Editorial: O limite do endividamento municipal

Obra estava prevista para ser concluída no final do ano passado

Recentemente em um editorial da Gazeta de Vargem Grande intitulado “Quando se endividar é necessário”, publicado na edição do dia 12 de abril, foi abordado o tema sobre empréstimos feito pelo então prefeito Amarildo Duzi Moraes (MDB) para o setor de água e esgoto, visando a troca dos encanamentos antigos do Centro da cidade e outros bairros, como também os investimentos feitos pelo SAE na construção de novos reservatórios e redes adutoras de água. No editorial foi falado da necessidade que pequenos municípios como Vargem, às vezes precisam lançar mão do endividamento para poder realizar algumas obras necessárias à população. A matéria versou sobre o empréstimo no valor de R$ 17 milhões que o prefeito fez na ocasião, em 2023, sendo aprovado pela Câmara Municipal e que foi dividido em 96 parcelas a serem pagas, com dois anos de carência. O editorial chamou a atenção dos leitores do jornal que pediram mais informações e após o jornal enviar várias perguntas à atual administração referente aos empréstimos contraídos, as mesmas foram respondidas, conforme matéria que está publicada na página 3, desta edição. De acordo com as informações, o valor total do empréstimo é de R$ 55,4 milhões, uma soma considerável, bem acima dos R$ 17 milhões até então ditos no Editorial. Dinheiro este que em parte já foi pago, mas que ainda restam muitos anos pela frente para serem liquidados, inclusive tomando os 4 anos da atual gestão, com prestações mensais que chegarão em breve a R$ 1.400.000,00. Ainda se faz jus, a afirmação do Editorial passado no tocante à importância do poder público realizar empréstimos para que obras essenciais sejam feitas e entregues aos munícipes para que estes possam usufruir dos benefícios, enquanto eles são quitados. O que deve os administradores municipais, no caso prefeito e vereadores, é ficarem atentos para o poder de endividamento do município de Vargem Grande do Sul, frente à sua capacidade de pagamento, para não comprometer operações financeiras inadiáveis, como por exemplo, o pagamento dos salários dos servidores públicos municipais, o depósito das suas obrigações institucionais, como o repasse para o Fupreben, o pagamento às empresas fornecedoras, dentre outros. É passível de questionamento, como fizeram alguns leitores, se havia ou não necessidade de financiar um montante tão alto, para realizar obras como o asfaltamento de muitas ruas da cidade ao mesmo tempo, como foi feito. Será que poderia a prefeitura municipal ir asfaltando mais lentamente, de acordo com sua capacidade de pagamento? Essa é uma pergunta que merece reflexão dos políticos que atualmente gerem a cidade e que poderia ser levantado no caso de novos empréstimos a serem levados à aprovação dos atuais vereadores. Para que os leitores possam aquilatar os efeitos dos empréstimos contraídos, que estão sendo canalizados para obras importantes da cidade, como a troca dos encanamentos antigos do Centro e de outros bairros, o atual prefeito teve de pisar firme no freio dos gastos para equilibrar as contas orçamentárias, e adiar alguns projetos e ações, para que a prefeitura municipal possa cumprir com suas muitas obrigações financeiras, até que encontre equilíbrio entre o dinheiro que arrecada e as contas a pagar, inclusive as prestações dos empréstimos contraídos.

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