Incêndio que tirou vida de Noah pode ter começado com um curto

Faleceu o bebê Noah Davi Ramos do Nascimento, de 1 ano e três meses que foi vítima de incêndio na manhã de quarta-feira, dia 6 de agosto.

A Polícia Técnica que apura o incêndio que tirou a vida do pequeno Noah, de apenas 1 ano e 3 meses, que aconteceu na manhã de quarta-feira, 6 de agosto e destruiu a residência onde sua família morava na Rua Hélio Beloni, no Jardim Dolores, trabalha com a hipótese de que o incêndio pode ter-se iniciado com um curto-circuito da rede elétrica.
A tragédia abalou Vargem Grande do Sul e comoveu moradores, mobilizou equipes de socorro e despertou a solidariedade da população, com repercussão em toda a região.
Segundo apurado pela reportagem da Gazeta de Vargem Grande, o incêndio teria começado por volta das 7h da manhã, no quarto onde estavam Noah e seu irmão de três anos. Além de Noah, sua mãe Ana Paula também tinha outros três filhos, que moravam na mesma casa, juntamente com a avó e um senhor que era padrasto de Ana Paula e cumpria o papel de avô dos meninos.
Na casa, dois dos meninos maiores dormiam no primeiro quarto, a mãe de Ana Paula e o seu padrasto no quarto do meio, e os dois menores dividiam com Ana Paula o último quarto da casa, onde teria iniciado o incêndio. Neste quarto, na cama, dormia Noah na hora do incêndio.

Entenda o caso
Por volta das 6h30, o padrasto de Ana Paula chegou do trabalho e foi dormir, Ana foi acordar um dos filhos para levá-lo à escola e percebeu que o mesmo estava com febre. Ana Paula então, achou melhor deixá-lo em casa e por volta das 7h ela saiu para buscar pão na padaria que fica a um quarteirão de sua casa, deixando no quarto seus dois filhos menores dormindo.
Neste momento, a criança de três anos sai do quarto onde também estava Noah e chama pela avó e tenta explicar que algo de errado estava acontecendo no quarto. Foi aí que o avô percebeu a fumaça e correu até o quarto onde o Noah estava, porém, o fogo já estava alto e ele tentou empurrar a porta, que não abriu. Acredita-se que provavelmente por conta de uma cômoda em chamas e uma tv que havia caído da parede e impedia a porta de abrir.
Vizinhos perceberam as chamas e começaram a tentar ajudar. Neste momento chega Ana Paula, ouve o choro de seu filho. Desesperada ela entra na casa e vê o quarto em chamas, que a impede de salvar a criança. Ela tenta então entrar pela janela, mas foi impedida, pois o fogo já consumia todo o quarto, impedindo a mãe de resgatar seu filho.
Vizinhos e familiares tentavam apagar o fogo de todas as formas, a Defesa Civil da cidade foi acionada e chegou ao local, e por volta das 7h30 o Corpo de Bombeiro de São João da Boa Vista também chegou e o fogo foi contido, porém, tarde demais para salvar a vida de Noah.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado imediatamente, mas, infelizmente, pouco se podia fazer pela criança, cujo corpo foi totalmente carbonizado. A Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita, e as causas do incêndio estão sendo investigadas pela Perícia Técnica.
O delegado Antônio Carlos Pereira Júnior informou que há suspeitas de que o incêndio tenha se iniciado por conta de um curto-circuito, mas ressaltou que “a perícia é quem vai apontar a causa real do incêndio”. A equipe técnica especializada do núcleo de perícia de Americana esteve no local nesta quinta-feira, dia 7 de agosto, para uma análise mais detalhada.
A Defesa Civil interditou a residência devido ao risco de desabamento, e não há previsão para que o imóvel volte a ser habitado. A princípio, a Polícia não trabalha com a hipótese de negligência por parte dos familiares.
Segundo informações da Defesa Civil, Noah ainda não sabia andar, o que dificultou sua fuga. O irmão conseguiu sair do quarto e chamar os demais, mas os esforços não foram suficientes para salvá-lo.
Diante da tragédia, o Departamento de Ação Social da Prefeitura Municipal prestou auxílio imediato à família, fornecendo colchões, alimentos e apoio para o sepultamento. O Fundo Social de Solidariedade também está separando roupas e itens essenciais para atender às necessidades da família, que perdeu praticamente tudo no incêndio.
A família já era referenciada no CRAS, e as assistentes sociais Mariana Nogues e Patrícia Maria Teodoro Ribeiro estão dando todo apoio e suporte necessário. O jornal também apurou que o departamento de Saúde vai disponibilizar atendimento psicológico já na próxima semana para a família, que está na casa de familiares. A assistente social relatou que embora eles tenham recebido muita ajuda, tudo que vier será bem-vindo.

Despedida de Noah
O velório de Noah Davi foi realizado na quarta-feira, dia 6 de agosto, no Cemitério Parque das Acácias, onde também ocorreu o sepultamento, por volta das 16h. Ele era filho de Ana Paula e Valter, e irmão de Lilikar, Otávio e Pedro.

Incêndio de curto pode se alastrar rapidamente
Segundo pesquisou o jornal, um curto-circuito pode iniciar um incêndio em um quarto de criança quando há uma combinação de falha elétrica e materiais inflamáveis por perto. O curto provoca sobrecorrente, gerando calor intenso em frações de segundo, podendo ter início com fio desencapado ou mal isolado atrás de móveis ou em tomadas.
Também tomadas sobrecarregadas com extensões e vários aparelhos ligados podem acarretar o curto-circuito, cujo calor pode atingir centenas de graus Celsius quase instantaneamente.
Esse calor pode queimar a capa plástica do fio, liberando fagulhas e se as fagulhas ou o fio aquecido tocarem materiais combustíveis como cortinas, tapetes, papel, bichos de pelúcia ou colchões, o fogo se propaga rapidamente.
A evolução da temperatura num curto-circuito é extremamente rápida. A temperatura no ponto do curto pode chegar a 2.000–3.000 °C em frações de segundo — suficiente para derreter cobre e alumínio.
Nesse ponto, já podem ocorrer faíscas incandescentes, o ar próximo ioniza, formando um arco elétrico — uma descarga visível que mantém temperaturas acima de 1.500 °C. Se houver material combustível próximo (cortina, papel, espuma de colchão, pelúcia), basta que ele atinja a temperatura de ignição (geralmente entre 250 e 400 °C para tecidos e madeira) para pegar fogo. O arco elétrico mantém calor constante, alimentando a chama inicial.
Pequenos fragmentos incandescentes podem ser projetados até 50 cm de distância, espalhando o foco. Se o circuito não for desligado, em questões de segundos o fogo já pode estar consumindo tecidos, plástico ou madeira, e nesse ponto o incêndio passa a ser autossustentável mesmo sem a presença contínua do arco elétrico.

 

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