Itobi registra 6 casos de suicídio em um ano

Prefeito de Itobi fez um apelo após o registro de casos na cidade. Foto: Reprodução Facebook

O prefeito de Itobi Joaquim Cândido Filho, o conhecido Maranata (MDB) recorreu às redes sociais para externar sua preocupação com os casos de suicídio que foram registrados no município que administra neste ano. Em uma cidade com população estimada em 7.862 pessoas, o registro de seis casos de suicídio em um ano é alarmante, como explanou o prefeito em seu perfil no Facebook.
Em sua postagem, Maranata se mostrava muito preocupado com a situação e pediu ajuda da população e das autoridades em geral. “Essa estatística está acima da média nacional. Estou muito preocupado e peço às autoridades em geral que me orientem como prefeito o que devo fazer para uma prevenção eficaz que possa evitar que outros casos ocorram. Estamos abertos para sugestões, não sei lidar com essa situação, mas juntos nós somos fortes”, escreveu.
A preocupação do prefeito é legítima. Entre 2010 e 2019 o Brasil registrou, em caráter anual ascendente, 112.166 óbitos por suicídio, com taxa de mortalidade por suicídio de 6,4 a cada 100 mil habitantes em 2019. Pessoas do sexo masculino são maioria, na proporção de 8:2, em média, com tendência de aumento das taxas de mortalidade para homens e mulheres.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 700 mil pessoas morrem por ano devido ao suicídio, o que representa uma a cada 100 mortes registradas.
A Gazeta de Vargem Grande procurou uma psicóloga para falar sobre o assunto. Josiane Maria da Silva é especialista em Psicologia Jurídica e explicou que quando se fala em suicídio é natural uma comoção grande por parte da população e uma dor imensurável de seus entes queridos.
“Infelizmente, não há uma explicação concreta, pois o ato de suicidar pode-se ter infinitas explicações e motivações. O que devemos ficar atentos é o adoecimento psíquico que costumamos ignorar. Passamos por um momento difícil em decorrência da pandemia e tudo que ela trouxe enquanto déficit para as nossas vidas, perda de entes queridos, desemprego, mudança abrupta em nossa rotina”, disse.
“Com tudo, evidenciou e inflou a crescente de transtornos psicológicos como depressão e ansiedade. Vale ressaltar que o suicídio não aumentou por conta da pandemia, mas é uma mancha na sociedade de muito tempo, que por cerca de anos fora ignorado, não é à toa que o Brasil assume o ranking do país mais depressivo e ansioso da América Latina. Frente a isso o que se pode explicar quanto uma situação assim é um provável adoecimento psíquico por conta dessas pessoas”, completou.
A psicóloga afirmou que não se pode encarar um suicídio como algo normal. “Conforme também não encaramos qualquer doença de ordem física, principalmente aquelas que podem levar à morte. Suicídio é o último recurso utilizado para lidar com a dor emocional e o sofrimento, onde as pessoas infelizmente já não conseguem enxergar uma alternativa diferente para aquele momento”, explicou.
Josiane pontuou o que o poder público municipal pode fazer em situações como essas. “É necessário que o poder público municipal olhe como ponto de alerta, investindo em conscientização da população e incentivo na procura de profissionais habilitados da área da saúde mental, desmistificando a crença de que estes profissionais são destinados apenas a pessoas taxadas como loucas. É apenas através da conscientização que podemos de alguma forma baixar este índice que só cresce no país”, comentou.

Na psicologia
A especialista explicou como a psicologia trata o assunto no geral. “O suicídio significa ‘morte de si mesmo’. A reflexão desta frase por mais sucinta que seja, ela traz inúmeros fatores comportamentais, biológicos e sociais e através disso que a psicologia atua. Compreende-se o suicídio como um acontecimento complexo entre a vida pessoal e coletiva. Não há uma análise apenas correlacionada à vida individual e particular do indivíduo, pois o mesmo está inserido em um macro sistema como sociedade, trabalho, família e todos tem o poder de influência sobre”, disse.
Ela informou que, em termos comuns, a psicologia visualiza o suicídio como o desejo de um indivíduo em escapar ou finalizar o seu sofrimento e até mesmo comunicar seu sofrimento para os demais como um pedido de ajuda, compreendendo que cada pessoa tem as suas próprias motivações profundas e dolorosas que a levam à justificativa em desistir da vida.
“Compreende-se o suicídio não apenas com a consumação do ato sendo este o ponto final, mas como um contínuo que permeia pela ideação suicida, os pensamentos acerca da possibilidade de cometer suicídio, e a tentativa de suicídio, os gestos autodestrutivos não fatais. Dentro da classe há grandes discussões acerca da temática e principalmente da necessidade de olharmos de forma profunda para auxiliar de forma cada vez mais eficaz”, disse.
Questionada sobre como os psicólogos abordam o tema com pessoas com tendências suicidas, a fim de reverter este quadro, Josiane pontuou que dentro da psicoterapia existem técnicas nas quais o profissional utiliza para que a pessoa possa enfrentar a situação da melhor maneira possível, compreendendo as motivações e principalmente as ações necessárias para sair.
“Um ponto primordial é a transparência podendo facilitar a relação terapeuta e cliente criando uma aura de confiança, pois sem ela nenhum tratamento se torna eficaz. Lidar com pessoas com tendências suicidas não é fácil, mas inicialmente se faz necessário desmistificar o medo de falar sobre a morte que muitos pacientes nessas situações trazem, onde nos quais nos é inserido enquanto aprendizados no decorrer de nossas vidas”, disse.
“Sendo assim facilitado a compreensão das dores nos quais trouxer durante a psicoterapia. Lança-se mão da necessidade de atuar juntamente a sua rede de apoio, desta pessoa como familiares para que o mesmo se sinta acolhido e principalmente com habilidades conjuntas para lidar com a situação”, completou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui