Câncer de Mama: mulheres devem buscar a prevenção

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Terezinha tem 72 anos. Foto: Arquivo Pessoal

Desde o início do mês, ações e campanhas são desenvolvidas com o objetivo de conscientizar as mulheres sobre a importância da prevenção ao câncer de mama. O Outubro Rosa, movimento internacional de conscientização foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Cure, sendo instituído no Brasil pela Lei nº 13.733/2018.
De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres, no Brasil e no mundo, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos de câncer a cada ano. Esse percentual é de 29% entre as brasileiras.
A cada ano, cerca de 66 mil mulheres recebem o diagnóstico de câncer de mama no Brasil. O tratamento para câncer de mama é oferecido pelo Ministério da Saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Além do câncer de mama, a campanha do Outubro Rosa também alerta para outros assuntos importantes para a saúde da mulher, como o câncer de colo de útero. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 40% dos cânceres em mulheres são ginecológicos. O mais comum entre eles, de acordo com a estimativa, é o câncer de mama, sendo 29,7%, seguido dos de colo de útero, em 7,5%, ovário, com 3% e corpo de útero, sendo 2,9%.
Segundo o Inca, enquanto o câncer de mama, ovário e corpo do útero são mais comuns entre mulheres acima de 50 anos, o câncer do colo do útero é mais frequente entre as mulheres jovens, sendo também, mais possível de ser prevenido.
No Brasil, em 2020, o Inca informou que são esperados 16.710 casos novos, com um risco estimado de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres. É a terceira localização primária de incidência. Em 2018, ocorreram 6.526 óbitos por esta neoplasia, representando uma taxa ajustada de mortalidade por este câncer de 6,10 a cada 100 mil mulheres.
O Outubro Rosa é celebrado anualmente com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade, segundo o Ministério da Saúde.
O câncer de mama é causado pela multiplicação desordenada das células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem às características próprias de cada tumor.

Em Vargem, prefeitura já proporcionou 805 mamografias

De acordo com a prefeitura, a realização de exames de mamografia, uma das principais armas para a detecção precoce da doença, seguiu normalmente durante a pandemia da Covid-19 em Vargem Grande do Sul. Na cidade, os casos tiveram que ser direcionados ao Centro de Atendimento à Mulher (CAM) para realização desse controle e coleta dos exames.
Com relação ao papanicolau, a enfermeira da saúde da mulher do CAM, Eluana Maria Cristofaro Reis, explicou que a referência para a análise das lâminas deste teste é a Fundação Oncocentro do Estado de São Paulo (FOSP), e no início da pandemia a prefeitura recebeu um comunicado que esse serviço estaria com horários reduzidos, solicitando a realização desse exame somente em casos alterados e urgentes, ocorrendo o direcionamento.
Nestes casos, então, as mulheres puderam fazer o preventivo. A enfermeira lembrou que as políticas públicas do Ministério da Saúde em relação a Saúde da Mulher, preconiza que a idade de rastreamento do Câncer de Colo do Útero é de 25 a 64 anos, e que após dois resultados consecutivos normais, a mulher pode fazer a coleta trienal, ou seja, de três em três anos.
Entre os anos de 2018 a 2020, a prefeitura contratou o total de seis mil exames de mamografia, por meio de processo licitatório, o que segundo informou o Executivo, zerou a fila de espera e atendendo as necessidades das mulheres que aguardavam há anos.
Apenas em 2020, segundo o informado, foram realizadas 805 mamografias, entre exames disponibilizados via CROSS, nos AMEs e exames contratados pela prefeitura. Segundo o setor de regulação, não há filas para agendamento do exame.
Eluana pontuou que a prefeitura havia planejado, conforme fizeram nos últimos anos, a abertura do CAM e de algumas unidades de atenção básica nos sábados do mês de outubro, mas devido a pandemia, ficaram bastante limitados.
“Mas o CAM em articulação com a atenção básica tem feito busca ativa das mulheres que nos últimos três anos tiveram exames alterados, para realizarem as coletas, e as mulheres que estão há mais de dois anos sem coletar, também estão sendo acolhidas para realização do exame”, disse.

Exames gratuitos
A Associação Setembro disponibilizou 100 mamografias gratuitas em parceria com a Diagcenter e sem necessidade de pedido médico. As mulheres interessadas tinham até a sexta-feira dia 16, para se inscrever.
Os exames serão feitos com hora marcada, entre os dias 19 e 23 de outubro. As mamografias serão feitas na Diagcenter, à Rua Cap. Belarmino Rodrigues Peres, 136. Com o laudo em mãos, se houver alguma observação as mulheres devem procurar seu posto de saúde de referência ou seu médico.

