O impacto psicológico e as consequências do vício em jogos de azar

A psicóloga Isabela Bedin comentou sobre os impactos dos jogos de azar. Foto: Arquivo Pessoal

Os jogos e aplicativos de apostas na internet, também chamados de bets, são uma febre principalmente entre os jovens e adultos. Na última edição da Gazeta de Vargem Grande, o jornal abordou sobre os jogos e aplicativos de apostas na internet, um tema muito importante. Nas redes sociais, os internautas debateram o que acham dos jogos, contaram se conheciam alguém que tinha tido algum resultado positivo ou negativo e ainda pontuaram se acham que estes jogos são viciantes.
O tema foi abordado após chegar ao conhecimento do jornal que um dos prováveis motivos que afetou um jovem que recentemente teve problemas envolvendo familiares e também a polícia, segundo vários comentários, teria sido a perda de dinheiro em jogos de apostas na internet, especificamente um conhecido como Jogo do Tigrinho.
Nesta edição, a Gazeta de Vargem Grande entrevistou a psicóloga Isabela Bedin para saber as consequências e os impactos que os jogos e aplicativos de apostas causam nas pessoas.
Ao jornal, Isabela falou sobre o vício que esses jogos causam. “Os jogos de azar, como os cassinos e as apostas esportivas, têm o poder de atrair muitas pessoas, seja pela emoção da vitória, a adrenalina do risco e a expectativa de um grande prêmio, que criam uma experiência intensa e sedutora. No entanto, para algumas pessoas, essa diversão pode evoluir para um problema sério: o vício em jogos de azar”, disse.
A psicóloga explicou como isso acontece e o que estaria por trás dessa compulsão. “No centro dessa atração está a dopamina, um neurotransmissor fundamental no nosso cérebro, relacionado ao prazer e à motivação. Quando uma pessoa ganha em um jogo de azar, o cérebro libera dopamina, gerando uma sensação de prazer e satisfação. No entanto, esse fenômeno não se limita apenas aos momentos de vitória. A simples expectativa de ganhar, a antecipação do prêmio, também ativa a liberação de dopamina, criando um ciclo de recompensa contínuo”, explicou.
“Esse ciclo de antecipação e prazer pode ser extremamente sedutor, levando os jogadores a buscar cada vez mais esse ‘alto’ emocional. O problema é que, à medida que o cérebro se acostuma com essa liberação de dopamina, ele demanda mais estímulos para gerar o mesmo nível de prazer. Isso pode criar uma busca incessante por jogos e apostas, resultando em um vício cada vez mais difícil de controlar”, completou.
Isabela falou sobre quando o jogo se torna um problema, virando um vício. “O vício em jogos de azar pode se manifestar de várias formas, com sintomas que impactam profundamente a vida do indivíduo. Um dos sinais mais comuns é a incapacidade de parar de jogar, mesmo diante de perdas significativas. A pessoa pode gastar mais dinheiro do que pode perder, ignorando as consequências financeiras e pessoais. Ao mesmo tempo, as responsabilidades familiares, profissionais e sociais são frequentemente negligenciadas por conta da obsessão pelo jogo”, comentou.
Para ela, essa situação é ainda mais preocupante com o aumento das apostas online. “Um fenômeno que tem gerado crescente preocupação entre pais, educadores e psicólogos. O fácil acesso a plataformas de jogos de azar, muitas vezes sem verificações adequadas de idade, e a promoção dessas atividades por influenciadores digitais têm facilitado a exposição de adolescentes e jovens a esse tipo de comportamento”, relatou.

Impacto emocional e psicológico
Ao jornal, a psicóloga informou que o vício em jogos de azar não afeta apenas o bolso, mas também a saúde emocional do indivíduo. “O jogador compulsivo vive em um ciclo constante de altos e baixos, o que gera níveis elevados de estresse, ansiedade e frustração. A pressão para recuperar perdas financeiras aumenta o medo e a angústia, enquanto a constante incerteza quanto ao resultado das apostas deixa o indivíduo emocionalmente esgotado”, pontuou.
“Além disso, as perdas contínuas podem gerar sentimentos de fracasso e desesperança, levando a quadros de depressão. A incapacidade de parar de jogar, mesmo sabendo das consequências negativas, só reforça a sensação de impotência, intensificando a autocrítica e a desvalorização da própria pessoa”, disse.
Nestes casos, segundo a psicóloga, a autoestima do jogador pode ser profundamente afetada. “A repetição de erros e a sensação de fracasso em controlar o impulso de apostar muitas vezes criam um ciclo vicioso de autocrítica, onde o indivíduo se sente cada vez mais inseguro e incapaz. Esse processo pode levar ao isolamento social, já que muitas pessoas tendem a esconder seu comportamento de jogo por vergonha ou medo do julgamento. Com isso, as relações pessoais e familiares ficam comprometidas, e a pessoa se afasta de amigos e entes queridos”, ressaltou.

Consequências físicas e financeiras
Isabela alertou que o vício em jogos de azar pode ter consequências financeiras graves, levando muitas pessoas a perderem grandes quantias de dinheiro e até mesmo a entrarem em dívidas impagáveis. “Além disso, os efeitos do jogo compulsivo podem afetar a saúde física. O estresse constante, a ansiedade e a frustração associados ao jogo podem contribuir para o surgimento de problemas de saúde, como distúrbios cardíacos, insônia e até distúrbios alimentares”, ponderou.
“Em muitos casos, o jogador pode se encontrar em um ciclo de sofrimento constante, onde a busca pela recompensa se torna uma obsessão que destrói não apenas sua saúde mental, mas também seu bem-estar físico e social”, apontou.

A importância do tratamento
Durante a entrevista ao jornal, a psicóloga pontuou que é fundamental que as pessoas que sofrem com o vício em jogos de azar busquem ajuda o quanto antes. “O tratamento pode incluir a psicoterapia, grupos de apoio e, em alguns casos, medicamentos para ajudar no controle da impulsividade. O apoio de familiares e amigos também é crucial, pois pode proporcionar o suporte emocional necessário para enfrentar as dificuldades do tratamento e da recuperação”, disse.
Para Isabela, o vício em jogos de azar é uma questão complexa que envolve tanto fatores psicológicos quanto biológicos. “A conscientização sobre seus efeitos, a prevenção e o tratamento adequado podem ajudar a minimizar os danos e a restaurar o equilíbrio na vida daqueles afetados por esse problema. Buscar ajuda não é um sinal de fraqueza, mas um passo importante para retomar o controle da vida e da saúde mental”, finalizou.

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