Na cidade, saneamento é o ponto forte, enquanto direitos e acesso a lazer os mais frágeis

De todos os 57 indicadores que compõem o IPS de Vargem Grande do Sul, é no saneamento básico que a cidade apresenta seus resultados mais expressivos. O esgotamento sanitário adequado alcançou 99,51 pontos, e o abastecimento de água via rede de distribuição chegou a 96,25. O índice de perdas de água na distribuição ficou em 15,10, que é a porcentagem do volume de água fornecido perdido na distribuição. Moradia e coleta de resíduos também se destacam: 97,83 pontos em domicílios com paredes adequadas, 98,90 em pisos e 97,06 em coleta de resíduos.
Na segurança pessoal, o município registrou 4,84 homicídios por 100 mil habitantes e 4,69 assassinatos de jovens na mesma proporção. As mortes por acidentes de transporte somaram 10,65, um patamar que merece atenção. Já os assassinatos de mulheres ficaram em 1,91, nesse quesito, quanto mais próximo do 1, melhor. No campo da saúde, a expectativa de vida foi de 76,78 anos, enquanto a taxa de mortalidade entre 15 e 50 anos atingiu 222,34 por 100 mil habitantes — dado que o índice considera como negativo quanto mais elevado for. As mortalidades por doenças crônicas não transmissíveis chegaram a 513,57, e a taxa de obesidade ficou em 34,88%. A cobertura vacinal contra a poliomielite, no entanto, foi de apenas 69,00 pontos — resultado preocupante diante da importância do indicador para a saúde pública.
O acesso à informação e comunicação foi o indicador mais alto dentro dos fundamentos do bem-estar, com 81,97 pontos. A cobertura de internet móvel (4G/5G) chegou a 99,19%, e a qualidade do sinal móvel obteve 96,15. Contudo, a densidade de internet banda larga fixa ficou em 51,31 — o que indica que, apesar da boa cobertura móvel, uma parcela considerável da população ainda não tem acesso a conexões fixas de qualidade. A saúde e bem-estar somaram 53,72 pontos, e a qualidade do meio ambiente atingiu 64,01. O município registrou 42,08 pontos em supressão de vegetação primária e secundária, e apenas 4,71 em áreas verdes urbanas — um dos valores mais baixos do levantamento nesse quesito.
No eixo de oportunidades, os direitos individuais registraram apenas 24,74 pontos — o segundo pior resultado entre todos os indicadores do município. Esse eixo avalia aspectos como acesso a programas de direitos humanos (4,00 pontos) e a existência de ações para direitos de minorias, que marcou zero. A paridade de gênero na Câmara Municipal ficou em 0,31, e a paridade de negros no mesmo espaço chegou a apenas 0,75 — números que apontam para a baixa representatividade de mulheres e pessoas negras na política vargengrandense. A violência contra mulheres foi registrada em 164,56 ocorrências por 100 mil habitantes, e a violência contra negros em 286,74.
O acesso à educação superior somou 36,74 pontos. A nota mediana no Enem foi de 550,38, e o percentual de empregados com ensino superior ficou em 47,02% — sendo que, entre as mulheres, esse índice é maior: 59,14%. No ensino básico, o abandono no ensino fundamental foi de apenas 0,58%, e no ensino médio chegou a 2,98%. A distorção idade-série no ensino médio, porém, alcançou 15,08%, e a reprovação escolar nesse nível ficou em 9,02%. O Ideb do ensino fundamental registrou 5,87. No campo da inclusão social, o índice de vulnerabilidade das famílias do CadÚnico (IVCAD) foi de 9,09, e a taxa de gravidez na adolescência chegou a 10,18%. O acesso à cultura, lazer e esporte pontuou apenas 5,00, e praças e parques em áreas urbanas marcaram 0,28 — indicando déficit significativo de equipamentos públicos de convivência.

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