Pr. Henrique C. Santos
O anjo, porém, lhes disse: — Não tenham medo! Estou aqui para lhes trazer boa-nova de grande alegria, que será para todo o povo: é que hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Lucas 2:10-11

O Natal nos convida a revisitar uma das cenas mais surpreendentes da história: Deus decidiu entrar no mundo não pelos corredores do poder, mas pelos caminhos da simplicidade. José e Maria caminharam de Nazaré até Belém, a cidade conhecida como a Casa do Pão. Paradoxalmente, não houve lugar para o Pão da Vida nascer. As hospedarias estavam cheias, as portas fechadas e, quando chegou a hora, Jesus nasceu onde os animais eram recolhidos à noite. Maria o envolveu em panos simples e o deitou em uma manjedoura.

O Filho de Deus não nasceu em um palácio, nem em um berço de ouro. O Criador do universo escolheu a humildade como endereço. Aquele que governa os céus e a terra esvaziou-se de sua glória e se fez servo. Naquela noite silenciosa em Belém, nasceu o Sol da Justiça, trazendo luz para um mundo marcado pela escuridão.
A mensagem do Natal não parte da terra para o céu, mas do céu para a terra. Um anjo desceu e anunciou aos pastores uma notícia que atravessaria séculos: havia nascido o Salvador. Essa boa-nova revela, antes de tudo, a fidelidade de Deus à sua Palavra.

O Messias deveria nascer em Belém, e para cumprir essa promessa, Deus moveu até mesmo o Império Romano, usando um recenseamento para conduzir Maria grávida de Nazaré até o lugar determinado. A história não caminha ao acaso; ela se move sob a soberania de Deus.

Jesus é anunciado como Salvador porque veio resgatar o ser humano daquilo que ele não consegue vencer por si mesmo: o pecado. Ele não veio apenas ensinar um novo caminho, mas oferecer a própria vida. Nasceu para morrer, como sacrifício perfeito, como o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Sua morte não foi um acidente da história, mas parte do plano eterno de redenção.

O anjo também declara que esse menino é o Cristo, o Messias prometido. Sua vinda não foi improvisada. Patriarcas falaram dele, profetas o anunciaram e todo o Antigo Testamento preparou o caminho para esse momento. Os antigos sacrifícios eram apenas sombras daquele que viria oferecer um sacrifício definitivo. O Messias é o centro da Bíblia, da história e da esperança humana. Tudo vem dele, tudo existe por meio dele e tudo encontra nele seu propósito.

Por fim, o anúncio celestial proclama que Jesus é o Senhor. A criança na manjedoura é o Rei dos reis. Ele governa sobre as nações, está acima de todo poder humano e sustenta a história em suas mãos. Maior que César, maior que qualquer império, maior que os sistemas deste mundo, Jesus reina soberano. Diante dele, toda autoridade se dobra e toda esperança encontra sentido.

O Natal nos chama a conhecer verdadeiramente quem é Jesus. Ele é o Salvador que nos resgata, o Messias que cumpre as promessas e o Senhor que governa com amor e justiça.
O Natal, portanto, não é apenas uma lembrança histórica, mas um chamado vivo. O mesmo Jesus que cumpriu cada promessa anunciada pelos profetas continua fiel hoje.

O Cristo que nasceu em Belém é o Senhor que se aproxima, convida, restaura e dá sentido à vida. Celebrar o Natal é mais do que contemplar o passado; é responder ao convite presente de viver com aquele que veio ao nosso encontro e permanece fiel em todas as suas promessas.
Feliz Natal!









