Agricultor vargengrandense planta maçãs na Serra da Fartura

Vanderlei Inácio Rubinho Valverde começou a plantar maçãs há 15 anos

Há mais de 15 anos investindo no plantio, chega à colher mais de 40 toneladas por hectare

O plantio de maçã da variedade Eva na Serra da Fartura, no distrito de São Roque da Fartura, em Águas da Prata, pelo agricultor vargengrandense Vanderlei Inácio Rubinho Valverde, 58 anos, representa uma aposta promissora na diversificação agrícola da região, principalmente em razão das condições de altitude e clima da Serra da Mantiqueira.
O plantio é feito no Sítio Areias de propriedade do agricultor, cuja família é tradicionalmente ligada à lavoura, atividade que vem desde seus avós e pais, que plantavam principalmente batata nas áreas da Serra da Fartura. Vanderlei é formado na Universidade Federal de Lavras-MG, (UFLA) e atualmente além de produzir maçãs e batata, também trabalha como agrônomo na Cooperbatata.
Na entrevista que concedeu à Gazeta de Vargem Grande para falar sobre o cultivo de maçãs, o agricultor disse que tomou conhecimento através de uma reportagem de uma variedade de maçã menos exigente em frio e que daria para plantar nas altitudes de São Roque. A cultivar Eva foi desenvolvida pelo então Instituto Agronômico do Paraná-IAPAR, (hoje IDR-Paraná) justamente para regiões de inverno menos rigoroso.

Ao contrário das variedades tradicionais, como Gala e Fuji, plantadas nos estados do Sul do país e colhidas entre fevereiro e abril, que necessitam de elevado número de horas de frio, a Eva produz satisfatoriamente em áreas com aproximadamente 200 a 450 horas de frio, sendo indicada para regiões de altitude do Sudeste brasileiro.
A iniciativa de plantar maçãs aconteceu há uns 15 anos, segundo o agrônomo, que dotado de espírito empreendedor, se aprofundou nas pesquisas, contratou uma empresa de consultoria especializada em frutas de clima temperado e adquiriu 500 mudas de maçãs da variedade Eva no Paraná para fazer os primeiros testes.
Passados alguns anos testando e aprendendo com o plantio, notou que havia possibilidade de expandir a plantação e há uns 4 anos, Vanderlei plantou mais 5.500 mudas da mesma variedade, porém já melhorada. “A variedade se adaptou bem ao clima de São Roque, já produzindo no primeiro ano cerca de 20 a 30 frutas por pé, chegando a 50 em casos excepcionais”, explicou o produtor.
O auge da produtividade começa no terceiro ano após o plantio, quando um pé chega a produzir de 20 kg a 25 kg de maçã, com cerca de 250 frutas por pé. Ao todo são 3,5 hectares produzindo entre 40 a 50 toneladas de maçã por hectare. O preço da caixa de 18kg foi vendido por R$ 90,00, em média, disse o agricultor.
A variedade Eva apresenta colheita precoce, normalmente entre dezembro e janeiro, permitindo que a fruta chegue ao mercado antes da safra das regiões tradicionais do Sul do país. A Serra da Fartura reúne características favoráveis para esse cultivo. A altitude varia entre 900 e mais de 1.200 metros, proporcionando temperaturas mais amenas e amplitude térmica suficiente para favorecer a brotação e a frutificação das macieiras. Essas condições tornam a região apta ao desenvolvimento de variedades de baixa exigência em frio, como a Eva.
Além do elevado potencial produtivo, a variedade produz frutos de boa aceitação comercial, coloração atrativa, sabor doce e levemente acidulado. A cultivar também apresenta boa resistência e pode ser utilizada em sistemas de produção integrada ou orgânica.
A colheita é manual, sendo os frutos acondicionados em caixas plásticas, que são levadas a um barracão, onde acontece o beneficiamento e embalagem. O produto é selecionado por uma máquina, classificado nas diversas categorias de maçã, sendo depois colocado em bandejas e acondicionados em caixas de papelão, sendo então enviados ao mercado consumidor.
No local existe também uma câmara fria utilizada para armazenamento quando necessário. A maior parte da produção não chega a ficar na câmara fria, seguindo de imediato para vários pontos de comercialização, tanto na região como também para as Centrais de Abastecimento (Ceasas) de grandes centros como São Paulo, Belo Horizonte, Campinas. Na última safra, as maçãs produzidas por Vanderlei também foram vendidas para o Nordeste, abastecendo o mercado de Juazeiro, na Bahia e Terezinha no Piaui.
Na entrevista que concedeu ao jornal em sua residência, onde estava presente sua esposa Raquel Ana Luvezuti Valverde, que acompanha de perto todas as atividades envolvendo o plantio, Vanderlei se disse entusiasmado com o cultivo de maçãs na sua propriedade. Afirmou que agora no mês de julho as macieiras estão iniciando o processo de floração, com os frutos começando a aparecer no mês de agosto e ficando prontos para serem colhidos no final do ano.
“É um cultivo que exige muita pulverização, irrigação controlada, e mão de obra para fazer a parte de desbrota, poda, raleio dos frutos, amarrio dos galhos, dentre outras exigências da planta. A planta é muito exigente, sujeita a doenças e pragas como a mosca das frutas”, afirmou Vanderlei, que se diz satisfeito com os investimentos e os resultados obtidos, tudo a longo prazo.
Para o futuro, o produtor disse que há expectativa de aumento da área de plantio, afirmando que os problemas a serem enfrentados é que exigem cautela no aumento da produção. Um deles é com a falta de mão de obra, hoje escassa. Também a comercialização exige um desempenho maior. “Se não colhermos frutos bonitos, com qualidade e bom tamanho, fica difícil a comercialização, uma vez que o mercado é muito exigente”, afirmou.

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