Novo coronavírus: infectologista explica sobre a doença

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Marcelo Luiz Galotti Pereira atende em Vargem e deu entrevista à Gazeta

A epidemia do novo coronavírus surgiu em dezembro na cidade chinesa Wuhan e a doença respiratória causada pelo vírus, que recebeu o nome de Codiv-19, rapidamente se espalhou pelo país, registrando mais de 59 mil pessoas infectadas e mais de 1,3 mil mortes, até a última quinta-feira, dia 13. Há ainda registros da doença em mais de 20 países.

Apesar de surgir na China, o vírus já está se espalhando pelo resto do mundo.  Até quinta, além dos 59.882 mil casos confirmados na China e das 1.368 mortes no país, 441 casos foram confirmados em outros 24 países e havia registro de uma morte nas Filipinas, no dia 2, e uma no Japão, nesta quinta, dia 13. No Brasil, há casos sob investigação, mas nenhum foi confirmado.

Nesta data o Brasil seguia monitorando oito casos suspeitos de Codiv-19 de brasileiros que foram à China ou tiveram contato com quem viajou ao país. De acordo com o governo brasileiro, 33 casos foram descartados desde o início do monitoramento. Os casos suspeitos no Brasil apareceram em áreas do litoral de São Paulo a Porto Alegre.

À Gazeta de Vargem Grande, o infectologista Marcelo Luiz Galotti Pereira, que atende no município, explicou que dentro da infectologia, há vários agentes causadores de doenças, como vírus, bactérias, fungos, protozoários e vermes, e que o coronavírus é um vírus. “Como o nome indica, corona em latim é coroa, então é um vírus que tem uma forma que lembra uma coroa estruturalmente, daí veio o nome. É um vírus fundamentalmente de animais, que recentemente atingiu o homem”, disse.

Marcelo comentou que como ele era um vírus que vivia em animais, é necessário falar em relação ao que ele tem mostrado até o momento, pois como causador de doença, principalmente desta intensidade e com essas características, para a humanidade é uma novidade. De acordo com o médico, o vírus causa uma doença respiratória, caracterizada fundamentalmente por febre, tosse e falta de ar.

Surgimento

O especialista pontuou as causas do vírus ter aparecido na China. “Por uma série de características, primeiro que a China tem um sexto da população mundial, segundo que a condição de saneamento básico lá, até pela quantidade de pessoas, não é um primor, e há também um problema cultural, pois é importante na cultura deles a existência de mercado de animais vivos, como selvagens e exóticos, inclusive”, falou.

“Em função disso, a China favorece o aparecimento dessas epidemias, uma vez que essa é a terceira que aparece lá. Já teve influenza, gripe aviária e suína, e agora o coronavírus, que é um vírus animal que sofreu adaptação e está causando doenças em humanos”, completou.

Para Galotti, normalmente não era de se esperar que o vírus se transmitisse entre humanos e ele veio com essa característica, ainda com altíssima transmissibilidade. “Ele surgiu em Wuhan no final de 2019 e início deste ano e até no final de semana anterior já havia mais de 900 mortos, número que em três dias passou de mil e com grande número de acometimentos”, pontuou.

O médico explicou que o que acontece é que como a transmissibilidade do vírus é muito grande, a doença tem uma mortalidade menor que as outras, mas como ela registra um número maior de casos, em números absolutos a mortalidade dela é muito importante. Outra característica, segundo o médico, é que as outras doenças, de alguma forma, foram resolvidas na China mesmo, mas essa já é encontrada na Argentina, por exemplo, onde já se há caso positivo.

Marcelo comentou que já se havia sete espécies conhecidas do coronvírus, mas nenhuma com a patologia deste último, por isso o termo ‘novo coronavírus’, uma vez que, inclusive, nos animais o agente causava várias doenças, mas nenhuma do tipo respiratório.

Transmissão

Ele contou que a transmissão é semelhante à influenza, a gripe, que é direta, através de espirro ou tosse com gotículas de secreção, e indireta, nos casos em que a pessoa, por exemplo, tosse e coloca a mão e depois toca na mesa, que outra pessoa também toca depois.

“O surto aviário que teve lá na China apareceu inicialmente em um hotel de altíssimo padrão, por infectar o corrimão da escada rolante, tanto é que preconizam hoje uma nova proteção, onde ao invés de você tossir na mão, deve tossir no braço, porque dificulta a transmissão indireta, pois não é em todo lugar que você rela o braço. Se tossir na mão, pedem pra usar um lenço e lavar a mão em seguida, mas em geral, pedem para usar o braço”, recomendou.

Prevenção

De acordo com Marcelo, a Codiv-19 é uma doença aparentemente mais cruel em idosos e imunodeprimidos, como portadores de câncer e diabetes, por exemplo.

“A prevenção é muito semelhante à gripe, ou seja, tentar manter uma distância de pelo menos um metro das pessoas, porque a transmissão acontece por gotículas e assim já dá para evitar. Tirando isso, se a pessoa for em locais de grande movimentação, como elevadores, festas e aeroportos, por exemplo, e estiver muito preocupada, se sugere o uso de máscaras, isso para a transmissão direta de humanos para humanos. Na indireta, o grande segredo é a orientação sobre a tosse e, em segundo, lavar as mãos insistentemente”, informou.

Isolamento

O médico comentou que as regras de isolamento são internacionais e clássicas. “Estamos falando sobre transmissão por gotículas e elas transmitem em até um metro, então você faz esse isolamento respiratório para gotícula. Se for tuberculose ou catapora, você faz um isolamento para aerossol, pois o vírus atinge 5 metros no ar. Então existe um protocolo clássico que não será diferente dos outros, já se sabe disso”, disse.

Segundo Marcelo, é de se esperar que antes de darem a dimensão necessária, segurarem os dados por um pequeno período. “Em casos assim, o turismo no local cai, algumas cidades ficam parecendo que são fantasmas, pois não há ninguém na rua. Isso tem repercussões econômicas muito importantes, tem toda uma queda de implicações do desenvolvimento econômico, uma vez que já estão importando menos”, pontuou.

Ele observou que na medicina, tudo funciona por estatística e a amostragem do novo coronavírus, pelo menos na China, é muito boa. “Ela se mostrou como uma doença altamente transmissível, uma doença que vai se caracterizar como a influenza e que pode ficar grave, assim como a influenza fica, e que a mortalidade dela é muito menor do que as anteriores. Uma era 30%, a outra 8% e essa não chega nem a 2%”, ressaltou.

Saúde

Galotti comentou sobre o trabalho das autoridades de Saúde. “Fazer turismo para a China é uma fria, mas parece que está bem claro para as autoridades de Saúde, que ela é uma doença com alto número absoluto, mas sem as características das outras, o que anima. O segundo fato que anima é que estamos no verão, onde doenças respiratórias são mais difíceis, uma vez que estamos na fase de dengue, não de gripe”, pontuou.

“Dentro do limite pelo pouco conhecimento dado a rapidez da doença, a Saúde tem se comportado fantasticamente bem a todos os níveis, como municipal, estadual e federal. Exemplo disso é o governo federal, que conseguiu vacinar uma parcela da população, foi resgatar os brasileiros e montou um isolamento para eles. Então dentro do que se pode fazer, estão trabalhando muito bem”, completou.

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