Editorial

Jovens e a política
A projeção populacional da Fundação do Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) para Vargem Grande do Sul neste ano é de 41.684 pessoas. Desse total, 6,5% é composto por jovens entre 15 e 19 anos, o que daria algo em torno de 2.700 pessoas. Este é praticamente o público que a Justiça Eleitoral quer alcançar para que tirem o Título de Eleitor até o dia 2 de maio, quando se encerra o prazo para novas emissões e alterações de dados e endereço.
A iniciativa foi tomada após ser registrado um dos menores números de títulos eleitorais entre jovens de 16 e 18 anos, idade em que o voto é facultativo. Em todo o país, 850 mil jovens de 15 a 18 anos emitiram o documento este ano. Apesar da baixa adesão desse público não é novidade. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em dez anos, a redução da procura pelo primeiro título de eleitor foi de quase 80%. Em 2012, 4.049.240 novos eleitores se cadastraram.
As teorias para essa queda são muitas. A do desinteresse dos jovens pela política é a mais debatida delas. Esse desinteresse pode estar ligado à falta de incentivo, a da polarização da política, a uma frustração relacionada aos políticos, mas certamente é algo que precisa ser entendido e combatido.
No dia 31 de março se completou 58 anos do golpe que instalou uma ditadura militar no país e o voto foi uma das primeiras armas retiradas do povo. Um governo autoritário sabe que essa é a principal ferramenta que a população tem para fazer valer seus interesses. Ao longo de mais de 30 anos de democracia, o brasileiro foi às urnas, elegeu governantes que fizeram governos bons e outros que aprofundaram crises. Mas o voto nessas últimas décadas sempre foi respeitado. E é esse poder que o jovem precisa entender que tem em suas mãos.
O voto é a única maneira de fazer valer seus direitos e visões para o futuro. Mesmo que o candidato em que o eleitor deposita essa confiança não seja eleito, ele contribui para fortalecer ideais, levantar debates e motivar ações. O voto não termina ao se apertar a tecla verde da urna eletrônica. Por isso é preciso incentivar o registro dos jovens eleitores e no dia da eleição, combater a abstenção e a anulação de votos. A democracia foi retomada com muita luta no Brasil e seu principal símbolo deve ser defendido com o mesmo empenho.

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