Quem conhece o prefeito Celso Ribeiro, sabe do seu apreço pelo meio ambiente e seu gosto pelos animais, principalmente os pássaros. Quando ainda jovem e iniciante na prefeitura municipal pelas mãos do então prefeito Alfeu Rodrigues do Patrocínio, onde chegou a ocupar o cargo de chefe de Gabinete, foi por sua iniciativa que iniciou-se um pequeno zoológico na cidade.
São muitas as aventuras contadas pelo atual prefeito em sua busca pelos primeiros animais que viriam a constituir o zoológico municipal. Isso há uns 40 anos atrás. Em 1994, o prefeito José Reinaldo Martins inaugura de fato o zoológico municipal. Passados tantos anos, hoje ele é uma realidade e, sem dúvida, um gesto de apreço pela fauna, pela educação ambiental e pelo lazer da população.
Mas quando se fala de um pequeno município que pode estar investindo R$ 1 milhão por ano em sua manutenção, conforme a própria prefeitura certificou em 2022, a questão deixa de ser apenas afetiva e passa a exigir um exame profundo de prioridades e responsabilidades do município de Vargem Grande do Sul.
Esse valor, para uma cidade de orçamento limitado, é expressivo. Com ele, seria possível fortalecer o próprio departamento de Agricultura e Meio Ambiente, hoje mais do que nunca, um departamento extremamente necessário para o atual momento que o mundo vive e Vargem está inserida neste contexto de grandes desafios ambientais. Ter um departamento estruturado será uma das grandes tarefas da atual gestão e uma contribuição enorme para o futuro da cidade.
Sem falar que parte do dinheiro gasto com o zoológico poderia ser investido em programas de preservação ambiental, ampliar áreas verdes, recuperar nascentes, promover reflorestamentos e investir em ações de educação ecológica diretamente com a comunidade. A sociedade local, que paga essa conta por meio dos impostos, precisa se perguntar: o zoológico cumpre plenamente sua função ambiental? Ou se tornou um peso financeiro que atende mais à tradição do que às necessidades reais da natureza local?
Não se trata de defender o fechamento puro e simples. Um zoológico bem administrado pode ser um importante centro de preservação, pesquisa e educação. Mas essa condição exige equipe especializada, projetos ambientais consistentes e parcerias que aliviem o caixa municipal. Sem isso, a estrutura corre o risco de ser apenas um parque de exibição, caro e de utilidade duvidosa.
Há alternativas. Transformar o espaço em um santuário para a fauna regional, buscar convênios com universidades, ONGs e empresas, ou até repensar seu modelo de gestão com concessões e cofinanciamentos. A chave está em encarar o tema com transparência, abrir o debate com a população e abandonar a lógica de “manter porque sempre foi assim”.
Em tempos de recursos escassos, cada real investido precisa ter justificativa clara. Um zoológico municipal pode ser um orgulho da cidade — mas só se ele realmente educar, preservar e contribuir para a proteção ambiental. Caso contrário, será apenas um luxo que a natureza e a comunidade não podem mais bancar.












