Sr. Candidato a prefeito, quais seus projetos para a cidade se preparar para os impactos das mudanças climáticas?
Ao acompanhar a tragédia dos alagamentos que tem assolado centenas de municípios do Rio Grande do Sul, recordar da destruição de cidades mineiras pela força da chuva, dos deslizamentos que ceifaram vidas no litoral paulista e na região da serra fluminense, dos temporais que arrasaram a Bahia há alguns anos, isso sem falar da seca e altas temperaturas que atingiram níveis históricos no Amazonas, é possível entender a importância dessa pergunta.
Vargem Grande do Sul pode ser considerada privilegiada por nunca ter sofrido uma catástrofe de grandes proporções, como os municípios gaúchos, mas com a rapidez com que o clima tem mudado e trazido destruição não apenas para o Brasil, mas também para diversos outros países do globo, é preciso sim ter um plano de contingência para a cidade para ações de urgência e emergência climáticas.
O município possui uma Defesa Civil atuante e bastante capaz. Mas talvez enfrentar casos de grande escala precise de um planejamento mais integrado, robusto e de longo prazo. É preciso ter uma política pública de prevenção e de readequação do município.
E se o forte vendaval que destruiu casas e empresas em outubro de 2016 se repetir? E se for ainda mais forte? E se queimadas como as que devastaram mais de 600 hectares da área rural de Vargem, São João e Águas da Prata em setembro de 2020 acontecerem com maior frequência?
Um prefeito tem a missão de, além de investir em educação, saúde e na geração de empregos, ainda planejar e executar ações pensando no futuro do município. E para isso, é preciso se levar em conta que as condições da natureza podem ser mais severas. Vargem pouco tem de áreas verdes e arborizadas. Boa parte da cidade é impermeabilizada, as margens do Rio Verde já não têm mais várzeas na zona urbana e a cada chuva mais volumosa, casas e comércios sofrem com alagamentos.
A cidade cresceu por cima da natureza, que não pode ser vencida. A água vai procurar um lugar para escorrer e a seca pode durar mais do que as reservas planejadas. Sem um plano diretor que ordene o crescimento do município em harmonia com as necessidades ambientais, sem um programa de enfrentamento de crises climáticas que estão por vir, a população de Vargem pode pagar caro por essa falta de planejamento.
Eleitor, na hora de pensar em seu voto nas eleições municipais de outubro, questione seu candidato. Veja o que ele tem a dizer, se ele está minimamente preocupado com a capacidade de Vargem se adequar à nova realidade climática. O que se pensava sobre o futuro mudou completamente com a tragédia do Rio Grande do Sul e se a população não se conscientizar agora, esse futuro poderá ser ainda mais hostil












