A sessão esquentou para valer com o requerimento nº 33/2025, que tratava sobre os valores de locações pagos pelo Executivo. De autoria dos vereadores Gustavo e Felipe, o requerimento foi rejeitado pelos vereadores presentes, com voto favorável apenas dos dois vereadores e da vereadora Vanessa.
O requerimento questionava qual valor que o Executivo gastou com locação de som, palco, tendas, cadeiras, mesas e banheiros químicos para eventos neste ano e nos últimos cinco anos, solicitando a resposta por mês e evento e os dados dos contratantes. Foi perguntado se é feita licitação para a contratação de empresa para os serviços e, em caso positivo, foram solicitados os pareceres jurídicos.
O requerimento ainda questionou como é feita a pesquisa de preços, qual setor solicita os serviços e se as contratações foram analisadas pelo controle interno da prefeitura. No próprio documento, a justificativa era de que os vereadores estavam buscando soluções para otimizar o gasto do dinheiro público, possibilitando que o orçamento tenha valores disponíveis para pagar o Piso Nacional do Magistério, o Piso Nacional da Enfermagem e também para que seja possibilitado um reajuste digno para os servidores públicos municipais.
Na discussão do requerimento, Gustavo comentou que o intuito seria saber quais são as possibilidades de economia em relação a essas despesas para que outras demandas sejam priorizadas, citando também o reembolso dos estudantes. Paulinho pontuou que na gestão passada, ele e o ex-vereador Celso Itaroti fizeram requerimentos sobre a prestação de contas de festas e que as respostas podem ser verificadas pelos edis e também pela população.
Felipe fez uso da palavra e disse que também faz esses requerimentos desde o seu primeiro mandato, em 2013, e que o objetivo é gerar economia a longo prazo, pois a prefeitura poderia adquirir o item, ao invés de alugar. Ratinho, que possui empresa no setor de locação de equipamentos e infraestrutura para eventos, se manifestou e disse que sua vida e a vida de sua empresa foram reviradas por um ex-vereador, que fez até denúncia no Ministério Público. Disse que, ao invés de parar diversas pessoas e até setores da prefeitura para fazer todo esse levantamento, os vereadores podem acessar o Portal da Transparência para pegar todos os dados e que, por isso, votaria contra ao requerimento.
Discussão, troca de farpas e insinuações
O vereador Ratinho pontuou que os vereadores alegam ser contra o reajuste do IPTU, mas querem um aumento para o funcionário público. Disse que não entendeu e pediu uma explicação, comentando que algumas coisas não encaixam. Gustavo voltou a repetir o que disse na última sessão, de que o seu mandato não depende de Ratinho e que não foi eleito por ele e, sim, por 770 moradores que confiaram nele para legislar. Disse que não vai admitir e que não é Ratinho que irá regular a forma com que ele trabalha. Comentou que Ratinho pode votar contra e que está cumprindo a sua função de fiscalizar, como foi eleito para fazer.
Felipe pontuou que foi eleito, democraticamente, pelo povo e não por outro vereador, e que a maior função do vereador hoje é fiscalizar. Disse que Ratinho fez comparações aleatórias, afirmando que é contra o aumento do IPTU, mas que é a favor do aumento no salário e também no vale alimentação dos funcionários públicos, que trabalham e merecem esse aumento, além do aumento do vale alimentação. Disse que uma coisa é diferente da outra e que o companheiro está se confundindo, mas que basta esperar chegar o carnê do IPTU na casa dos moradores para ver se houve aumento ou não. Felipe ainda comentou que a prefeitura consegue pagar, sim, o aumento do funcionário, desde que faça um planejamento correto e queira fazer de verdade.
“Quem não deve, não teme”
Um pouco mais alterado e direcionando para os vargengrandenses, Ratinho fez algumas insinuações. “Quero dizer a vocês, munícipes, que eles não fazem isso por amar vocês, é que o dono do mandato deles tem mais de 200 imóveis na cidade e eles têm que ficar brigando aqui pelo reajuste. Se juntar os três donos dos mandatos deles, dá mais de 200 imóveis na cidade. Acorda, pois não são bonzinhos assim não”, disse. Também alterado, Felipe pede que se Ratinho tiver coragem, cite o nome de quem está falando. Aponta que Ratinho só está votando contra o requerimento, porque diz respeito a ele e sua empresa. “Se não tem nada errado, vote. Quem não deve, não teme”, desafiou. Ratinho, por sua vez, responde que basta o vereador olhar no Portal da Transparência e ironiza que isso é mais difícil, pois teria que trabalhar. “Não dá tempo de ficar aqui na Câmara durante o dia tomando café, vai lá no Portal e procure”, comentou.
Felipe respondeu que está fiscalizando e que se Ratinho acha que está fiscalizando, que pode fazer da sua maneira. “Acho que Ratinho está equivocado, requerimento é pra pedir informação, acho que ele está por fora”, falou. Continuou dizendo que, muito mais do que informação, quer que tudo seja investigado, pois não tem rabo preso com ninguém. Gustavo fez uso da palavra e ressaltou que ninguém está discutindo questão pessoal e que se Ratinho quer levar para esse lado, pode. Questiona qual o receio do vereador pelas respostas, uma vez que o requerimento apontava sobre diversos itens, não apenas tendas, produto de sua empresa.
Maicon pediu aos vereadores que quando um companheiro estiver falando, por questão regimental e também de educação, que aguarde terminar a fala para não virar discussão.
“Usam da Malícia”
Fernando disse que seria contra o requerimento porque vários outros requerimentos sobre o assunto já passaram pela Câmara Municipal por vários vereadores e que tudo está no Portal da Transparência. Disse que tudo que chegar na Casa de Leis, que ele achar que vai atrapalhar o andamento da prefeitura, ele votará contra. Nas entrelinhas, insinuou que há vereadores que usam da malícia que têm e que muitos vereadores são espertos demais e usam a internet para prejudicar os outros vereadores, citando o vídeo que Felipe e Gustavo publicaram dizendo que eram contra o aumento do IPTU, alegando que ficou subentendido que os demais vereadores seriam a favor desse aumento.
Felipe disse que dessa vez o reajuste do IPTU foi feito pelo prefeito por decreto e que em nenhum momento do vídeo diz que alguém seria a favor. Comentou que quis se manifestar contra esses aumentos, lembrando que em 2017 era vereador junto com Fernando e votou contra o aumento do IPTU, que no ano subiu 30%. Disse que esses aumentos estão acontecendo todos os anos e que tem o direito de se manifestar sobre qualquer assunto em suas redes sociais. Disse que está na Casa de Leis para fiscalizar e que não quer que tenha esses aumentos e que sua forma de trabalhar é falar com a população e defender o povo.
Fantoches
Fernando comentou que Felipe foi vereador de 2017 e 2020 e que poderia ter ajudado a população nesses anos, mas não fez nada. Comentou que para ele tem vereadores que parecem bonecos de fantoche, que querem beneficiar rico pagando pouco e pobre pagando muito. O vereador Rafael Coracini Mendes (MDB) comentou sobre a Justiça Tributária, onde uma comissão que avalia o valor e que por isso no Centro o IPTU é mais caro que outros bairros. Disse que em alguns bairros, moradores de uma rua pagam R$ 100,00, por exemplo, e de outra R$ 20,00, e que não subiu o valor de quem paga R$ 100,00, apenas igualou, porque não é justo o valor ser diferente no mesmo bairro.
Felipe comentou que o prefeito não é obrigado a dar aumento, que pode congelar o aumento do IPTU, até mesmo da inflação. Respondendo ao vereador Fernando, Felipe disse que durante os quatro anos que ele citou, ele trouxe muito recurso para a cidade e que, em 2017, quando votou contra o aumento do IPTU, o vereador Fernando votou a favor. Felipe disse que os vereadores estão querendo mandar, quando na verdade cada um deve legislar da forma que quiser. Fernando fez uso da palavra e disse que em 2017 votou a favor do aumento, sim, pois houve um aumento da planta genérica, o que fez com que a cidade crescesse e se desenvolvesse. Comentou que alguns vereadores gostam de cobrar, mas na hora de tomar decisões que realmente devem ser tomadas, se acovardam e não fazem o que deve ser feito.
Ratinho disse que quando foi eleito democraticamente, fez uma desincompatibilização, cancelando o contrato da licitação que ganhou honestamente, com preço justo, e que poderia seguir até o mês de julho, mas quis evitar problemas, mesmo tendo ganhado antes de ser eleito. Disse que não vai aceitar que a Câmara vire palanque e que toda vez vai discutir. Vanessa fez uso da palavra e comentou que Fernando menciona sobre congelar o IPTU, mas que as cidades que o fizeram, quando voltaram a cobrar, tiveram um boom muito grande no orçamento. Ressaltou que através do IPTU, diversas receitas são pagas, como na saúde, e que é preciso pesquisar uma forma de fazer isso sem prejudicar o munícipe em 5 ou 10 anos. Pontuou que Felipe pode sugerir ao Executivo, por meio de indicação, que faça o congelamento, para que o assunto seja estudado.
