A importância das creches e das redes de apoio para as mães

Laura com os filhos Maria Luyza, Manuella e João Miguel

As creches e as redes de apoio desempenham um papel crucial na vida de milhares de mães brasileiras, sobretudo na conciliação entre a maternidade e o trabalho. Com o avanço das discussões sobre equidade de gênero, políticas públicas e desenvolvimento infantil, cresce também a consciência sobre a importância de garantir o acesso a estruturas que possibilitem o cuidado compartilhado e seguro das crianças.


Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2022, do IBGE, apenas 37,5% das crianças de 0 a 3 anos estavam matriculadas em creches no Brasil. O número está longe da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que previa, até 2024, a oferta de educação infantil em creches para pelo menos 50% das crianças nessa faixa etária.


Para muitas mães, especialmente as de baixa renda, a ausência de vagas em creches públicas representa um obstáculo significativo à inserção no mercado de trabalho. De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), publicado em 2023, mulheres com filhos pequenos têm participação 24% menor no mercado de trabalho em comparação a mulheres sem filhos. A presença de uma rede de apoio, seja por meio de familiares, amigos ou serviços públicos, é apontada como um fator decisivo para a permanência ou o retorno das mães às suas atividades profissionais.


A falta de acesso à educação infantil não afeta apenas as mães. Crianças que frequentam creches de qualidade apresentam, segundo o relatório da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, melhores desempenhos cognitivos, sociais e emocionais ao longo da vida escolar. Os efeitos são ainda mais significativos entre crianças de famílias em situação de vulnerabilidade.


Nos últimos anos, diversas iniciativas têm buscado ampliar o acesso à educação infantil, tanto na esfera municipal quanto federal. O programa “Creche para Todos”, lançado em 2023 pelo Governo Federal, tem como meta a criação de 150 mil novas vagas até 2026, priorizando regiões com maior déficit. No entanto, especialistas afirmam que o número ainda é insuficiente frente à demanda reprimida.


Além das creches, as redes de apoio informais, como avós, vizinhos e redes comunitárias, continuam sendo essenciais, especialmente em contextos de escassez de políticas públicas. Ainda assim, pesquisadores alertam que essa sobrecarga, muitas vezes, recai sobre outras mulheres da família, perpetuando desigualdades de gênero.


A ampliação do debate sobre o cuidado coletivo, a valorização do trabalho doméstico não remunerado e o fortalecimento de políticas públicas integradas são apontados por estudiosos como caminhos fundamentais para garantir não só os direitos das crianças, mas também a autonomia das mulheres.


Enquanto isso, mães em todo o país seguem equilibrando a rotina de cuidados com a luta por oportunidades e apoio. O futuro de uma sociedade mais justa passa, necessariamente, por políticas que reconheçam e apoiem esse desafio diário.

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