O pedreiro que conseguiu um bom patrimônio com a profissão

Vignaldo Aparecido da Silva, 48 anos, é pedreiro há 18 anos

A profissão de pedreiro está entre as que são muito procuradas na cidade e que há pouca oferta desta mão de obra. Uma das causas seria que os jovens de hoje estariam optando por qualificações menos braçais e mais escolarizadas, o que pode estar levando a um verdadeiro apagão de mão de obra no setor.
Vignaldo Aparecido da Silva, 48 anos, é pedreiro há 18 anos e aceitou contar um pouco de sua experiência ao jornal. O jornal o contatou na construção que estava erguendo, no bairro Jd. Cristina II, onde assentava tijolos.
Natural de Vargem Grande do Sul, morador do Jd. Iracema, é pai de Felipe Dutra da Silva, 24 anos, também pedreiro que aprendeu a profissão com o pai e o ajudava na construção. Vignaldo já construiu muitos imóveis em Vargem e na região, onde trabalhou também nas cidades de São João da Boa Vista e Águas da Prata.
Começou a vida trabalhando na roça até os 20 anos, depois veio para a cidade onde iniciou a trabalhar como servente de pedreiro e tomou gosto pela construção civil e se tornou pedreiro. “Durante uns seis anos fiquei como servente e fui aprendendo como assentar um tijolo, fazer chapisco, rebocar”, contou.
Nas suas lembranças, veio a pessoa do sr. José Divino, hoje falecido, que lhe ensinou a lida de pedreiro durante o tempo que trabalhava como servente, a quem agradece até hoje pela oportunidade que teve em aprender a profissão.
Na época, a dificuldade maior era no acabamento. “Não tinha tantas ferramentas como temos hoje. Não havia uma máquina profissional de cortar piso, era tudo feito na turquesa, um serviço mais pesado e que demorava mais tempo”, recordou.
Atualmente, Vignaldo toca uma obra de 160m2, de um pavimento, no Jd. Cristina II, que começou a construir em janeiro deste ano, trabalhando com seu filho e mais um servente. A previsão é que a obra fique pronta em outubro deste ano.
Nela, o pedreiro vai fazer de tudo, desde o alicerce, a parte de alvenaria, depois o chapisco, o reboco, vai cobrir e também irá fazer a parte de carpintaria, a hidráulica e a parte elétrica. O contrato é para dar a casa pronta e ele só vai contratar o pintor para realizar o serviço. O restante, ele e sua equipe é que são encarregados de realizar.
Tantos anos na profissão, com muito tino comercial também, Vignaldo tornou-se empreiteiro e está com uma equipe sob sua supervisão construindo uma outra obra no Jd. Cardoso. A construção tem 380m2, onde trabalham mais três profissionais, sendo dois pedreiros e um servente. A casa deve ficar pronta no ano que vem.
“Para mim, ser pedreiro é ótimo, não tem profissão melhor”, afirmou. Com apenas o quarto ano do ensino fundamental, seu esforço e dedicação abriu uma grande porta de realizações não só profissional como também pessoal.
“Quando morava na roça não tinha nada, com a profissão de pedreiro consegui construir minha casa, tenho mais três imóveis alugados, um carro para trabalhar e um de passeio”, comenta ao falar das conquistas que a profissão lhe deu.
Sobre os rendimentos da profissão, afirmou que hoje um pedreiro de bom nível, ganha em torno de R$ 4.800,00 por mês, que no caso pode trabalhar como Micro Empreendedor Individual-MEI. Citou que a média diária do profissional está por volta de R$ 200,00 e que a procura por estes profissionais é alta na cidade.
“É uma ótima profissão para quem quer trabalhar. Considerada pesada, pois assenta tijolos o dia todo, um saco de cimento pesa 50kg, uma lata de massa cerca de 20kg, então, trabalhamos com peso o dia todo, mas, sabendo trabalhar, é tranquilo”, afirmou Vignaldo.
O conselho que ele dá para quem está iniciando na profissão de pedreiro é focar no serviço, ter vontade de aprender e que apesar de ser tida como uma profissão pesada, se bem exercida traz muitas recompensas.
Hoje tem muitas escolas que ensinam a profissão de pedreiro, como o Senai, além de se encontrar muitos cursos na internet. “Mas a pessoa tem de encarar de frente o desafio de aprender. Na minha época não tinha nada disso, era na raça. Tive a oportunidade de ter tido um bom professor, mas hoje também os pedreiros procuram passar o que sabem para quem tem vontade de aprender”, explicou Vignaldo, citando como exemplo seu filho.
Pelas suas mãos, também já passaram muitos aprendizes, que começaram como serventes e com o tempo foram aprendendo como assentar tijolos e realizarem outros serviços que tornam a profissão muito valorizada nos tempos atuais. Vignaldo Aparecido da Silva sente orgulho da sua profissão e do que ela proporcionou de bom na sua vida.

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