
O Estado de São Paulo já registrou mais de 17 mil casos de dengue no primeiro trimestre de 2026. São seis mortes confirmadas causadas pela doença e outras 48 em investigação. Em Vargem Grande do Sul, até esta semana, seis casos de dengue estão confirmados, conforme informações do Departamento de Saúde e Medicina Preventiva do município enviadas à reportagem da Gazeta de Vargem Grande.
Conforme o informado pela prefeitura, as ações de combate e prevenção estão sendo realizadas de forma contínua ao longo do ano, conforme o Plano Municipal de Combate à Dengue.
Entre as medidas adotadas, foi realizado no último mês, um mutirão de limpeza para recolhimento de materiais que possam servir como criadouros do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Os Agentes Comunitários de Saúde realizam visitas domiciliares periódicas nos bairros, com orientações à população e identificação de possíveis focos. Já os Agentes de Endemias atuam em estabelecimentos comerciais com inspeções, controle e atendimento de denúncias relacionadas a criadouros, em conjunto com a Vigilância Sanitária.
Moradora do Jd. Dolores relata caso de dengue hemorrágica e reforça importância da prevenção
A reportagem da Gazeta de Vargem Grande falou com a artesã Micaela Cristina Galante, 29 anos, que relatou como enfrentou um quadro de dengue hemorrágica no último mês, após já ter contraído a doença anteriormente em forma mais leve.
Segundo ela, os primeiros sintomas começaram em um sábado, com febre alta, entre 38°C e 39°C, além de dores intensas pelo corpo e dificuldade para se manter em pé. O quadro persistiu nos dias seguintes.
Na terça-feira, Micaela procurou atendimento médico, onde realizou exame para dengue e recebeu medicação. O teste rápido apresentou resultado reagente, indicando infecção atual ou anterior, e novos exames laboratoriais foram solicitados. Ainda no mesmo dia, o quadro se agravou. “Comecei com sangramento nas fezes e aí eu corri pra lá de novo”, relatou.
Com os resultados dos exames já disponíveis, a médica identificou sinais de dengue hemorrágica e indicou a internação imediata. Micaela foi encaminhada ao hospital, onde permaneceu internada por sete dias.
Durante o período, ela relata que enfrentou sintomas intensos e dificuldades na alimentação. “Passei sete dias no hospital tomando medicamentos, passando muito mal. Fiquei quatro dias sem comer nada e, nos outros, comi muito pouco”, afirmou.
Micaela destacou que já havia tido dengue anteriormente, mas com sintomas mais leves. “Já peguei dengue duas vezes. Uma foi mais leve e essa agora evoluiu para hemorrágica”, disse.
Após a recuperação, ela reforça a importância da prevenção, principalmente diante do risco para grupos mais vulneráveis. “Se pra mim, com 29 anos, foi difícil, imagina para idosos e crianças”, alertou.
A artesã afirma que passou a adotar medidas mais rigorosas para evitar novos casos. “Hoje cuido para não ter água parada e sempre passamos repelente para que não se repita. Acho que todos deveriam fazer o mesmo, porque com a dengue não se brinca”, concluiu.
O caso reforça a necessidade de atenção aos sintomas e da busca por atendimento médico, além da importância das ações preventivas no combate ao mosquito transmissor.
Busca ativa
Para cada caso confirmado, a prefeitura ressaltou que é feita investigação epidemiológica a partir da notificação da unidade de saúde, além de busca ativa em áreas delimitadas, considerando possíveis locais de infecção, como residência e local de trabalho.
O município também promove capacitações das equipes, com orientações sobre identificação de focos do mosquito, controle mecânico e coleta de larvas para análise. Profissionais da Atenção Básica e do Pronto Atendimento recebem treinamento para o manejo de casos suspeitos e confirmados.
As ações educativas e de busca ativa são permanentes. Medidas como novos mutirões e eventual nebulização são adotadas conforme a evolução dos casos.
Vacina contra a dengue
Como complemento às estratégias de enfrentamento da doença, a Prefeitura também reforça a importância da vacinação. Já está disponível a segunda dose da vacina contra a dengue para crianças de 10 a 14 anos que receberam a primeira aplicação e cumpriram o intervalo mínimo de três meses.
A vacinação ocorre em diferentes unidades de saúde do município, como na Sala de Vacina Laura Peixoto, no antigo Centro de Saúde, que funciona das 7h às 16h30. A UBS Dr. Edward Gabriolli, na Vila Polar, atende das 8h às 16h e a UBS Dr. Natalino Lopes Aliende, no Jardim Dolores, realiza a imunização das 7h às 15h.
A orientação é que os responsáveis procurem a sala de vacinação mais próxima, levando Cartão SUS, CPF e a carteira de vacinação da criança. A dose de reforço é fundamental para garantir maior proteção contra a doença e reduzir riscos de agravamento.
A Secretaria de Saúde ressalta ainda que a vacina não é indicada para gestantes e para pessoas que apresentaram sintomas ou tiveram diagnóstico positivo de dengue nos últimos seis meses. Mesmo com a imunização, a população deve manter os cuidados diários, eliminando recipientes com água parada e colaborando com as ações de prevenção.











