Antes de ser mãe, aprendo sobre o amor

Rafaela Caio

Desde que recebi o convite para contribuir com um texto para esta edição especial da Gazeta de Vargem Grande — jornal no qual atuei por vários anos como repórter —, passei dias pensando no que escrever. Como abordar um tema tão vasto e delicado quanto a maternidade?
Revirei memórias. Olhei para dentro e para fora com espírito crítico. Observei as mães ao meu redor — suas rotinas silenciosas, suas preocupações empilhadas nos ombros e, entre uma tarefa e outra, pequenas alegrias quase escondidas. Ainda assim, hesitei em encontrar um tema com o qual me sentisse plenamente à vontade.
Afinal, não sou mãe. E é aí que reside o maior desafio desta crônica.
Mas, ao tentar traduzir a maternidade em palavras, descobri que talvez ela comece muito antes do nascimento de um filho. Começa no sonho. No desejo sutil que cresce no coração como uma semente teimosa, mesmo sem solo fértil.


Vi mulheres adiando planos, priorizando a construção de suas próprias histórias antes de começarem a escrever outras. Vi também aquelas que, sem esperar por companhia ou por uma chancela do mundo, decidiram ser mães de si mesmas — e de seus filhos — pelos caminhos da adoção, da produção independente, da medicina e da coragem. Vi, ainda, aquelas que tecem vínculos de amor e ternura por crianças que não geraram, mas amam com uma intensidade indistinguível da biológica.


Com todas essas mulheres aprendi: a maternidade é menos sobre relógios biológicos e muito mais sobre bravura. A coragem de querer. De esperar. De não desistir. De perdoar. De ensinar e, acima de tudo, de aprender. A coragem de mergulhar em si mesma e, ainda assim, acreditar que há amor bastante e que ele se multiplica no encontro com o outro.
Antes de qualquer bebê no colo, é no coração que a maternidade começa: no abraço que damos a nós mesmas, na fé em dias que ainda não chegaram, na construção lenta de um sonho que se recusa a ser adiado para sempre.
Enquanto escrevo estas linhas, compreendo: ser mãe vai além de gerar. É, sobretudo, gestar um amor.
Um amor que recebo da minha mãe todos os dias e que já aprendi a cultivar!

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