Parque de Vargem mantém tradição familiar e ganha o país

Hoje, parques modernos da família seguem pelo Brasil levando o nome de Vargem

O parque de diversões presente na festa em homenagem ao Padre Donizetti Tavares de Lima, em Vargem Grande do Sul, que está sendo realizada até o dia 26 de abril, carrega muito mais do que luzes e brinquedos: ele traz consigo uma história familiar rica, marcada por superação, emoção e profunda ligação com a cidade. Conhecido no passado como Parque Coimbra, o empreendimento nasceu em 1960, quando os patriarcas José Rufino do Nascimento e Zilá Alves do Nascimento iniciaram a atividade com extrema simplicidade.
“Meu pai começou com dois brinquedos, um balanço e um cavalinho, tudo empurrado à mão. Eram só quatro lâmpadas que iluminavam o parque”, relembra o filho Alvimar Rufino do Nascimento, hoje com 77 anos e ainda na ativa, em entrevista à Gazeta de Vargem Grande. A ligação com o município se fortaleceu em 1964, quando a família passou a viver definitivamente na cidade. “A gente criou raiz aqui. Tudo é Vargem Grande do Sul pra nós”, afirmou Alvimar.

Fotos: Arquivo Pessoal

Os primeiros anos foram desafiadores. Por volta de 1970, já à frente do parque com o irmão Alberto Rufino do Nascimento (Nenê), Alvimar montou a estrutura em um terreno ao lado da casa de Alan Morandin, que cedeu água e energia elétrica para o funcionamento inicial. “Era tudo muito difícil, mas a gente foi lutando”, contou ao jornal Gazeta.
Com o tempo, o Parque Coimbra cresceu e se modernizou. Vieram novos brinquedos, como roda-gigante, chapéu mexicano, kamikaze e orbit. Entre as conquistas mais marcantes está a compra do primeiro carrinho de bate-bate. “Foi uma emoção muito grande. Tinha gente que duvidava que a gente conseguiria”, relembrou.
A trajetória da família também se cruza com momentos importantes ligados ao Padre Donizetti. “Nós estávamos em Tambaú na época dos milagres e também quando ele faleceu, em 1961. E hoje estou aqui, vivo, vendo essa festa em Vargem. É emocionante demais”, destacou Alvimar ao Jornal Gazeta de Vargem Grande.
Após o falecimento dos pais, os irmãos deram continuidade ao parque, mas seguiram caminhos diferentes anos depois. Alvimar manteve a vida itinerante, levando os brinquedos por todo o Brasil, enquanto Alberto passou a trabalhar com locação. Alberto faleceu em 2021, vítima da Covid-19, mas seus filhos seguem no ramo, inclusive com atuação na fabricação de brinquedos.
Com o passar dos anos e a divisão dos negócios, surgiram novos nomes, como o Big Big Parque, comandado por Jéssica Cristiane do Nascimento Silva, e o Juninho Parque, liderado por Alvimar Rufino do Nascimento Júnior. Apesar das novas identidades, todos têm origem nos dois brinquedos simples que deram início ao antigo Parque Coimbra. Mesmo com os filhos à frente, Alvimar segue como referência. “Eles tocam, mas eu continuo acompanhando tudo”, afirmou.
Juninho também destacou, em entrevista à Gazeta, o orgulho de dar continuidade à história da família. “É muito gratificante. É um negócio que vem de geração em geração. A gente faz com amor e com paixão”, disse.
Ao longo das décadas, os parques da família marcaram presença em diversos eventos do município, especialmente na tradicional Festa da Batata, tornando-se parte da memória afetiva da população.
Hoje, com atuação em diferentes regiões do país, passando por cidades como Americanas, Ourinhos, Belém do Pará, São José dos Campos e Guaratinguetá, os parques seguem levando o nome de Vargem Grande do Sul por onde passam, mantendo viva uma história que começou de forma simples, mas que se transformou em um verdadeiro patrimônio familiar.

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