Terezinha conta que venceu o câncer com muita autoestima

Terezinha tem 72 anos. Foto: Arquivo Pessoal

Com o diagnóstico em mãos há oito anos, em 2012, a vargengrandense Terezinha Piccolo de Souza, de 72 anos, passou pelo tratamento e cirurgia quando estava com 64 anos de idade. À Gazeta de Vargem Grande, ela contou como foi receber o diagnóstico. “Foi bravo. Nossa Senhora, parecia que o chão abriu um buraco e eu tinha caído dentro. Foi bravo mesmo, é uma coisa que você não espera”, contou.
Segundo ela, as principais dificuldades que enfrentou no tratamento foi a alimentação, banho frio no inverno e o tratamento da quimioterapia, que é bem difícil. “Mas tirei de letra, de salto alto e batom”, disse.
Hoje em dia, passados oito anos, Terezinha comentou que está ótima. No entanto, o tratamento deixou algumas sequelas em seu braço esquerdo e seus cabelos. “Meu braço que ficou um pouco debilitado por ter ficado sem circulação. O médico falou que tenho que acostumar, mas dependendo do movimento, dói. Se eu trabalho muito, dói muito. Se eu trabalho menos e coloco o braço pra cima, dói menos”, explicou.
A vargengrandense pontuou que não há tratamento e que pode tomar remédio para tirar a dor no braço. “Como é para o resto da vida, não adianta ficar estragando o organismo e o rim, tomando um monte de remédio, sendo que a dor é minha, ela não vai embora”, disse.
Ela falou ainda sobre as mudanças que o tratamento fez em seu cabelo. “Outra coisa é o cabelo, eu tinha muito cabelo e gostava dele, tinha muito cuidado. Hoje tenho pouquinho, não tenho muito, é mais ralinho e qualquer coisinha ele cai demais, mas estou bem, estou contente”, completou.
Às mulheres que acabaram de receber o diagnóstico, Terezinha gostaria de dar dicas de como enfrentar a doença de cabeça erguida. Ela comentou que o câncer é um fantasma na vida da pessoa, que quando ele chega, a mulher logo imagina um fantasma na sua frente, mas se tiver fé de verdade, consegue vencer e lutar.
“Não se assuste, não faça blasfêmia, não reclama, pega na mão de Nossa Senhora e ajoelha no chão, pede a misericórdia e agarra em Deus, que tudo vence. Mas não precisa chorar e achar que o mundo vai acabar, que ele não acaba não, só ter força e fé. Tenha fé que vence. É difícil? É. É assustador? É também. Mas vence, com Deus dá para lutar”, falou.
Um ponto importante, segundo Terezinha, é que as pacientes devem obedecer o médico para que o tratamento seja eficaz. “Não pode querer fazer o que quer não. O médico falou pra comer pedra, tem que comer pedra. Vai comer chumbo? Então vai comer chumbo. E se ele falar que vai ficar sem comer, não existe essa de que tá com fome, não tem nem fome e nem o que comer. Deita, reza, pega o terço, não precisa comer”, falou.
Conforme explicou, a vargengrandense passou quase dois anos bebendo suco e comendo legumes cozidos no vapor, sem nenhum tempero, uma vez que a quimioterapia que fez era bem forte. O médico a parabenizou pela dedicação e disciplina ao seguir as indicações corretamente. “Foi dois anos passando por quimio, então eu comia tudo no vapor e sem sal, sem açúcar, sem álcool, sem pimenta, sem vinagre, sem nada. No líquido era só água, suco de laranja e muita batida”, disse.
Orgulhosa pela trajetória, Terezinha comentou que venceu o câncer de sapato de salto, batom, chapéu na cabeça e lenço no pescoço. Ela contou que fazia quimioterapia em Ribeirão Preto e que fez algumas radiografias em Poços de Caldas.
O segredo, segundo ela, é pensar positivo e não se deixar abalar pela doença. “Uma coisa que quero deixar bem claro é que com o câncer não precisa ficar sem maquiagem, de qualquer jeito, não precisa se deixar abalar, que tá mal”, disse.
“Você pode levantar mal, ruim, mas depois que levantou, lavou o rosto, escovou o dente, passa batom, passa uma maquiagem, põe um chapeuzinho na cabeça e bastante perfume. Isso cedo, de dia, de noite, pra dormir, pra levantar. Sempre perfumada e de salto, e mesmo passando mal, não tire o salto”, aconselhou.

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