“O Senhor está me Ameaçando?”
Em seguida, o requerimento foi colocado em votação e rejeitado pelos vereadores, com votos favoráveis apenas de Felipe e Gustavo, autores do documento, e Vanessa. O vereador Serginho não estava presente na sessão. Após a votação, muitos vereadores falaram fora dos microfones, então o teor não foi captado pelos ouvintes, como Gustavo e também João Batista Cassimiro, o Parafuso (PSD).
A próxima fala que é possível ouvir é de Fernando, que alfinetou o vereador Gustavo. “É o que o senhor sabe fazer. Desde novinho só sabendo fazer o que é mau. Faz o que é bom, usa a inteligência do senhor pra ajudar a população. Porque pode ter certeza, quem planta, colhe. Fica esperto”, disse. Felipe questionou o que tem de mau em fazer um requerimento e Gustavo questionou o vereador Fernando pelo o que ele disse. “Fica esperto? O senhor está me ameaçando? Fala de novo no microfone o que o senhor falou. Fica esperto com o quê? Eu espero que o senhor não esteja me ameaçando”, disse.
Com os ânimos exaltados, os vereadores entraram em um bate-boca e a transmissão da sessão foi interrompida pelo presidente Maicon para que a ordem fosse re-instaurada. Após cerca de dois minutos, as imagens retornaram e Maicon informou que o intervalo foi solicitado para que os vereadores pudessem se acalmar. “Peço desculpas para nossa população por ter feito esse intervalo pra podermos acalmar os ânimos aqui, porque a população merece assistir uma boa sessão, discussões de projetos e requerimentos e não discussão pessoal”, ressaltou.
Mais farpas
Os vereadores retomaram o assunto na palavra livre e trocaram mais farpas. Gustavo disse que respeita os vereadores e que estava muito triste por ter passado por uma situação como essa. Durante a explicação pessoal, novamente os dois trocaram farpas no plenário. Gustavo Bueno disse ter respeito a todos os vereadores e que foi uma tristeza passar por essa situação, alegando que sofreu uma ameaça, mesmo que de forma velada.
Em seguida, foi a vez de Fernando ocupar a tribuna, alegando que Gustavo estava se fazendo de vítima. “O vereador Gustavo disse que foi ameaçado. Ô vereador, para de dar uma de coitadinho, o senhor entendeu muito bem o recado que eu quis dizer pra você. Porque já tinha acabado a discussão do requerimento e, com toda maldade que o senhor tem, o senhor disse ‘vamos para a internet’. Aí eu quis dizer pro senhor que ‘quem planta, colhe’, é quando a pessoa tem consciência que vai prejudicar outra e, mesmo sabendo que vai prejudicar, ela vai e faz a maldade. E é o que acontece com o senhor”, disse.
“Muitos, olhando para o senhor, olham essa carinha de anjo, eles não sabem o tanto que o senhor é uma pessoa maldosa. Quer conhecer quem é quem, dá poder. E o senhor é um, que em pouco tempo que o senhor tá aqui, 40 dias de mandato, eu já tô conhecendo quem o senhor é. O senhor é vestido de ovelha, mas por traz é lobo. É perigosíssimo e a população tem que saber disso porque até hoje, as poucas coisas que o senhor apresentou aqui, são para prejudicar a população vargengrandense”, completou.
Gustavo respondeu que todas as suas proposituras, requerimentos, indicações, projetos de lei, surgem do interesse público, de pessoas que o procuram e alegam as suas necessidades. “Sou muito tranquilo com relação aos meus atos e ao que apresento aqui, a população acompanha o meu trabalho. Talvez, o que preocupa o nobre vereador é que nunca ninguém se posicionou da forma que me posiciono. Se isso incomoda de alguma forma, realmente desconheço a razão, mas de qualquer forma estou aqui e continuo firme e forte para representar os interesses da população”, pontuou.
Finalizando o embate, Fernando disparou novamente: “Ganha quatro mandatos e depois você conversa comigo. Prova que o senhor é um bom vereador, ganha quatro mandatos como eu ganhei, vamos ver”, finalizou.












