Protocolado requerimento para abertura de CEI contra o SAE

Construção dos reservatórios de água está na mira dos vereadores

Presidente da Câmara aguarda parecer jurídico para dar prosseguimento ao pedido dos vereadores

Os vereadores Paulinho da Prefeitura (Podemos), Serginho da Farmácia (Cidadania), Gustavo Bueno (PL), Felipe Gadiani (PSD) e Vanessa Martins (PL), protocolaram na Câmara Municipal nesta segunda-feira, dia 24 de novembro, um Requerimento pedindo a instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar possíveis irregularidades na gestão do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE), tendo por fato determinado a ser apurado vários “Considerandos”, como a falta de fornecimento de água em diversos bairros da cidade, o que no entender dos vereadores, “ofende o princípio da dignidade da pessoa humana e o direito ao saneamento básico”.
Também citaram nos “Considerandos”, os problemas envolvendo a instalação dos reservatórios de água adquiridos na gestão do ex-prefeito Amarildo Duzi Moraes (MDB) e cujo superintendente do SAE era o servidor municipal Celso Bruno e o parecer do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que reprovou as contas do SAE referentes ao ano de 2023, gestão de Amarildo, sendo superintendente Celso Bruno.
Conforme o Regimento Interno da Câmara Municipal, as CEIs terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais e serão criadas mediante requerimento de um terço dos membros da Câmara, para apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, quando for o caso, encaminhadas ao Ministério Público e demais órgãos competentes do Estado).
O prazo de vigência da CEI determinado pelo Regimento Interno é 90 dias, podendo ser prorrogado por menor ou igual prazo e dentre suas prerrogativas, estão proceder vistorias e levantamentos nas repartições públicas, requerer a convocação de funcionários, diretores, no caso especial, do diretor de Obras envolvidos na construção das bases dos reservatórios e também o ex-superintendente do SAE.
Também solicitaram os vereadores proponentes da CEI, a realização de uma perícia contábil independente nos registros financeiros da autarquia, visando sanar eventuais irregularidades administrativas e contábeis.

Presidente da Câmara aguarda parecer jurídico
Em entrevista ao jornal Gazeta de Vargem Grande, o presidente da Câmara Municipal, vereador Maicon Canato (Republicanos), afirmou que o Requerimento está sendo analisado juridicamente para ver se realmente o que está sendo solicitado pelos vereadores, se enquadra no que determina o Regimento Interno da Câmara. “Se estiver tudo de acordo, daremos prosseguimento como determina a lei. Se for contestado juridicamente que a solicitação da abertura da CEI não preenche os requisitos necessários, também seguiremos a lei e mandaremos arquivar o Requerimento”, afirmou Maicon ao jornal.

Questão do fato determinado está sendo apurado
Segundo pode apurar a reportagem do jornal, de acordo com o Artigo 108 do Regimento Interno, para a instalação de uma CEI é preciso ter um fato determinado. No Requerimento apresentado ao presidente da Câmara Municipal, pode ser que isso não tenha ficado muito claro, o que demanda os estudos e consultas jurídicas necessárias que o jurídico da Câmara está realizando.
De acordo com o Requerimento, foram apresentados cinco “Considerandos” e com relação à apuração dos fatos certos e determinados, os vereadores proponentes da CEI fazem onze perguntas e não teriam apontado o fato certo e determinado. Como exemplo, perguntam: “Existem reservatórios de água que não estão em funcionamento? ou, “Há algum estudo para fazer a captação de água junto ao Rio Jaguari?
Na Gestão e Planejamento do SAE, os vereadores ao invés de apontarem o fato determinante que pode levar à constituição de uma CEI, apenas indagam por exemplo, se o SAE possui plano diretor de abastecimento de água atualizado, ou se houve contratação de empresa terceirizada para serviços de manutenção, limpeza ou perfuração de poços, e se em caso afirmativo, como se deu essa contratação (dispensa, licitação, etc).
Também fazem indagações sobre os Aspectos Técnicos do Abastecimento; sobre Recursos Financeiros e Contratos; Reservatórios e Infraestrutura; Impacto na População e Transparência; Gestão Administrativa, mas não apontam em todas estas indagações feitas ao SAE, o fato determinante a ser apurado.
Diante de todo este contexto, o procurador jurídico da Câmara Municipal, advogado Leonardo Mori Corsi, informou ao jornal que o Requerimento está no setor jurídico da Câmara para que se faça as análises jurídicas dos requisitos formais elencados pelo Regimento Interno do Legislativo e demais legislações correspondentes, para dar o parecer ao presidente da Câmara.
O problema é muito complexo e de acordo com o assessor especial da presidência da Câmara, advogado Valter Luís de Mello, uma consulta externa foi feita ao Instituto Gamma de Assessoria a Órgãos Públicos-IGAM, para que o presidente Maicon tome a mais correta atitude em relação ao caso.
Pelo que pode apurar a reportagem do jornal, estaria sendo verificado se os “Considerandos”, poderiam ser suficientes para abrir uma CEI, ou se eles seriam apenas trechos introdutórios que explicam o contexto, uma vez que o Regimento Interno da Câmara Municipal, pede um fato determinado, que seria um acontecimento específico, concreto e delimitável no tempo e no objeto, para que se possa ter fundamento jurídico e não ser invalidado na Justiça, pois uma CEI não pode investigar tudo, nem abrir uma devassa geral. O fato determinado evitaria abrir uma CEI apenas para criar desgaste político.

Pedido teria de ser votado este ano
A reportagem do jornal apurou que o Requerimento pedindo a abertura da CEI teria de ser apresentada em plenário ainda este ano. O presidente Maicon está aguardando o parecer jurídico sobre o caso para ver se coloca o Requerimento em pauta ou não.
Se positivo, pode ser que o mesmo seja encaminhado para votação ainda na primeira sessão ordinária, que acontecerá nesta segunda-feira, dia 1º de dezembro. Se não houver tempo, ele entraria na sessão ordinária do dia 15 de dezembro.
Na mesma sessão em que o Requerimento for apresentado, a Comissão Especial de Inquérito será constituída, sendo escolhido por sorteio, seus três membros, além de dois suplentes, observando sempre que possível, de acordo com o Regimento Interno, a representação proporcional dos partidos políticos com assento na Câmara Municipal. Composta a CEI, seus membros elegerão o presidente e o relator.

Prefeito Celso Ribeiro se posiciona a respeito
O prefeito Celso Ribeiro (Republicanos) disse que respeita a independência dos poderes e que a administração do SAE está à disposição dos vereadores para exercerem as suas funções. “A constituição de uma CEI é de muita responsabilidade e os vereadores devem colocar os interesses da cidade acima de tudo”, afirmou o prefeito.
“Esperamos neste momento que todos tenham responsabilidade e não se deixem levar por questões políticas partidárias, pois infelizmente, é o que acontece em muitos municípios e no Brasil também”, disse Celso Ribeiro.
O prefeito afirmou que não tem absolutamente nada a esconder, nada a temer. “Tomamos todas as providências notificando as empresas responsáveis pela construção do conjunto de obras envolvendo os reservatórios e o Departamento Jurídico está cuidando do caso”, comentou.
Celso Ribeiro disse estranhar que alguns dos vereadores que assinaram a CEI, na semana passada estiveram em seu gabinete, conversando sobre outros problemas do município e não falaram nada sobre a instalação de uma CEI. “Acho que se eles tivessem alguma dúvida sobre o atual momento em que passa o SAE, poderíamos ter esclarecido tudo, pois como já afirmamos, não temos nada a esconder”.

Amarildo vê CEI com naturalidade
O ex-prefeito Amarildo Duzi Moraes (MDB) também foi procurado pela reportagem da Gazeta de Vargem Grande para se posicionar sobre a criação de uma CEI para investigar o SAE, uma vez que muitas das perguntas formuladas pelos vereadores que propuseram a CEI, aconteceram na sua gestão.
Amarildo afirmou que via com naturalidade a criação da Comissão Especial de Inquérito. “Se os vereadores têm dúvidas e a atual administração não conseguiu ou não tentou sanar essas dúvidas, estamos à disposição dos vereadores para esclarecer de forma cabal os fatos…”, disse o ex-prefeito

Celso Bruno diz que fiscalizar é dever dos vereadores
Também o ex-superintendente do SAE, Celso Bruno, que deverá ser convocado pela CEI, após sua aprovação, para prestar os devidos esclarecimentos, afirmou: “Estou afastado por motivo de saúde, porém, como todos sabem, as movimentações e ações do SAE e da Prefeitura estão no Portal da Transparência. Mas, se houver dúvidas a respeito de algo, é ótimo que a vereança se mobilize. Ressaltou o ex-superintendente que o SAE não dispõe de todas os departamentos e por isso utiliza de vários setores da Prefeitura como por exemplo, licitação, jurídico, finanças, Rh, entre outros. “A fiscalização é um dever dos vereadores”, finalizou.

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