Vargengrandense leva nome da cidade ao Carnaval de Goiás

Grupo contou com 38 participantes este ano no Carnaval de Lagoa Santa. Foto: Arquivo Pessoal

Maria de Fátima organiza excursão anual e há três anos comanda o “Mistura da Alegria”, com foco na participação de idosos

A história de Maria de Fátima Garcia Bernardes é também a de uma mulher que, aos 67 anos, desafia a ideia de que a terceira idade é tempo de se recolher. Há 22 anos, a vargengrandense conheceu a cidade de Lagoa Santa (GO) por meio de uma excursão organizada por uma moradora de São João da Boa Vista. O que começou como um convite ocasional se transformou em tradição anual e, nos últimos três anos, também em representação cultural de Vargem Grande do Sul no Carnaval da cidade goiana.
Neste domingo, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, a história de Fátima mostra o potencial do trabalho da mulher, que munida apenas com sua dedicação e disposição, organiza logística de transporte, negocia hospedagem, capta recursos, adapta figurinos e articula parcerias – tudo isso paralelamente ao trabalho como faxineira e à vida familiar – e ainda se diverte muito com o Carnaval.
Mas há mais de 20 anos, quando chegou naquele povoado no interior do Goiás, a primeira impressão não foi das melhores. “Eu cheguei no vilarejo e fiz o sinal da cruz que nunca mais eu voltava. Faz 20 anos que eu vou”, contou Fátima sorrindo e lembrando do susto que levou ao chegar na cidade. O município, com cerca de dois mil habitantes, é conhecido pelas águas termais e recebe turistas de diversas regiões. São cinco parques aquáticos e uma lagoa de águas quentes, às quais a população atribui propriedades medicinais.
A viagem acontece em fevereiro e dura aproximadamente 10 horas. Fátima aluga um ônibus, que neste ano custou R$ 16 mil, e organiza hospedagem para o grupo. Em 2026, foram 48 pessoas na excursão. “É uma viagem muito sofrida para mim”, afirmou. Segundo ela, nem sempre consegue preencher todas as vagas e, em algumas situações, ajuda participantes que não conseguem arcar com todos os custos.
Casada há 49 anos, mãe de três filhos e avó, Fátima trabalha como faxineira e organiza a excursão paralelamente à rotina profissional. Após dois anos sem viajar por problemas de saúde e durante a pandemia, retomou as idas a Goiás. “As viagens são a minha terapia”, disse.

Bloco “Mistura da Alegria”
Há três anos, além da excursão, Fátima passou a organizar o bloco “Mistura da Alegria” no Carnaval de Lagoa Santa. A iniciativa começou quando o município ainda não promovia oficialmente a festa. “Eu levava minhas fantasias, pedia para o dono da pousada colocar uma música no carro e a gente dava a volta no vilarejo fantasiado. Era uma forma de mostrar que o Carnaval podia voltar”, relata.
Com a retomada oficial da festa pela prefeitura local, o bloco passou a integrar a programação. No primeiro ano conquistou o primeiro lugar; no segundo, ficou em segundo; e neste ano voltou a alcançar o primeiro lugar, recebendo R$ 3 mil em premiação. Em 2026, o desfile contou com 38 integrantes.
A música do bloco foi composta gratuitamente por Massão Monma, gesto que Fátima faz questão de destacar. Ela também agradece a dedicação de Vilma Melo, Ângela Falconi e Rogéria ao “Mistura da Alegria”.
As fantasias são organizadas pela própria Fátima, que adapta os figurinos a cada edição. “Eu não posso levar a mesma fantasia todo ano. Vou comprando usada, ganhando peças, fazendo ajustes”, explicou, agradecendo à Alessandra Noivas que colaborou alugando roupas por um preço acessível para os membros do grupo.

Representação de Vargem Grande do Sul
Neste ano, o bloco levou referências ao café e distribuiu produtos como forma de divulgação. Para 2027, a proposta é ampliar a representação cultural de Vargem Grande do Sul, destacando a produção de batata e empresas do setor. “Eu queria voltar a levar a bandeira da nossa cidade. E a música que está sendo produzida vai falar da cultura da batata”, afirmou.
Fátima agradece ao ex-prefeito Amarildo Duzi, que emprestou as bandeiras do município para a apresentação. Este ano, mesmo formalizando o pedido na prefeitura para que pudesse pegar bandeiras da cidade emprestada, teve sua solicitação negada. Diante da recusa, ela não se deu por vencida e conseguiu entrar em contato com o ex-prefeito, que atualmente lidera o Departamento de Gestão e Planejamento em São João da Boa Vista. “Ele foi na porta da minha casa levar as bandeiras”, contou. “Sou extremamente grata pelo que ele me fez”, disse.
Ela também agradece o apoio recebido em Lagoa Santa, do prefeito Adivair Gonçalves de Macedo e do secretário de Turismo, Valdeir Rezende, pela receptividade ao grupo.

Foco nos idosos
A principal característica do bloco é a participação de idosos. Fátima já levou integrantes com 84 e 86 anos e pretende, em 2027, incluir um mestre-sala e uma porta-bandeira também da terceira idade. “Eu quero idoso, essa excursão é para os idosos”, resumiu.
Segundo ela, muitos participantes conseguem custear apenas a passagem, enfrentando dificuldades principalmente com alimentação durante os quatro dias de viagem. Por isso, Fátima pede doações de fantasias e acessórios, além de ajuda financeira para apoiar os idosos e melhorar ainda mais o bloco. “Eu gostaria que a gente fosse mais reconhecido. Eu estou levando o nome da nossa cidade para tão longe”, afirmou.
Para 2027, a saída está prevista para 5 de fevereiro, uma sexta-feira, às 19h, da rodoviária de Vargem Grande do Sul. Fátima pretende organizar um “livro de ouro” ou quem sabe uma “vaquinha on-line” para arrecadar recursos junto ao comércio e empresas interessadas em patrocinar o projeto. Interessados em viajar ou colaborar com doações podem entrar em contato pelo telefone (19) 99267-1982. “Se eu ficar um ano sem ir, eu sinto falta. Ver o sorriso dos meus idosos não tem preço”, concluiu.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui