A importância da religiosidade na Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana

Padre Paulo em momento de fé e devoção durante a Romaria. Fotos: Arquivo Gazeta

“É preciso ter fé. Se não houver uma ligação religiosa muito grande, a romaria não tem sentido. O espírito é receber a benção e aproveitar para fazer uma grande festa”, disse o fundador da Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana, prefeito Huber Braz Cossi em uma entrevista dada ao jornal Gazeta de Vargem Grande em 24 de julho de 1994.
De fato, o que diferencia a Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana de uma simples cavalgada, é seu caráter religioso, presente desde a sua primeira edição, quando seus criadores a idealizaram pensando em fazer uma homenagem à Padroeira de Vargem Grande do Sul, a Senhora Sant’Ana.

Com monsenhor Celestino, aconteceu a primeira Romaria

O pioneirismo de Monsenhor Celestino
Muitas lideranças religiosas já passaram e deram sua força e demonstração de fé para a romaria se tornar este grande evento. O pioneiro monsenhor Celestino C. Garcia, líder espiritual da comunidade católica vargengrandense nos distantes idos de 1975 quando a Romaria foi criada, foi o baluarte para que ela prosperasse e se fortalecesse até os dias atuais, quase 50 anos após a primeira procissão de cavaleiros do município.
Nomeado vigário em Vargem em 5 de maio de 1946, por quase 40 anos liderou a comunidade católica em Vargem Grande do Sul, tendo como sua principal obra a construção da nova Igreja Matriz de Sant’Ana, onde foi enterrado após seu falecimento em 4 de julho de 1984. Desde a primeira Romaria criada em 1975, a ele coube fortalecê-la ainda nos primeiros anos, para que a bela iniciativa frutificasse até os dias atuais.

Monsenhores David e Décio fizeram parte dessa história de fé

Presenças marcantes dos Monsenhores David e Décio Ravagnani
A presença de monsenhor Antônio David, vigário da Catedral de São João da Boa Vista, que se tornou inesquecível pela população vargengrandense proferindo com o megafone na mão, as palavras que até hoje ecoam em muitas mentes que a ouviram: “Não são cem, não são duzentos, são milhares de cavaleiros”.
A ele coube realizar as primeiras bençãos aos romeiros em 1975, uma vez que monsenhor Celestino C. Garcia, pároco da Igreja Matriz de Sant’Ana não estava presente. Até a IX Romaria (1983), conforme matéria publicada pelo jornal em 1994, ele foi personagem dos mais queridos e aguardados nas romarias que se realizavam todos os anos na cidade.
Sua participação sempre esteve ligada ao forte caráter religioso das primeiras romarias, que saíam do largo da capela Santo Antônio, na Vila Polar, onde monsenhor David dava benção aos cavaleiros, que seguiam em direção ao centro da cidade, chegando até ao Cruzeiro, junto à igreja de Nossa Senhora Aparecida, onde acontecia a cerimônia do “beija-fitas”.
Finda a benção, num carro de som, monsenhor David acompanhava a procissão montada cantando hinos e orações em louvor à Sant’Ana, Santo Antônio e São Sebastião, enaltecendo a fé dos romeiros.
Em 1977, quando era prefeito Homero Correa Leite, na III Romaria, monsenhor David celebrou uma das mais belas cerimônias já realizadas na Romaria, quando entronizou a imagem de Nossa Senhora de Lourdes – doada pelo então secretário da Administração do Estado, Ademar de Barros Filho, numa gruta existente no Bosque Municipal, especialmente adaptada para recebê-la.
Às vésperas da IX Romaria, em 1983, monsenhor David estava adoentado e teria dito aos companheiros que pedia a Deus por uma melhora para que pudesse reverenciar Sant’Ana na Romaria dos Cavaleiros, o que de fato aconteceu. Foi sua última participação, ele faleceu em 7 de junho de 1984.
Outro entusiasta das romarias, era monsenhor Décio Ravagnani, que sempre apoiou e deu seu testemunho de fé na realização do evento, escrevendo artigos para o jornal referentes ao acontecimento. Pároco de Sant’Ana de 1976 a 1994, por 18 anos a Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana contou com sua liderança espiritual para continuar seu trajeto até os dias atuais.

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