
No dia 27 de setembro foi comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos, a fim de chamar atenção para a busca por doadores nos hospitais. Na ocasião, o Ministério da Saúde lançou a campanha nacional de doação de órgãos e tecidos. O tema da campanha é Amor para Superar, Amor para Recomeçar e o objetivo do Ministério é incentivar a discussão do tema dentro das famílias.
Felizmente, o número de doadores de órgãos em São Paulo registrou crescimento acima de 10% neste ano, em comparação com o ano anterior, com alta acentuada em agosto em razão das campanhas de conscientização e também devido à cirurgia de transplante de coração realizada pelo apresentador Faustão no final do mês.
Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde no início de setembro e, conforme informações da Central de Transplantes, as recusas de autorização da doação por parte das famílias caíram de 41% para 38,6%. Os dados referentes ao período de janeiro a 30 de agosto mostram que foram registrados 696 doadores em comparação com 631 no mesmo período de 2022, segundo a pasta.
O número de transplantes de coração feitos até julho foi maior do que o visto no mesmo período dos cinco anos anteriores. Em 2018, aconteceram 64 procedimentos, seguidos por 74 em 2019, 67 em 2020 e 73 em 2021 e 2022. Em 2023, foram 75 transplantes do tipo nos sete primeiros meses do ano.
Segundo a secretaria, no total, foram realizados 5.077 transplantes de coração, fígado, pâncreas, pulmão, rins e córneas no Estado de São Paulo, o que representa um aumento de 10,5% em relação a 2022, quando foram feitos 4.592 procedimentos.

A doação
A doação de órgãos deve ser consentida, mas não é mais preciso incluir a informação no RG ou na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Se quiser ser doador, basta comunicar a família sobre esse desejo. No caso de pessoas falecidas, a autorização para doação deve ser dada por familiares com até o 2º grau de parentesco.
A principal recomendação do Ministério da Saúde para quem quer se tornar um doador é conversar com os parentes mais próximos, deixando explícito seu desejo de doar.
Os órgãos doados são encaminhados para pacientes que precisam de um transplante e estão aguardando em uma lista de espera. A lista é única, organizada por Estado ou região, e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Doação entre pessoas vivas
A doação entre vivos só ocorre se não houver nenhum problema de saúde para a pessoa que está doando, de acordo com informações da Secretaria de Saúde do Estado.
A Central de Transplantes do Estado de São Paulo lembra que doar órgãos e tecidos é fundamental para ajudar a salvar vidas. Conforme o Sistema Único de Saúde (SUS), pessoas com diagnóstico de covid-19 com menos de 28 dias da regressão completa dos sintomas não podem ser doadoras.

A fila de espera e o caso de Faustão
A realização de um transplante de órgão no Brasil leva em consideração diversos critérios, como a gravidade do quadro clínico e a compatibilidade entre doador e receptor. A realização da cirurgia de transplante de coração de Faustão, após alguns dias de internação, repercutiu.
Segundo o Ministério da Saúde, Faustão foi transplantado no Hospital Albert Einstein em agosto, após ter sido priorizado na fila de espera em razão de seu estado muito grave de saúde. Conforme o informado, entre 19 e 26 de agosto, foram realizados 13 transplantes de coração no país, sendo sete em São Paulo.
Contudo, a lista para transplantes é única e vale tanto para os pacientes do Serviço Único de Saúde (SUS) quanto para os da rede privada. Essa lista funciona com base em critérios técnicos, em que tipagem sanguínea, compatibilidade de peso e altura, compatibilidade genética e critérios de gravidade distintos para cada órgão determinam a ordem de pacientes a serem transplantados.
Pacientes em estado crítico, como foi o caso do apresentador, são atendidos com prioridade, em razão de sua condição clínica. A ordem cronológica do cadastro só funciona como critério de desempate quando os critérios técnicos são semelhantes.
Segundo o explicado, o apresentador recebeu um coração após constatada a compatibilidade necessária para o procedimento. Faustão foi internado no início de agosto após apresentar um grave quadro de insuficiência cardíaca.
O prazo total entre a internação e o transplante foi de 22 dias. Em São Paulo, o tempo de espera por um transplante de coração, para potenciais receptores do grupo sanguíneo B, como era o caso, oficialmente é de 1 a 3 meses, mas pode ser reduzido por urgência.












