
Pedir um lanche hoje tornou-se corriqueiro, algo trivial que a modernidade nos trouxe e ele é entregue nas residências. Há algumas décadas, o lanche em Vargem Grande do Sul existia apenas em alguns bares do Centro da cidade, sendo famosos os baurus do Lourenço, ou dos membros da família Fabris, que tinham bares em Vargem e faziam o famoso lanche de porco que deliciou muitas gerações.
Os lanches como os conhecemos hoje na cidade, vieram lá pela década de 80, 90, como as lanchonetes e hamburguerias, com o famoso X Salada sendo feito nos carros de lanches estacionados nas praças e ruas da cidade, o famoso “trailer de lanches” que logo foram se espalhando para os bairros, sendo entregues de moto, envolvendo geralmente microempreendedores, gerando renda e emprego.
Um dos pioneiros neste segmento de alimentos em Vargem Grande do Sul, foi o empresário Walter Bueno, que deu importante contribuição ao desenvolvimento da cidade, inspirando também outros empreendedores do ramo.
Com uma história que começou de forma modesta em 1991, o empreendimento fundado por Walter Bueno transformou-se em um dos pontos mais tradicionais de alimentação de Vargem Grande do Sul, gerando empregos, formando profissionais e contribuindo de forma significativa para a economia local.
A ideia do trailer de lanches surgiu em um cenário de dificuldades, quando Walter, ainda muito jovem, já demonstrava vocação para o comércio. Aos nove anos de idade, vendia salgados pelas ruas da cidade. Antes de abrir seu próprio negócio, trabalhou em diversos estabelecimentos da cidade, entre eles o Bar Santana, Bar do Tênis Clube e o Sorvetão, acumulando experiência principalmente no setor alimentício.
O primeiro trailer foi instalado em 1991, ao lado do Foto Pereira. Depois, passou por outros pontos até se fixar no local atual, na Praça da Matriz, onde está há mais de três décadas. Na época, contava com o apoio de amigos e parceiros locais, como o empresário José Geraldo Longuini, que cedeu espaço em seu posto de combustíveis. Inicialmente, o trabalho era essencialmente familiar, mas logo o negócio começou a empregar jovens da cidade, muitos dos quais receberam ali sua primeira oportunidade profissional.
“Gosto de dar a primeira chance. Vi muitos jovens se tornarem grandes homens. Isso me orgulha demais”, relembra Walter.
Desafios e expansão
A jornada de crescimento foi marcada por dificuldades comuns a pequenos empreendedores: falta de crédito, dificuldades para adquirir equipamentos básicos como chapas e freezers e um cenário econômico pouco favorável. Ainda assim, o negócio não só se manteve como prosperou.
Com o tempo, a necessidade de oferecer mais conforto e estrutura aos clientes motivou a criação de um segundo ponto, mais amplo e climatizado. Logo depois da pandemia, surgiu a oportunidade de alugar um imóvel com boa localização, antigo ponto de outra loja conhecida na cidade, que viria a se tornar o atual “Bauruzão”, localizado na Av. Regato.
Hoje, entre os dois estabelecimentos, são 14 colaboradores diretos, além de freelancers e entregadores terceirizados, formando uma verdadeira rede de trabalho e renda para muitas famílias da cidade.
Tecnologia e tradição caminhando juntas
A modernização também fez parte do crescimento da empresa. O uso das redes sociais e de aplicativos para pedidos e divulgação teve papel fundamental na ampliação da clientela. “Hoje posso lançar um lanche e, em poucas horas, os fregueses já estão experimentando. Antes isso levaria meses”, afirma Walter.
Apesar das inovações, os produtos tradicionais continuam entre os mais vendidos. Lanches como o x-salada e o x-tudo seguem firmes no cardápio. Além disso, os chamados “Baurus” ganharam uma nova roupagem e se tornaram um diferencial do negócio, com combinações variadas que atendem aos mais diversos gostos.
Impacto local e compromisso social
Walter acredita que o crescimento do negócio está diretamente ligado ao desenvolvimento econômico da cidade. “É uma via de mão dupla. Eles trabalham com a gente e gastam no comércio local. Isso faz a economia girar”, destaca.
Além da geração de empregos, o empresário tem buscado retribuir o apoio da comunidade participando de eventos e colaborando com instituições locais. “É uma forma de devolver o carinho que a cidade tem com a gente.”
A empresa também se tornou um espaço de formação profissional. Muitos jovens iniciam ali suas carreiras como chapeiros, uma profissão com alta demanda tanto no Brasil quanto fora do país. “É uma excelente profissão. Em qualquer lugar que disser que é chapeiro, vai ter vaga”, afirma Walter.
Olhar para o futuro e raízes firmes na cidade
Com raízes firmes em Vargem Grande do Sul, Walter vê sua trajetória como uma história de superação e pertencimento. Criado na Cohab I, ele relembra com orgulho suas origens e mantém o desejo de continuar contribuindo com a cidade.
Entre os planos para o futuro está a ampliação do Bauruzão com uma nova área voltada ao público adolescente, além da possibilidade de abrir uma nova unidade em outro ponto da cidade. “Já temos muitos clientes que cruzam a cidade para ir até lá. Seria ótimo estar mais perto deles”, explica.
Mensagem aos empreendedores e à cidade
Ao celebrar mais um aniversário de Vargem Grande do Sul, Walter deixa uma mensagem de gratidão e incentivo: “Agradeço profundamente aos moradores da cidade por terem me ajudado a realizar um sonho. Aos novos empreendedores, digo: nunca desistam. Lutem com toda força. Vai dar certo. Sou prova disso.”
Walter também homenageia sua esposa, Andreza, a quem chama de “esteio da empresa e da família”, e agradece ao jornal Gazeta de Vargem Grande pela parceria e espaço para contar um pouco de sua trajetória.
“É um orgulho abrir aquelas portas todos os dias, saber que tantas pessoas dependem de você, que está conseguindo sobreviver na sua terra. Aqui é meu lar. Aqui criei meus filhos. Aqui é onde quero continuar crescendo, junto com Vargem Grande do Sul”, afirmou o empreendedor.












