Trajetória acompanha evolução das academias

Com mais de 30 anos de experiência, Marta Razani enfrentou tabus e testemunhou a evolução do setor na cidade. Foto: Arquivo Pessoal

“Comecei em um espaço improvisado, quando ainda havia resistência à presença feminina nas academias, e vi o setor evoluir junto com a mudança de mentalidade sobre saúde e atividade física”

A Gazeta de Vargem Grande conversou com a professora de educação física Marta Ranzani, que atua na área desde o início da década de 1990 e acompanhou de perto as transformações do setor ao longo dos anos. Formada pela Escola Estadual de Educação Física de Muzambinho, entre 1989 e 1992, Marta iniciou a carreira ainda no segundo ano da faculdade, dando aulas na garagem da casa de uma amiga para um grupo de mulheres, além de orientar caminhadas semanais.
“Eu comecei lá atrás, dando aula três vezes por semana para um grupo pequeno, em um espaço improvisado”, relembra. Pouco depois, entre 1990 e 1991, foi convidada a trabalhar na Academia Movimento e Forma, então administrada pelo fisioterapeuta José Luís Miranda e pelo professor Marcos Cortese. No início, atendia apenas três alunas na musculação feminina. “Na época, o foco era totalmente na musculação, não existiam aulas em grupo como hoje”, afirma.
Com o passar dos anos, Marta arrendou e posteriormente adquiriu a academia, onde atuou como sócia-proprietária até 2020. Segundo ela, o cenário local era bastante diferente no início da década de 1990. “Era um ambiente predominantemente masculino. Quando eu e outra colega começamos a fazer musculação, houve muito preconceito. Foi um tabu que a gente ajudou a quebrar”, relata.
A professora contextualiza que, historicamente, as academias surgiram ainda no século XIX, por volta de 1865, com base na mecanoterapia, em que máquinas conduziam os movimentos dos praticantes. Até a década de 1930, essa lógica predominou, evoluindo depois para práticas voltadas ao fisiculturismo, especialmente entre as décadas de 1960 e 1970. A mudança mais significativa ocorreu a partir dos anos 1980, com a popularização das ginásticas aeróbicas em grupo. “Esse foi um boom, principalmente para a participação feminina nas academias”, explica.
De acordo com Marta, o setor continua em transformação. Hoje, a busca pela saúde, bem-estar e longevidade impulsiona o crescimento das academias e estúdios. “O conceito fitness, focado apenas no desempenho físico, está dando lugar ao wellness, que envolve saúde física e mental”, diz. Ela destaca ainda a ampliação do público atendido, que vai desde crianças até idosos, além de pessoas encaminhadas por médicos para reabilitação.
Outro ponto ressaltado é a mudança na relação com a medicina. “Antes havia muito tabu em relação à atividade física. Hoje, os próprios médicos indicam a prática como parte do tratamento”, afirma. Para ela, esse avanço exige também maior qualificação dos profissionais. “A especialização é fundamental. Sem isso, o que deveria ser benefício pode acabar trazendo prejuízo”, alerta.
Marta observa que o crescimento do setor não deve ser visto como concorrência, mas como avanço coletivo. “Hoje, vemos idosos iniciando atividades físicas, algo impensável décadas atrás. Isso representa um ganho enorme para a população”, conclui.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui