Diretoras opinam sobre proibição do uso de celular em escolas

Na Escola Alexandre Fleming, celulares serão guardados no ano que vem

Com a recente aprovação do projeto de lei que proíbe o uso de celulares em escolas públicas e privadas no Estado de São Paulo, que foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa de São Paulo-Alesp, na terça-feira, dia 12, e também a aprovação de projeto de igual teor na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, no Congresso Nacional, em 30 de outubro, a discussão ganhou amplitude em todo o Brasil, sendo manchete dos principais meios de comunicação e também nas redes sociais do país.
A Gazeta de Vargem Grande entrevistou algumas diretoras de escolas da cidade, que se posicionaram sobre a nova lei que irá proibir o uso de celulares nas escolas, que deverá ser sancionada ou vetada pelo governador Tarcísio de Freitas dentro de 15 dias, passando a ter seu cumprimento, caso seja sancionada, a partir do ano que vem.

“O celular faz o aluno perder o foco”
Em texto conjunto realizado pela equipe gestora e professores da Escola Estadual Benjamin Bastos, elas disseram que essa decisão contribuirá para melhorar o aprendizado e a concentração do aluno. “Somos favoráveis à medida. Se todos tivessem a consciência do uso pedagógico na escola, seria benéfico; contudo, sabemos que isso nem sempre ocorre”, afirmaram.
No Benjamin Bastos, o uso do celular não é radicalmente proibido, falaram ao jornal. “Mesmo porque não há lei que nos ampare, mas na medida do possível, ‘fiscalizamos’ durante as aulas para que não atrapalhe a concentração. A maioria dos alunos respeita, mas durante todas as aulas nos deparamos com alunos que insistem em jogar, usar as redes sociais, ficar on-line e é claro que tudo isso impede que hoje uma potencialização dos processos de ensino e aprendizagem”, comentaram.
Explicaram que a escola procurou neste tempo criar algumas regras sobre o uso do celular e, agora, estão aguardando a aprovação da nova lei para sua devida implementação. Citaram que é praticado no momento algumas regras, como: “Se a gente pegar uma vez a gente devolve, a segunda vez a família tem que vir buscar”.
Para os educadores, a tarefa é difícil, pois não adianta o professor falar, pois se o aluno está com o celular em mãos e ao sentir o aparelho vibrar, imediatamente ele já perde o foco. Também citaram que quando os alunos ficam com o celular na mão, eles têm aquela ansiedade de estar vendo se alguém tá mandando mensagem. “Até mandar mensagem de dentro da sala de aula para os responsáveis, sem antes comunicar a direção, acaba prejudicando muito o aluno”, explicaram.
Indagada qual o impacto do uso do celular no dia a dia da escola, a direção do Benjamin Bastos afirmou acreditar que a grande mudança se deu durante e após a pandemia, onde os professores e as famílias ficaram reféns dos dispositivos eletrônicos e o seu uso indiscriminado. “Atualmente, estamos sofrendo as consequências que não são poucas. Está provado que durante uma explicação da matéria, o aluno receber uma mensagem ou uma notificação no celular e ele ao visualizar, perde o foco imediatamente e demora vários minutos para concentrar-se novamente…”, disseram.
Continuaram as educadoras do Benjamin Bastos citando: “Estamos diante de uma realidade educacional onde os alunos apresentam muita dificuldade para prestar atenção em uma aula expositiva por exemplo, por que o cérebro vem recebendo muitos estímulos visuais e sonoros durante todo o tempo, inclusive à noite, com poucas horas de sono. Diante disso, falta “espaço” para o conhecimento”, argumentaram.
Para elas, essa situação tem sido tratada como obesidade mental, segundo Andrew Oitke. “Sem contar que o contato constante com as redes sociais, dentro e fora da escola, está gerando um aumento significativo nos indícios de ansiedade e depressão entre as crianças e adolescentes e acaba afetando diretamente a aprendizagem e o equilíbrio emocional”, argumentaram ao se posicionarem sobre serem favoráveis à proibição do uso de celulares nas escolas, dizendo que os impactos causados pelo uso do celular no dia a dia da escola, felizmente, está despertando as pessoas para esta nova realidade.

