Cerca de 90 pacientes recebem acompanhamento gratuito da saúde municipal. Duas pessoas morreram por terem abandonado o tratamento
A cidade de Vargem Grande do Sul conta atualmente com 90 pacientes diagnosticados com HIV, todos acompanhados pela Vigilância Epidemiológica do município. A informação foi confirmada pela assessora de saúde, Alessandra Lodi, que esteve à frente do departamento por mais de 30 anos. Segundo ela, os casos são de pessoas com idades entre 18 e 75 anos. Não há, até o momento, adolescentes infectados registrados na cidade.
A entrada dos pacientes no sistema de saúde ocorre após a sorologia positiva para o HIV, geralmente detectada em exames de rotina ou testes específicos. “A partir do diagnóstico, o paciente é admitido pela Vigilância Epidemiológica, passa por atendimento com infectologista e tem exames específicos coletados. O tratamento é iniciado conforme as necessidades de cada caso”, explica Alessandra.
O HIV ainda não tem cura, mas com os tratamentos atuais, como a terapia antirretroviral altamente ativa (HAART), oferecida gratuitamente pelo governo, quando feito adequadamente, é possível reduzir a carga viral até níveis não identificáveis. Porém, esse tratamento não é capaz de eliminar o vírus e nem curar a infecção, daí a necessidade de não se interromper o tratamento.
Em Vargem, gestantes realizam o exame por três vezes durante a gestação, quando se descobre a doença o acompanhamento é diferenciado para que não haja o risco de contaminação no bebê. “Tivemos um caso de gestante que descobriu a doença durante o pré-natal, tudo correu muito bem, hoje seus filhos são saudáveis e não se contaminaram”.
O tratamento, segundo a assessora, é totalmente gratuito e adaptado ao quadro clínico de cada paciente. A medicação antirretroviral permite que a carga viral fique indetectável, o que significa que a pessoa não transmite o vírus e pode levar uma vida normal.
Apesar disso, nem todos aceitam o tratamento de imediato. Para esses casos, a cidade conta com uma equipe multidisciplinar, incluindo enfermeira, auxiliar de enfermagem, infectologista e psicólogo. “Nosso objetivo é oferecer suporte integral para que o paciente compreenda a importância de aderir à medicação”, ressalta.
Durante a entrevista, Alessandra também destacou a diferença entre o vírus HIV e a AIDS. O HIV é o vírus, enquanto a AIDS é a síndrome que pode se desenvolver quando a infecção não é tratada, enfraquecendo o sistema imunológico e tornando a pessoa vulnerável às doenças oportunistas
Somente neste ano, três mortes relacionadas ao HIV/AIDS foram registradas em Vargem Grande do Sul. De acordo com Alessandra, um deles estava fazendo tratamento e faleceu por conta de outra doença pré-existente, já os outros dois casos são de pessoas que abandonaram o tratamento, o que levou a morte. Novos casos são diagnosticados anualmente, o que reforça a necessidade contínua de campanhas de conscientização e testagem.
A Vigilância Sanitária lembra que, além do tratamento, a prevenção ainda é o melhor caminho. O município disponibiliza preservativos gratuitamente nas unidades de saúde e realiza ações regulares de testagem e orientação.
Como prevenir o HIV
As principais formas de prevenir a infecção pelo HIV são: Usar camisinha masculina ou feminina corretamente, sempre que tiver relações sexuais, vaginais, anais ou orais; não compartilhar agulhas, seringas ou objetos pessoais, como lâmina de barbear ou alicate de unha; fazer o tratamento com antirretrovirais seguros para usar na gravidez, para evitar a transmissão para o bebê.









