Especialista explica como funciona o distanciamento

Dr. Marcelo Galotti explicou a importância de medidas de isolamento. Foto: Arquivo Gazeta

O médico infectologista Marcelo Luiz Galotti Pereira, em sessão de Câmara realizada no dia 16 de março, explicou a necessidade e a importância de se adotar o distanciamento social.
O médico reforçou que para que a situação não piore ainda mais na cidade, a exemplo dos municípios vizinhos como São João da Boa Vista e Divinolândia, depende apenas da população fazer o distanciamento social, ainda mais com a chegada da nova variante da Covid-19, a P1. “Se não fizer o distanciamento, vai esticar isso até essa bomba estourar. As cidades que não fazem, a previsão é 25 dias, veja que em novembro a mortalidade era 500 e hoje é 2 mil. A coisa está quadriplicando”, disse.

Variantes
Apresar de ainda não haver comprovação laboratorial da circulação da nova variante do coronavírus na região, Benedito Carlos Rocha Westin, diretor do Departamento Regional de Saúde 14 (DRS-14), do qual Vargem Grande do Sul faz parte, observou em entrevista à TV União no início da semana retrasada, que há indícios clínicos da nova variante na região, como Divinolândia e Mococa, pelo avanço muito grande da doença em pouco tempo, alta transmissibilidade, tempo de internação e maior letalidade.

Jovens
“Outra coisa que a variante trouxe é que antigamente eu ia nas rádios nos programas semanais e dizia para os velhinhos ficarem em casa e usarem máscara porque nós que vamos pagar essa conta, já que 75% da mortalidade é idosos e agora isso que falaram tem uma vantagem, eles estão vacinados, então veremos que vai mudar claramente para o lado dos jovens”, completou Dr. Marcelo.
O médico afirmou ainda que haverá congestionamento de atendimentos na Saúde, uma vez que a Covid deixa sequelas e que uma pessoa que sai da UTI, por exemplo, ainda precisará de acompanhamento por muito tempo. “Nós ainda vamos pagar um preço de congestionamento. A gente sabe que se detonar a economia, você vai ter que fazer muitas bolsas. Mas, infelizmente, no momento agora não tem saída. Nós estamos quadriplicando tudo, em 25 dias o sistema de saúde brasileiro ‘abre o bico’, você tem em São Paulo 25 hospitais de ponta, USP, Emílio Ribas, Escola Paulista de Medicina, Hospital do Servidor, todos eles com 100% de ocupação. Eu quero saber aonde é que eles vão colocar doentes?”, questionou.

Se fizer corretamente, vai funcionar
Umas das únicas soluções para ele, conforme explicou, é o distanciamento social. “Se ele fosse rigorosamente cumprido, não precisaria de mais que 15 ou 20 dias. Se eu pegar Covid hoje, a doença vai manifestar em um período de incubação de 15 dias. Se eu tive contato com o Covid e peguei a doença, mesmo que eu continue doente, ele não dura mais que sete dias no meu corpo”, explicou.
“Então, a partir desse momento de hoje que é o dia zero, se eu tive Covid, dentro de 7 dias eu não tenho Covid, portanto não transmito. Se eu tiver incubando, dentro de 15 dias eu manifesto. Se nós colocarmos 15 dias todo mundo em casa, eu sei que isso é impossível, utópico, mas nós zeramos o Covid por algum tempo”, completou.
O médico pontuou que isso não zeraria o número de casos para sempre, já que muitos vargengrandenses vão para outras cidades e vice-versa, como atacadistas, mas a medida amenizaria a situação. O grande problema nesse momento, de acordo com o Dr. Marcelo, é que a saúde não está dando conta e não vai dar mais.
“Isso não é só em São Paulo, Porto Alegre tem 116% das UTIs ocupadas, Belo Horizonte e Santa Catarina a mesma coisa, vocês estão vendo Manaus. Eu estou na situação de que eu tenho 72 anos, tenho um câncer, estou muito no fim da vida, e estou há um ano sem ver meus netos e meus filhos. Fui lá no Natal para vê-los, meu filho colocou no terraço um café da manhã, eu peguei um motorista, fui lá, fiquei uma hora e voltei. Eu entendo que a população não aguenta mais, mas eles não tiveram a adesão que a gente precisava”, falou.
Marcelo reforçou aos vereadores que quando eles vão ao restaurante e conseguem fazer o distanciamento, é porque o proprietário do restaurante faz isso, mas o que tem que ser tirado, segundo ele, é a circulação fora, além da de dentro. “Mas nesse momento você tem que suspender transporte público, tem que fechar banco, doa a quem doer, se você não fizer isso nós vamos enterrar muita gente querida, mas muita, porque não tem mais lugar para colocar doente. Você vê São João, que em um fim de semana foi 10, São José foi 5. As pessoas não estão entendendo que essa parte da epidemia neste momento é um negócio horroroso.
O infectologista comentou ter ficado feliz com um agradecimento feito pelo vereador Paulo César da Costa, o Paulinho da Prefeitura (PSB), e pela diretora do Departamento de Saúde, Maria Helena Zan, aos trabalhadores da saúde. “Porque você não consegue imaginar, eu já falei do terror de um médico decidir quem morre e quem vive, agora pega uma moça simples que tem criança em casa, marido, acabou de casar, trabalha em uma condição de que se ela pegar Covid ela pode morrer, isso o dia inteiro, é uma coisa horrorosa”, relatou.
De acordo com o médico, se atitudes radicais não forem tomadas, a pandemia não será controlada, dando o exemplo de Recife e Mato Grosso, que já está impossível, perdeu-se o controle.

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