“É preciso envolver a comunidade escolar”
A diretora Elaine Cristina Felipe Pinheiro, da Escola Gilberto Giraldi, foi quem respondeu as perguntas formuladas pela redação da Gazeta de Vargem Grande sobre a lei que proíbe o uso de celular nas escolas, enfocando na necessidade de envolver a comunidade escolar no debate sobre a nova lei e sua implementação a partir do ano que vem.
Para a diretora, tendo em vista que o celular faz parte da rotina pessoal, a proibição sem uma justificativa plausível, embasada e de maneira consciente trará muito desconforto e alguns possíveis problemas à princípio, argumentando que o celular é um ponto de partida para a aquisição de informações, e, sem bem utilizado em sala de aula pode ser uma estratégia à favor da aprendizagem dos estudantes. “No entanto as escolas sofrem com a utilização indevida em horários não pertinentes, que inclusive tiram a atenção do estudante”, afirmou Elaine Cristina.
Ao questionar como que a escola vai implementar essa lei na escola, a diretora afirmou: “A partir do momento em que existe uma legislação, há obrigatoriedade de segui-la. A escola deve então, dar clareza à comunidade escolar, assim como para pais e responsáveis. Envolver os colegiados, como conselho de escola e conselho de ano e série e instituições auxiliares, como associação de pais e mestres e grêmio estudantil neste processo é assertivo, pois para dar certo a gestão democrática e participativa é necessária”.
Atualmente, os estudantes do Gilberto Giraldi até utilizam o celular em aula como apoio pedagógico, através das atividades em plataformas educacionais entre outras. “Mas o impacto para aqueles estudantes que não conseguem administrar o autocontrole na utilização é grande, pois dificulta a aprendizagem”, relatou a diretora.
Indagada se na sua escola já é proibido o uso de celular e se os alunos respeitam essa proibição, Elaine Cristina afirmou que toda escola tem em seu Regimento as regras que conduzem o trabalho pedagógico, portanto a utilização indevida, sem autorização do professor ou para fins não pedagógicos é proibida em sala de aula, de acordo com legislação vigente.
Comentou que ainda há um percentual de estudantes resistentes à regra e muitas vezes acabam sendo orientados e advertidos pela utilização indevida, inclusive por estarem atendendo os pais e responsáveis que mandam mensagens e ligam em horário de aula.
“Embora este assunto é polêmico, se tratado de maneira clara e objetiva a ponto de ouvir todas as partes, entender a necessidade de cada um, conhecer a legislação e suas implicações e fazer combinados a partir do envolvimento de toda comunidade escolar, assim como pais e responsáveis, acredito que o entendimento da utilização ou não em certos momentos na escola se torna mais fácil”, finalizou a diretora do Gilberto Giraldi.

“Sou a favor da proibição”
Num texto suscinto, a diretora Fabiana Bonini da Cruz e Souza, da Escola Alexandre Fleming se posicionou a favor da proibição do uso do celular na escola, argumentando que sem o celular o aluno fica mais concentrado nas aulas.
Adiantou que na Escola Estadual Alexandre Fleming, os alunos só usam os celulares para atividades pedagógicas e nos intervalos. “Eles têm que respeitar as aulas e as explicações dos professores sem celular”, afirmou, informando que para o próximo ano a escola pretende comprar caixas de madeira onde os celulares ficarão guardados e os alunos não poderão ficar com o celular o dia todo para respeitar a nova lei.

Se sancionada, lei entrará em vigor no ano que vem
Caso seja sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas nos próximos 15 dias, a lei aprovada pelos deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo nesta terça-feira (12), que proíbe os celulares nas escolas públicas e privadas paulistas em toda a educação básica, para todas as idades, entrará em vigor a partir de janeiro de 2025.
Caso seja sancionada e as apostas são de que o governador é a favor do projeto, o governo terá que regulamentar a lei, principalmente no item que prevê que os alunos guardem o aparelho assim que entrarem na escola. Além dos celulares, a lei proíbe o uso de outros dispositivos eletrônicos pelos alunos nas unidades escolares da rede pública e privada de ensino, em todo o estado de São Paulo.
O uso de celular está sendo proibido, porque nos últimos anos, diversas pesquisas, apontam um grande prejuízo das telas para crianças e adolescentes, principalmente com danos na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças e adolescentes, sendo o celular o maior causador. Pela nova lei, os celulares e demais aparelhos não poderão ser usados no período de permanência dos alunos na escola, incluindo intervalos entre aulas, recreios e eventuais atividades extracurriculares.
Além dos celulares, estariam proibidos o uso de qualquer dispositivo eletrônico que tenha acesso à internet, tais como: celulares, tablets, relógios inteligentes e outros similares. Com a nova lei, as instituições de ensino, públicas e privadas deverão criar canais acessíveis para a comunicação entre pais, responsáveis e a instituição de ensino, sem que o aluno precise usar o celular em sala de aula.
No caso de alunos com deficiência, que requerem auxílios tecnológicos específicos, a lei deverá consentir que o celular seja usado.

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