Campanha da Fraternidade Ecumênica foi aberta nesta semana

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Pe. Luís Fernando falou sobre a campanha à Gazeta. Foto: Arquivo Gazeta

Foi aberta a quinta edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE), na quarta-feira, dia 17, dia em que foi celebrado a Quarta-feira de Cinzas. A abertura foi realizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic).
A Campanha da Fraternidade foi aberta de forma simbólica e virtual com a divulgação de um vídeo com o pronunciamento de representantes das Igrejas que compõem o Conic, por meio das redes sociais da CNBB, a partir das 10h, devido a pandemia da Covid-19, como forma de evitar aglomeração.
Neste ano, o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica pela Comissão é “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”, extraído da carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 2, versículo 14. A campanha da fraternidade é tradicionalmente realizada pela Igreja Católica em parceria com instituições cristãs desde a década de 1960. O texto-base é escrito por membros Conic e passa pelo aval da direção-geral da CNBB.
À Gazeta de Vargem Grande, o padre Luís Fernando da Silva explicou que a Campanha da Fraternidade é uma iniciativa da Igreja Católica para promover sua Doutrina Social e o diálogo da Igreja com a sociedade. Ele é coordenador diocesano de Pastoral, especialista em acompanhamento espiritual e mestrando em Teologia Pastoral pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR).
A cada cinco anos, como comentou, essa Campanha acontece de modo ecumênico, ou seja, as igrejas membros do Conic participam da elaboração da Campanha e do material de reflexão.
O padre pontuou os principais objetivos da Campanha deste ano. “Através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo, convidar comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual”, disse.
Padre Luís Fernando também falou sobre os objetivos da Campanha deste ano. “Denunciar as violências contra pessoas, povos e a Criação, em especial, as que usam o nome de Jesus; encorajar a Justiça para a restauração da dignidade das pessoas, para a superação de conflitos e para alcançar a reconciliação social; animar o engajamento em ações concretas de amor à pessoa próxima; promover a conversão para a cultura do amor em lugar da cultura do ódio; e fortalecer e celebrar a convivência ecumênica e inter-religiosa”, completou.

Ataques
O padre comentou que, infelizmente, a Campanha da Fraternidade deste ano sofreu alguns ataques infundados por meio das redes sociais por grupos denominados católicos que possuem uma ideologia dita como conservadora. “Esses grupos não estão ligados institucionalmente a Igreja Católica, e desconhecem o caminho de comunhão feito pela Igreja ao elaborar o material da Campanha da Fraternidade. O material é preparado por um grupo de peritos e é aprovado pela Comissão de Doutrina, desse modo em nada contraria a fé”, informou.
“Cabe a cada cristão valorizar a iniciativa de uma Campanha que promove de modo cristão o abismo causado pelas desigualdades sociais, sejam econômicas, como também as promovidas contra grupos sociais de menor incidência”, finalizou.

Tema e lema
No texto-base que detalha a iniciativa, a CNBB faz críticas relacionadas a negação da ciência durante a pandemia de Covid-19, a atuação do Governo Federal no combate ao coronavírus, a igrejas que não respeitaram o distanciamento social e a cultura de violência contra mulheres, negros, indígenas e pessoas LGBTIQ+.
O texto da Campanha da Fraternidade de 2021 cita dados do Atlas da Violência 2020. Segundo a publicação, em 2018, 420 pessoas LGBTQI+ foram assassinadas, destas 164 eram pessoas trans. O texto fala sobre o sistema de segregação e descarte de pessoas consideradas empecilhos e inúteis, que permanece ainda hoje e aponta ainda que a juventude negra, mulheres, povos tradicionais, imigrantes, grupos LGBTQI+, por causa de preconceito e intolerância, são classificados como não cidadãos e, portanto, inimigos do sistema.
A Campanha da Fraternidade ainda recomenda que a população cobre das autoridades respostas sobre casos de violência contra vulneráveis que têm responsáveis impunes. Além disso, o texto-base cita que o governo brasileiro não adota políticas efetivas no combate à Covid-19 e que a pandemia dilacerou famílias e deixou espaços vazios na cultura nacional. Diz ainda que algumas igrejas reivindicaram o direito de permanecerem abertas, realizando suas celebrações, apesar das aglomerações causarem contaminações e mortes.
O negacionismo também foi alvo de reprovação no documento. Em um trecho, as autoridades religiosas afirmam que teorias conspiratórias de que a Covid-19 fora desenvolvida em laboratório, na China, contribuíram para fomentar a luta geopolítica, bem como a xenofobia.

A Campanha
Realizada pela CNBB todos os anos no tempo da Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, a Campanha da Fraternidade de 2021 é promovida de forma ecumênica, ou seja, em parceria entre várias Igrejas Cristãs.
A CFE 2021 convida os cristãos e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual, através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo.
A Campanha da Fraternidade tem como gesto concreto a Coleta Nacional da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos nas comunidades de todo o Brasil. Os recursos são destinados aos Fundos Diocesanos e Nacional da Solidariedade, os quais apoiam projetos sociais relacionados à temática da campanha. Em 2019, o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) distribuiu a quantia de R$3.814.139,81, atendendo a mais de 230 projetos. Em 2020, por causa da pandemia, não ocorreu arrecadação.
A CFE tem sido realizada, em média, a cada cinco anos. A iniciativa congrega diversas denominações cristãs, sempre de forma ecumênica, valorizando as riquezas em comum entre as igrejas.

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