Amor de avó vira solidariedade

Alzira e a neta Laís celebram uma história marcada por fé, superação e gratidão

A história da Campanha do Amor começou em maio de 2013, a partir de um momento de dor e esperança vivido por Alzira dos Santos Marini, hoje com 68 anos, mãe de Juliana Marini Fernandes, Vanessa Marini Ranzani e Rafael Marini. Naquele mês, sua neta Laís, filha de Vanessa, nasceu prematura no dia 16 e precisou ser transferida para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em um hospital de Ribeirão Preto.

O que parecia um quadro de recuperação rápida se agravou no quinto dia, quando a bebê contraiu uma bactéria e fungos hospitalares, transformando os dias seguintes em um período de grande angústia para toda a família. “Eu só podia rezar. O avô paterno, Dr. Ranzani, também estava inconformado por ter salvo tantas vidas e nada poder fazer por nossa neta.”


Sem poder interferir diretamente no tratamento, Alzira encontrou na fé uma forma de enfrentar esses momentos de angústia. Em meio às visitas ao hospital, enquanto fazia um sapatinho de lã, fez uma promessa e disse ao filho: “Vou fazer um par de sapatinhos para os pacientes do Solar das Magnólia em agradecimento, pois Nossa Senhora Aparecida vai salvar a Laís”, relatou à Gazeta mencionando uma entidade de internação de cuidados prolongados neurológicos ligada ao Conderg, em Divinolândia. Naquele momento, ela não imaginava como conseguiria cumprir o compromisso.


Com a recuperação de Laís, que hoje é descrita pela avó como “uma menina linda”, a ação solidária se transformou em um compromisso anual. Desde então, a Campanha do Amor reúne artesãs que produzem peças como toucas, cachecóis e sapatinhos, voltadas principalmente para idosos. Ao longo dos anos, a produção varia conforme a disponibilidade do grupo, já tendo alcançado 263 peças em um dos anos e, em outro, o menor volume registrado foi de 118 itens.


A ideia rapidamente ganhou força entre amigas artesãs, que se dispuseram a ajudar. Ainda naquele ano, o grupo produziu cerca de 150 sapatinhos, além de cachecóis e gorros, que foram doados aos pacientes do Solar das Magnólia, em Divinolândia. “Foi uma surpresa ver tantas peças prontas e saber que ajudaram a aquecer quem precisava”, relembrou Alzira. Ela destacou ainda o empenho de participantes como Carolina Marini, que confeccionou mais de 40 itens.


As doações já foram destinadas a instituições como a Sociedade Humanitária, o Solar das Magnólia, Casa Dom Bosco, Associação Lucas Tapi que enviou as peças ao Hospital Boldrini, que atende pacientes em tratamento contra o câncer. Entre os momentos marcantes, Alzira destaca a mobilização para ajudar vítimas da enchente no Rio Grande do Sul, em 2024, quando peças produzidas pelo grupo foram encaminhadas para atender pessoas afetadas pela tragédia.


Atualmente, o grupo conta com seis participantes – Ângela, Maria Aparecida, Arlete, Rogéria e Elisabete, além de Alzira – cada uma contribuindo com o tipo de peça que prefere produzir. Segundo Alzira, o projeto também depende de doações de materiais, já que, em muitos momentos, as próprias integrantes arcam com os custos. “Mandar mensagens ou falar pessoalmente com qualquer uma de nós, sempre serão bem-vindos”, afirmou.


A iniciativa, que nasceu de uma promessa feita em um momento de desespero, segue mobilizando solidariedade ano após ano. Mesmo com a redução no número de participantes em alguns períodos, Alzira destaca a união do grupo. “São amigas artesãs muito queridas, que nunca me deixaram na mão”, disseram. Para o futuro, há ainda o desejo de ampliar as ações, incluindo doações para maternidades voltadas a mães em situação de vulnerabilidade. No entanto, segundo ela, o projeto não será possível neste ano. Ainda assim, a Campanha do Amor permanece como um exemplo de como a fé e a iniciativa individual podem se transformar em um movimento coletivo de cuidado e acolhimento.

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