Em agosto, a empresária e influenciadora digital Val Marchiori anunciou publicamente em suas redes sociais ter sido diagnosticada com câncer de mama. O diagnóstico ocorreu após a detecção de um nódulo durante a realização de uma mamografia, exame que confirmou a suspeita posteriormente por meio de biópsia. A empresária relatou que adiava o procedimento por medo, decisão que trouxe um alerta sobre a importância da prevenção.
O relato de Val Marchiori, que afirmou que se sentiu culpada por evitar o exame por medo, serve como um importante alerta: a mamografia é essencial para a detecção precoce do câncer de mama e pode ser decisiva na chance de cura.
A reportagem da Gazeta de Vargem Grande conversou com a enfermeira do Centro de Atendimento à Mulher, Luana Andrade, e com o coordenador de Saúde do município, Elton Cavelagna, que reforçam a importância do exame. “A mamografia deve ser vista como uma ferramenta vital e não opcional”, destacaram.
A mamografia é um exame de imagem que permite identificar alterações nas mamas, mesmo antes de serem perceptíveis ao toque. Quando realizada a cada dois anos, conforme recomendado para mulheres entre 50 e 69 anos, aumenta significativamente as chances de diagnosticar o câncer ainda em estágio inicial.
Tipos de exame
Luana disse que são dois tipos de mamografias e explicou a diferença entre eles. A mamografia de rastreamento é realizada mesmo sem sintomas, como medida preventiva. Já a mamografia diagnóstica é indicada quando há sinais suspeitos, como nódulos palpáveis, dor ou secreções mamárias.
Ela enfatizou que o diagnóstico precoce é a principal arma contra o câncer de mama. Quando iniciado logo nos estágios iniciais, o tratamento tende a ser menos agressivo, mais eficaz e com maiores chances de cura, além de reduzir os impactos emocionais e físicos na vida da mulher.
Fila
Segundo o Departamento Municipal de Saúde, em Vargem Grande do Sul, a realidade é positiva em relação ao acesso aos exames. De acordo com o coordenador Elton Cavelagna, não há fila de espera para mamografia no município. Até 31 de julho de 2025, já foram realizados 1.410 exames, enquanto em todo o ano de 2024 foram 1.496.
No entanto, ainda há pacientes aguardando consulta com o mastologista. “Temos cerca de 50 mulheres nessa situação, mas é importante frisar que isso se refere ao acompanhamento clínico posterior, e não à realização dos exames. Estamos reforçando a rede especializada para reduzir essa espera”, afirmou o coordenador.
Pacientes em tratamento
Outro dado importante é que 37 pacientes realizam atualmente tratamento contra o câncer de mama pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Vargem Grande do Sul. Mas o número de pacientes com a doença no município pode ser maior, uma vez que algumas mulheres fazem acompanhamento pela rede particular ou por meio de planos de saúde.
Conscientização
O caso de Val Marchiori evidencia que ninguém está imune ao câncer, independentemente de fama ou condição financeira. Mas reforça, sobretudo, a importância do cuidado contínuo com a saúde.
Campanhas como o Outubro Rosa também ampliam o acesso, oferecendo horários estendidos, atendimentos em fins de semana e ações de conscientização. Porém, ainda há desafios, como o absenteísmo e a resistência de algumas mulheres em realizar o exame. “Superar esse obstáculo depende de informação, diálogo e empatia”, finalizou Luana Andrade.












