Casa de Passagem enfrenta dificuldades na quarentena

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Casa de Passagem atende agora 24 horas por dia com atividades, refeições e encaminhamentos. Foto: Casa de Passagem

Com a ampliação do horário de atendimento da Casa de Passagem Heitor Andrade Fontão, o antigo albergue, devido a quarentena em prevenção ao novo coronavírus, a entidade já vê os impactos nos custos. À Gazeta de Vargem Grande, Eduardo Caju Novellino, o presidente da Casa de Passagem, falou sobre a instituição.
Segundo ele, a Casa de Passagem é a instituição que menos recebe verbas do Poder Público e observou que existe certo preconceito das pessoas com relação a instituições que trabalham com população de rua . “Todas as causas são muito justas. Mas nós vamos além, se vende muito fácil as causas de animais, mas as pessoas às vezes tem um pouco de preconceito com aqueles que trabalham com pessoas em situação de rua”, comentou.
Segundo Eduardo, o maior desafio é o pós-atendimento. “Quando nós assumimos a Casa, fui buscar junto a equipe esse trabalho, que não pode estar somente em servir um café, um banho e um jantar. Nós temos que ir resgatar pessoas. Então, tenho batido muito com os técnicos que é preciso um olhar amoroso com aquele que está ali e que quer uma mudança de vida”, pontuou.

24 horas

De acordo com Eduardo, com a pandemia e a quarentena decretada pelo governador, a preocupação da instituição passou a ser acolher, ou seja, ser casa para aqueles que não têm casa. “E então passamos a atender 24 horas. Respondemos para o nosso maior parceiro hoje, que é a prefeitura, que paga pelo serviço, que a gente presta 45% do nosso trabalho”, disse.
Segundo ele, a lei pede um plano de trabalho, e o projeto desenvolvido entre Casa de Passagem e prefeitura tem algumas exigências. “Uma delas é que o trabalho seja desenvolvido das 18h às 7h, então a gente antes acolhia nesse horário. As pessoas podiam entrar até às 21h, tomavam banho, jantavam, dormiam e depois iam embora com o café da manhã”, contou.
Quando a quarentena teve início, Eduardo explicou que foram pontuar as dificuldades e a intenção do atendimento 24 horas com o prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB). “Quando fizemos isso, levando a nossa preocupação e a nossa realidade de que a Casa está passando por uma crise financeira, porque ela já vinha de uma crise e através dos eventos, tentamos alinhar as coisas”, disse.
“Porém, com a quarentena nós também ficamos impedidos de fazer os eventos, então fomos levar essa realidade ao prefeito. Para o bem de todos, graças a Deus, o prefeito aceitou nossa proposta e começou a nos ajudar ainda mais, cedeu um veículo e nos fez a concessão de três funcionários”, contou.
Eduardo disse que fizeram adequações no atendimento, porque receberam uma orientação da instituição que fiscaliza a entidade, sobre uma maneira segura de receber a todos nesse tempo de pandemia e assim, tiveram que dar um distanciamento correto das pessoas sentadas à mesa e nas camas dos cômodos.Mesmo com essas alterações, agora contam com 14 pessoas assistidas na entidade.

Custos

Assim, os custos da instituição aumentaram bastante. O presidente comentou que a primeira coisa é a energia elétrica, depois o gás, pois o consumo semanal de um botijão por semana aumentou, uma vez que agora são oferecidas 56 refeições diárias.
Eduardo comentou que já tinham ideia de que esse aumento nos gastos aconteceria, e por isso estão maneiras de aumentar a arrecadação em ações como pizza no estilo drive thru, campanha via WhatssApp e redes sociais. “Estamos fazendo como o comércio para tentar nos reinventar, tínhamos uma ação da pizza e pensamos em cancelar, mas optamos por manter e fazer no estilo drive thru”, explicou.
O dirigente contou que as novas possibilidades para a Casa de Passagem são a laborterapia, que são a terapia ocupacional, com a horta social, e uma cozinha industrial. “Para aqueles que estão ligados a nós e são acolhidos para poder fazer pão e biscoito, ter oficinas e a possibilidade de acomodar todas essas pessoas. Essa possibilidade de acomodar estamos estudando, procurando alguém que possa nos emprestar um local maior, com maior número de quartos ou um maior espaço”, disse.
Para os interessados em ajudar a entidade, o telefone para contato é o (19) 3641-1765.

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