Gravidez na adolescência ainda é desafio em Vargem

A gravidez na maioria dos casos, fica entre as adolescentes de 15 a 19 anos. Foto: Reprodução Internet

Entre 2024 e 2025, 65 adolescentes engravidaram no município; maioria dos casos está na faixa dos 15 aos 19 anos

Apesar dos avanços nas políticas públicas de saúde, a gravidez na adolescência segue sendo uma realidade em Vargem Grande do Sul. Entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o município registrou 65 casos de gestações em adolescentes com idades entre 10 e 19 anos, segundo informações da enfermeira Luana Andrade, do Centro de Atendimento à Mulher (CAM).
Somente em 2024, foram 45 gestações entre adolescentes, representando cerca de 13% do total de 330 gestações registradas no ano. Já em 2025, até o mês de setembro, foram contabilizadas 20 gestações adolescentes, de um total de 150 mulheres grávidas.
A maior parte dos casos se concentra na faixa etária de 15 a 19 anos. Em 2024, foram 43 gestações nesse grupo, enquanto apenas 2 casos envolveram meninas de 10 a 14 anos. Já em 2025, todos os 20 casos ocorreram entre adolescentes com mais de 15 anos.
Segundo a legislação brasileira, gestações em meninas menores de 14 anos são consideradas resultado de estupro de vulnerável. No entanto, não houve nenhum caso registrado desse tipo em 2025 até o mês de setembro. Ainda assim, quando ocorrem, esses casos são imediatamente encaminhados ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público, conforme explicou a enfermeira.
A maioria das gestações adolescentes ocorre em áreas urbanas, o que, de acordo com Luana Andrade, pode estar relacionado à maior densidade populacional e a outros fatores sociais e culturais presentes no ambiente urbano.
As adolescentes grávidas em Vargem têm acesso a diversos serviços oferecidos pela rede pública de saúde. Elas podem ser encaminhadas ao serviço de pré-natal de alto risco, ao CAISM, ao CRAS para apoio social e também ao Conselho Tutelar, quando necessário.
Além disso, o CAM oferece acolhimento psicológico e social prioritário, não apenas para adolescentes, mas para todas as gestantes atendidas na unidade.
Apesar disso, ainda não há parcerias formais com escolas para garantir a permanência das adolescentes nos estudos durante e após a gestação.
Luana falou à Gazeta de Vargem Grande sobre ações preventivas e sobre a reação das famílias após a descoberta de uma gravidez. A enfermeira informou que há projetos em desenvolvimento tanto nas escolas quanto na comunidade para conscientização sobre violência sexual, abuso e gravidez precoce. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o CAM também realizam aconselhamento com equipes multidisciplinares, além de oferecerem diversos métodos contraceptivos, como pílulas anticoncepcionais; injetáveis; anticoncepção de emergência; inserção de DIU; preservativos femininos e masculinos (disponíveis estrategicamente nas unidades, inclusive dentro dos banheiros).
A reação das famílias frente a uma gravidez precoce costuma envolver sentimentos como decepção, segundo Luana. No entanto, muitas adolescentes contam com o apoio da família, o que é considerado essencial no processo de acompanhamento pré-natal e na prevenção de novas gestações.
“O município busca fortalecer essa rede de apoio, incentivando que as adolescentes estejam sempre acompanhadas por um responsável nas consultas e grupos de gestantes”, comentou a responsável.
Após o nascimento do bebê, o acompanhamento da adolescente é feito por meio de políticas intersetoriais, envolvendo educação, saúde e assistência social. O objetivo é garantir que a jovem mãe não fique desassistida e tenha suporte para cuidar do bebê e continuar seus projetos de vida.
Em relação ao aborto, um assunto muito discutido nos dias atuais, Luana reforça que ele só é permitido por lei em situações específicas, como em casos de estupro ou anomalias fetais incompatíveis com a vida. Não há registro no município de abortos realizados por motivo socioeconômico ou falta de condições da adolescente gerar o bebê. Também não foram registrados casos de doação de bebês por mães adolescentes.
Para finalizar, a enfermeira reforça que conversas francas com os filhos e a prevenção, ainda é a melhor forma de evitar uma gravidez indesejada.

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