Preços baixos devem continuar e prejuízo será grande
Marcelo Cazarotto, bataticultor do município, afirma que os preços da batata seguiram em baixa durante toda a safra e não há expectativa de melhora até o fim do ano. Para ele, os próximos anos também serão desafiadores para o setor.
A safra da batata em Vargem Grande do Sul deve se encerrar por volta do dia 20 de outubro, de acordo com o produtor Marcelo Cazarotto, que atua no cultivo do tubérculo no município. Em entrevista à Gazeta de Vargem Grande, ele avaliou o andamento da produção neste ano e compartilhou preocupações quanto ao cenário atual e futuro do setor.
Segundo Cazarotto, a colheita da batata voltada ao mercado de mesa deve ser finalizada até meados de outubro. Já a produção destinada à indústria costuma se estender por mais alguns dias. “A previsão para o fim da safra é para meados de outubro, por volta do dia 20, acredito. O pessoal que trabalha com batata de mercado já deve estar encerrando nesse período. A batata de indústria normalmente se estende por mais uns 15 dias”, afirmou.
No entanto, o que mais preocupa o produtor não é o fim da colheita, mas sim os preços praticados no mercado. De acordo com ele, os valores permaneceram baixos desde o início da safra e não há sinais de recuperação até o final do ano. “Infelizmente, não houve melhora nos preços. Desde o começo até agora, os valores se mantiveram baixos. Acredito que vamos terminar o ano da mesma forma, sem perspectiva de reação. Tem muita batata sendo produzida em várias regiões, e aparentemente não haverá melhora”, lamentou.
Perspectivas para os próximos anos
Cazarotto também traçou um panorama pouco otimista para os próximos anos. Ele destaca o alto volume de importação de sementes como um fator que pode pressionar ainda mais os preços, além da dependência do clima, que afeta diretamente a produção e o valor pago ao produtor.
“Acredito que 2026 e 2027 também serão anos difíceis. Houve um grande volume de importação de sementes, o que afeta o mercado. Então, não temos uma boa perspectiva até pelo menos 2027. Ficamos muito dependentes do clima. Se ele atrapalha e a produção cai, mesmo com uma área plantada grande, o preço pode subir. Mas em anos como este, com alta produtividade, os preços tendem a ser ruins”, avaliou.
Para ele, o cultivo da batata é extremamente sensível a variáveis climáticas e de mercado, o que torna qualquer previsão incerta. “É muito difícil prever. Estou dando uma ideia geral, mas, na verdade, com a batata, só sabemos se vai ser bom ou ruim na hora da colheita. O cenário atual não é favorável. Porém, se houver mudanças climáticas, políticas ou outros fatores externos, pode ser que o mercado reaja. Mas, com a produção alta como está, não há muito o que fazer. A área plantada deve se manter nos mesmos níveis deste ano”, concluiu.












