Por Victória Mazarini
Deitei-me, jubilosa, com as palavras a saltarem,
ansiando por verter-se ao papel —
até que o aviso chegou.
A conversação fluía qual rio manso,
até que toquei tua chaga oculta;
e então, colhi o silêncio —
e mais profundo silêncio.
Ansiara por ti,
por adentrar teu doce caos,
por perder-me em tua desordem.
Mas és errante,
e não te achas pronto.
Quiçá te deixei mudo,
ou fui eu quem se perdeu no eco do não dito.
Ainda assim, faço-me plena:
a vida — qual cachoeira —
de águas frias que despertam,
de risos soltos,
e de falas vãs que embalam o instante.
E, mesmo guardando-te no íntimo,
vou ocultando tal querer,
vou talhando-o em silêncio,
para que não me desfaça em mim mesma.
Quem sabe,
em outra existência,
noutro sopro de vida —
nos encontremos sem desencontro.










