Evania Amélia Martins Bernardino Coracini sente na pele o que passam os animais em Vargem Grande do Sul, quando se trata de crueldade contra os mesmos. Responsável pela Associação Amigos dos Animais (AAMA) há 28 anos, ela já viu de tudo e tem uma grande experiência nesta área, sendo sempre requisitada quando acontece alguma coisa que envolve maus-tratos a animais.

Ela é crítica sobre o atual momento em que vive a Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana, que no seu entender, já não se apresenta como era antigamente. “No passado sempre prevaleceu uma maior religiosidade e mais respeito aos animais”, afirma ao comentar sobre o evento que está prestes a completar 50 anos de existência.
Aumentar muito a fiscalização quanto ao uso de som alto nas charretes e carrocinhas e ao uso exagerado de bebidas, é a receita que ela dá para que as coisas voltem a ser como era antes. Para ela, o pior acontece depois que acaba a Romaria. “Eles amarram os animais, deixando-os ao sol, com as rédeas curtas, com arreamento apertado, sem água e alimentação”, afirmou.

Também são alvos da crítica de Evania os romeiros que ficam rodando de charretes e carrocinhas pela cidade, causando exaustão aos animais, geralmente com som alto, chicoteando os cavalos. “Acontece muito, principalmente nas vilas. Judiam dos animais o dia inteiro”, afirma do alto de sua experiência na lida com a crueldade praticada por algumas pessoas.
A protetora dos animais é categórica: “Constatou os maus-tratos, tem de fazer valer a lei, que prevê inclusive cadeia e multa”, disse ela, que muitas vezes se vê cansada de tanto presenciar o que acontece de ruim a criaturas muitas vezes indefesas que pagam um alto preço pela falta de respeito e consciência de pessoas irresponsáveis.

“Nestes anos todos de Romaria já presenciei vários casos de espancamento de animais, de cavalos presos até altas horas da noite ou animais circulando em carroças sem a mínima condição”, assegurou Evania. Ela afirmou que qualquer cidadão que presenciar algo assim, de imediato tem de denunciar na Polícia Civil ou Militar, à Guarda Municipal ou ao departamento de Meio Ambiente da prefeitura municipal.
“Não é necessário ser uma autoridade ou uma pessoa voltada para a proteção dos animais para fazer a denúncia e prevalecer a lei, qualquer cidadão tem a obrigação de fazer isso”, afirmou.
Para ela, as autoridades policiais e também os responsáveis pela Romaria, passado o evento deveriam estar bem presentes nas vilas, tentando evitar que um mal maior aconteça. Sugere que todos os responsáveis pela segurança dos animais deveriam traçar um plano de ação após a Romaria, visando conscientizar e coibir os maus-tratos, multando e aplicando a lei, quando for necessário.












