Agricultores devem ficar atentos as mudanças climáticas

As mudanças climáticas deixaram de ser um tema distante para o agricultor. Na região de Vargem Grande do Sul, como em todo o interior paulista, os impactos no campo já são sentidos com mais intensidade: chuvas irregulares, geadas fora de época, verões cada vez mais secos e calor excessivo. Diante desse novo cenário, produtores rurais estão sendo desafiados a se reinventar.
A publicação “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira, realizada pela Embrapa, pondera que ainda não há um modelo capaz de simular precisamente o impacto da emissão de gases do efeito estufa que mudam gradualmente o clima do planeta e vêm sendo estudados com maior atenção desde a década de 1950, mas todos os cenários analisados projetam aquecimento para o Continente Sul Americano. Os máximos previstos de aquecimento se localizam na região Centro-Oeste, em todas as estações do ano, e se estendem para as regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país até o final do século 21. Esses máximos de aquecimento médio no final do século podem variar entre 2°C e 8°C em algumas áreas.
Muitos produtores já estão sentindo esses efeitos em suas lavouras e buscando se adaptar para enfrentar a crise climática, com tecnologia, planejamento e práticas sustentáveis. O agricultor precisa estar mais atento aos sinais do tempo, dominar o calendário agrícola e usar informações climáticas como aliadas. Hoje em dia, quem planta sem acompanhar o clima corre um risco muito maior. O agricultor precisa olhar com mais atenção os boletins meteorológicos, usar estação própria e adaptar o manejo conforme as previsões, para se sair melhor.

Água como prioridade
A cartilha Uso Racional da Água na Agricultura, elaborada pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI/SAA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo, mostrava como uma boa gestão do recurso hídrico é fundamental para o enfrentamento da crise climática.
Novas soluções tecnológicas para captação da água da chuva, reuso, redução da evaporação, aprimoramento de sistemas de irrigação para aumentar a eficiência e otimizar o uso da água, como o uso de tensiômetros, a adoção do balanço hídrico, a implantação de irrigação noturna, devem ser cada vez mais explorados por pequenos agricultores, como os que produzem em Vargem e região.
De acordo com a publicação da Cati, é preciso investir em irrigação mais eficiente, como a de gotejamento, que possui eficiência de aplicação entre 90% a 95%. A irrigação por aspersão com pivô central, uma das mais comuns na cidade e região, apresenta percentual de eficiência que varia de 65% a 80%.

Soluções no manejo e nas variedades
Outras técnicas mencionadas na cartilha da Cati, como o terraceamento, a rotação e sucessão de culturas, o plantio direto na palha (PDP) e os sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta (ILPF) não só são difundidos, mas incentivados junto aos produtores rurais aumentando ganho e eficiência no uso dos recursos naturais, conforme o informado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
Esses sistemas, que combinam árvores com cultivos ou pastagens, além de sequestrar carbono, melhoram significativamente o microclima com a sombra proporcionada pelas árvores, que reduz a temperatura ambiente e aumenta o conforto animal, resultando em ganhos de produtividade, conforme explicou Maurício Cherubin, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP de Piracicaba, em reportagem publicada no final de junho no Jornal da USP.
O uso de sementes adaptadas às novas condições climáticas é uma outra ferramenta que tem sido defendida por agências governamentais no enfrentamento do aquecimento global. Mas, de acordo com o documento Estratégias de adaptação às mudanças do clima dos sistemas agropecuários brasileiros, elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 2021, é preciso avançar mais para aumentar a resiliência dos sistemas de produção e garantir a sustentabilidade da agropecuária brasileira.

A solução passa pelo agronegócio
Em seu artigo, o professor Cherubin observa que apesar de ser o segundo setor que mais emite gases de efeito estufa no Brasil (sendo 28% do total), a agricultura tem potencial para se tornar uma das principais soluções no enfrentamento da crise climática. Ele explica que o setor pode atuar em duas frentes: reduzindo emissões por meio de técnicas como manejo sustentável do solo, otimização de fertilizantes nitrogenados e adoção de aditivos na alimentação de bovinos (que diminuem a liberação de metano) e ampliando o sequestro de carbono por meio de sistemas integrados, além da recuperação de pastagens degradadas.

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