Presidente da ABVGS fala sobre a safra atual da batata

Pedro Marão, presidente da ABVGS, falou à Gazeta

A safra da batata deste ano é um grande desafio para os produtores e o presidente da Associação dos Bataticultores de Vargem Grande do Sul (ABVGS), terá um enorme trabalho nestes 100 dias em que a safra ocorre, uma vez que vai lidar com as expectativas de mais de 150 produtores que fazem parte da entidade e também com todas as complicações que o plantio de batata está sujeito, como por exemplo, a grande geada que aconteceu nesta segunda-feira, dia 19, que afetou grande parte dos plantadores do município e da região.
Pedro Marão Neto, 33 anos, foi eleito presidente da ABVGS em março deste ano. Vindo de uma família de produtores, a Família Oliveira, faz parte da terceira geração e está no ramo desde 2010, perfazendo 11 anos ligados à produção agrícola, em culturas como a do milho, soja, feijão, batata, sorgo, trigo e laranja.
Ao falar sobre a importância da ABVGS para a bataticultura de Vargem Grande do Sul e região, ele disse que a entidade que preside representa uma grande quantidade de associados, lutando pelos interesses da classe e atuando de forma ativa nas decisões de seus associados.
A ABVGS vive uma situação muito boa no seu entender, sendo hoje uma das principais importadoras de sementes do Brasil, além de trabalhar ao lado do produtor na contratação de mão de obra para a colheita de diversas culturas de hortifruti, inclusive para a atual safra de batata.
Ao abordar a safra deste ano, Marão citou os principais problemas que os produtores estão enfrentando, após passarem por um período muito ruim de chuvas, devido ao efeito La Niña, que atingiu o Brasil na época da primavera e do verão, só perdendo força agora na época do inverno. Isso afetou a capacidade dos reservatórios de água para a irrigação das culturas, que ficou muito baixo.
O aumento dos custos de produção, incluindo adubo, combustível, defensivos agrícolas, embalagens para beneficiamento, energia, dentre outros, também contribuíram para as dificuldades que os produtores estão enfrentando nesta safra, segundo o presidente.
O preço baixo da saca de batata paga ao produtor é outro dos problemas que os associados enfrentam neste início de safra. Segundo Marão, o valor da saca de 25kg paga ao produtor hoje está em torno de R$ 20,00. Sendo, portanto, a saca de 50 kg vendida a R$ 40,00.
Ao comentar sobre o custo de produção, o presidente da ABVGS disse que varia muito de cada produtor. “Então me arrisco a dizer que está entre R$ 30.000,00 a R$ 45.000,00 por hectare”, afirmou à reportagem da Gazeta de Vargem Grande.
Com a produtividade neste começo de safra superando as expectativas, no seu entender, disse que é muito difícil de prever quantas sacas serão colhidas na atual safra, pois vários fatores afetam e estão afetando as lavouras esse ano.
Com relação a possíveis prejuízos que poderão acontecer, afirmou que cada produtor sabe o preço que a sua mercadoria custa, então, que cabe a ele batalhar para vender no preço que possa cobrir os seus custos. Também disse ao ser indagado sobre se há perspectiva de melhoria nos preços ao longo da safra, que os preços dependem de oferta e demanda, deixando o mercado muito instável com relação aos preços.
Ele citou como causas do baixo preço da batata neste início de safra, a oferta de muito produto no mercado, além de várias regiões colhendo ao mesmo tempo. Neste sentido, a ABVGS tem orientado seus associados a tentar diminuir a colheita, não deixando entrar batata em excesso no mercado, fazendo com que o mercado venda apenas o que é necessário.
As consequências da forte geada desta semana também foram perguntadas ao presidente Pedro Marão Neto e ele confirmou que de fato foi uma das mais fortes dos últimos tempos, de um jeito que a região ainda não havia passado. “Conversando com alguns produtores, uma geada em 1994 fez um estrago muito grande na região, mas como na semana do dia primeiro de julho já tinha ocorrido uma geada, as lavouras sofreram muito com a segunda geada ocorrida dia 19”, afirmou.
Os prejuízos da recente geada são difíceis de serem estimados, no seu entender, pois atingiu as lavouras em diversos estágios, mas o presidente acredita que seria em torno de 30% da produção prejudicada só com a geada. “Como afetou a produção, deve haver falta de produto, o preço tende a subir, já que vai faltar mercadoria”, comentou.
Aproveitando a proximidade com o Dia do Agricultor, a ser comemorada no próximo dia 28 de julho, quarta-feira que vem, o presidente da ABVGS, Pedro Marão Neto disse que gostaria de agradecer imensamente a todos os agricultores da região. “Obrigado pela dedicação com o trabalho que é tão nobre e deveria inspirar as pessoas, e não ser demonizado como muitos fazem com a classe”, afirmou.
Prosseguiu dizendo que os agricultores se dedicam diariamente a colocar comida na mesa da população brasileira. “Percebemos nesse período de pandemia que estamos passando, o quanto o alimento impacta na vida da população, o quando que as pessoas carentes necessitam de ajuda com alimentação, e o nosso setor não parou nem um dia de produzir alimentos, mesmo correndo risco com o vírus circulando cada vez mais, o agricultor não deixou de cumprir o seu dever nenhum dia, que é colocar alimento seguro e de qualidade na mesa do povo brasileiro”, enfatizou Marão.
Para ele, a classe que representa corre sérios riscos todos os dias. “Ou é muito calor, ou é muito frio, ou é excesso de água ou a falta dela, o produtor quando chega ao final de um ciclo de produção, deveria ser tratado como um herói, devido a todos os desafios que ele enfrenta no decorrer da sua jornada”, finaliza, agradecendo a todos os agricultores pela dedicação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui