
Na década de 1950, quando se instalou em Vargem Grande do Sul, a Casas Pernambucanas chegou com pessoas trabalhando no caixa (onde eram realizados os recebimentos), vários vendedores, gerente vindo de outras cidades, trazendo novos conceitos em vendas, arrumação e enfeites da loja, marketing diferenciado e muita propaganda nos jornais, revistas, rádios da época, depois tv e o carro de som pintado de amarelo que fazia propaganda por toda a cidade e zona rural, distribuindo panfletos promocionais e também pintando porteiras e locais com o nome Pernambucanas. Também haviam os balanços anuais e as conferências de estoques com a vinda dos fiscais, cujo trabalho durava dias.
Quando entrou na Pernambucanas, onde permaneceu até 1987, quando se aposentou, Waldemar Ferreira da Silva lembra que a loja inicialmente vendia principalmente tecidos, depois cobertores, lençóis e toalhas, só vindo a comercializar confecções no final da década de 70, início dos anos 80. Quem dos mais antigos não se lembra da icônica propaganda “Quem bate? É o frio!”, das Casas Pernambucanas, nos anos 60/70, época de maior expansão da rede, que chegou a ter 700 lojas em todo o Brasil nos anos 70, sendo a maior rede de loja do país naquela década.

Sobre o Natal nas Pernambucanas, Waldemar tem boas recordações dos finais de ano, quando a loja na Praça Cap. João Pinto Fontão, esquina com a Rua do Comércio, fervilhava de gente. “O movimento era tão grande, com as principais famílias da cidade comprando seus presentes, os tecidos da época, que ficava difícil até de caminhar dentro da loja”, comentou.
“Usava-se muito dar cortes de vestidos, tecidos para calças, camisas, blusas, como presente de Natal”. Ele lembra de dona Zélia Amaral, cuja família era proprietária de fazendas na época, comprando presentes para os trabalhadores das suas propriedades rurais, isso na década de 60. “Na véspera do Natal nós trabalhávamos até a meia-noite, horário que a loja fechava, depois ainda tínhamos que arrumar todo o estabelecimento”, recorda Waldemar.
“Era um tempo bom, a Rua do Comércio ficava toda movimentada, a Praça da Matriz ficava cheia de gente, a fonte luminosa quando funcionava atraia as famílias, os casais. Havia ainda o cinema novo do Arrigo Nardini e Eduíno Sbardellini, com tudo acontecendo bem perto da loja e o sentimento de Natal estava presente”, comentou. “Época em que se assava muita leitoa na Padaria do Zé Candinho e tomava muita gasosa, sabor maçã. Quem podia, tomava sua cervejinha Antártica”, disse ele, recordando dos muitos finais de ano que vivenciou na rua que aumentava consideravelmente seu movimento naquela ocasião festiva.
Por mais de três décadas, Waldemar trabalhou na Pernambucanas e viu as muitas transformações por que ela passou. Dos principais clientes que vinham da roça e compravam os tecidos para terem roupas durante todo o ano, até quando no início da década de 1970, a loja mudou-se para sua atual localização, na Rua do Comércio nº 200, na esquina, prédio hoje pertencente à família do ex-prefeito Huber Braz Cossi, que também esteve presente quando da inauguração das Casas Pernambucanas em seu novo endereço.








