Cirurgias eletivas devem ser retomadas em breve

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Convênio foi assinado entre representantes do Hospital e da Prefeitura no dia 6. Foto: Prefeitura

Os números são extremamente preocupantes: 128 pessoas esperam por uma cirurgia de hérnia em Vargem, duas delas desde 2015. Outras 84 aguardam uma cirurgia de vesícula. Ao todo, são mais de 500 pessoas na cidade que aguardam há muito tempo na fila por uma cirurgia eletiva, as consideradas não urgentes, mas que influenciam diretamente na qualidade de vida dos pacientes. Nesta semana, a prefeitura e o Hospital de Caridade, após a aprovação da Câmara, assinaram um convênio para a retomada dessas operações e iniciar em breve os procedimentos na cidade.

A medida foi divulgada pelo prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB) em sua página no Facebook. Estavam presentes no momento da assinatura do convênio o chefe do Executivo, a diretora de Saúde, Maria Helena Zan, o provedor do hospital, Wagner Cipola e os vereadores Célio Santa Maria (PSB), Laércio (PPS), Paulinho da Prefeitura (PSB), Serginho da Farmácia (PSDB), Zé Luís da Prefeitura (PPS), Canarinho (PSDB), Guilherme Nicolau (MDB), Fernando Corretor (PRB), Felipe Gadiani (MDB) e Gabė (PTB). Justificaram as ausências os vereadores Alex Mineli (PRB), Bertoleti (PSDB) e Wilsinho Fermoselli (DEM).

Segundo o prefeito, ainda na última terça-feira, dia 7 tiveram início as consultas pré-operatórias e em breve as cirurgias devem começar. “Nosso muito obrigado aos vereadores, médicos, provedoria do Hospital pelo empenho na resolução do problema que aflige centenas de pessoas”, afirmou Amarildo. A previsão da prefeitura é realizar em torno de 500 cirurgias.

Convênio

O projeto de lei que celebrou o convênio foi aprovado por unanimidade pela Câmara no dia 28 de julho. Na justificativa encaminhada pelo prefeito Amarildo, desde o final de 2017 a prefeitura está em contato com o Hospital de Caridade, antiga e nova provedoria, para viabilizar a realização das cirurgias eletivas.

“Também é de conhecimento público que o Hospital de Caridade e a Prefeitura Municipal passam por uma crise financeira. Entretanto, após mais de uma dezena de reuniões com as provedorias daquela entidade e este Executivo, e também, das diversas tratativas entre provedoria e corpo clínico, fomos finalmente informados pelo Provedor e Administrador do Hospital da aceitação da nossa proposta de repassar o correspondente a 1,5 vezes o valor da tabela de referência SUS por procedimento, e com isso reduzirmos consideravelmente a lista de espera para cirurgias eletivas no município”, explicou o prefeito.

Em 2017 o município conseguiu realizar em torno de 160 cirurgias eletivas, mesmo assim, a lista continuou crescendo, pois segundo a prefeitura, são 200 novos casos por ano. Para atender a demanda, serão investidos mais de R$ 400 mil na realização dessas cirurgias eletivas.

Alex

O vereador Alex Mineli (PRB), na sessão de Câmara do dia 6, voltou a falar sobre a questão. Ele elogiou a assinatura do convênio, afirmou estar otimista com a retomada das cirurgias, mas lembrou que são centenas de pessoas que aguardam há muito tempo não só pelas operações, mas também por exames. “Se não houver um empenho ainda maior, não será fácil resolver”, observou. “Sei de pessoas que estão esperando há dois ou três anos por um exame. É um caos total”. “Houve um avanço significativo com o convênio, mais ainda é pouco perto da necessidade”, avaliou.

Mamografia e cirurgia

Gislene Ludovina dos Santos Silva Pereira, 50 anos, levou um ano e três meses até conseguir fazer uma mamografia, que só foi realizada em julho. No entanto, ela ainda espera mais exames e consultas. “O ultrassom abdominal e o dermatologista estou aguardando há mais de um ano também. Todos os pedidos foram feitos juntos, inclusive o encaminhamento do dermatologista. Só consegui fazer a mamografia e oftalmologista que também fui chamada e agora aguardo a cirurgia do oftalmologista”, disse.

Enquanto isso, ela afirmou que seu quadro piorou. “O meu problema com o dermatologista se agravou, porque eu tenho carcinoma de pele. Tenho que estar fazendo tratamento direto e não fui chamada até hoje. Sobre o ultrassom, eu sinto dores na barriga direto e nas costas também e isso é há mais de um ano”, disse.

“A esperança eu nunca perco, porque não podemos perder né, mas fico um pouco em dúvida se serei chamada. Dá um pouco de medo, pois precisamos”, comentou Gislene. Ela levou seu caso ao vereador Alex, quando o parlamentar fez uma enquete em seu perfil no Facebook.

A moradora ainda afirmou que há problemas com o transporte de quem precisa se consultar fora de Vargem. “Uma amiga minha tem câncer, fez cirurgia e perdeu a consulta dela em Ribeirão Preto, porque não tinha ambulância disponível pra levar. O caso dela é sério, ela não pode parar com o tratamento. É complicado. Ela tentou remarcar, agora vamos ver se terá ambulância”, disse.

Consultas e exames

Carmelina Oliveira Rosa também está esperando fazer uma mamografia há mais de um ano e meio. Também aguarda uma consulta com um endocrinologista há dois anos. “Dependo da mamografia, para voltar a passar pela ginecologista. Continuo sem resolução, só depois que fazer os exames a médica vai decidir o que pode ser feito”, comentou.

Ela disse que não tem condições de pagar os exames pela rede privada e depende do Sistema Único de Saúde. “Eu tenho que ter esperança, pois pago todo mês o INSS”. Sem os exames, ela não sabe como está seu caso. “Se agravou, não sei dizer. Mas continuo com o problema sem ser solucionado. Ou seja, sempre esperando”, disse.

Números

Em resposta a um requerimento elaborado pelo vereador Alex, a prefeitura informou que são 15 pacientes que aguardam cirurgias eletivas desde 2015, 107 desde 2016, 224 desde o ano passado e 144 neste ano.

São 74 pacientes esperando cirurgias urológicas, 128 aguardando para uma operação de hérnia, 84 por cirurgia de vesícula, entre outras. Além disso, são 86 aguardando por cirurgias ortopédicas, que devem ser realizadas na Santa Casa de São João da Boa Vista – que segundo a prefeitura está com atendimento paralisado desde 2015 devido a problemas financeiros – e outras 86 operações neurológicas, que são feitas em Mogi Guaçu, que ainda está em negociação.

Já com relação aos exames, a demanda vai desde 47 pacientes aguardando tomografia, 212 esperando por uma ressonância, 611 ultrassons, 931 mamografias e 46 colonoscopias.

Convênio foi assinado entre representantes do Hospital e da Prefeitura no dia 6. Foto: Prefeitura

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