na Revolução de 32 -inicialmente pela ditadura e depois pelas Forças Constitucionalistas. A unidade funcionou de maneira precária até 1937, quando fechou definitivamente suas portas.
Em 1943, o prefeito Edmundo Dante Calió tomou a iniciativa de reabrir a unidade. Foi constituída uma nova comissão para reforma do prédio e aquisição de materiais, presidida pelo médico Ricardo Landini e composta por Antônio Carril Filho, dr. Salvador Telo, padre Antônio de Almeida, Francisco Ribeiro Costa, Jorge Moukarzel e David Bedin.
Em 1944 realizou-se uma reunião para abertura da entidade e eleição da nova diretoria. O então prefeito Francisco José de Azevedo, declarou reaberto o hospital e a nova diretoria foi empossada com o provedor José de Oliveira Fontão; vice-provedor Antônio Carril Filho; secretário Ivo Rodrigues; tesoureiro Antônio Pinto Fontão, diretor clínico dr. Ricardo Landini; mordomos Edmundo Dante Calió, Jorge Moukarzel e Artur D’Avila Ribeiro.
Em 1948, as Irmãs de Caridades vieram trabalhar na entidade. Em 1967, a instituição assinou convênio com o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), hoje o Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 1972 foi inaugurada a maternidade João Perez. Dois anos depois foi terminada a construção do pavilhão dr. Gabriel Mesquita.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui