Embora a Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana seja reconhecida como a maior manifestação cultural de Vargem Grande do Sul, sua essência sempre foi religiosa. Desde a primeira edição, realizada em 1975, a romaria nasceu como uma homenagem à Padroeira do município e permanece, passados 50 anos, como uma grande demonstração pública de fé, devoção e gratidão a Sant’Ana.
Ao longo de cinco décadas, a Igreja Católica desempenhou papel decisivo para que a romaria jamais perdesse seu verdadeiro significado. Padres, párocos e bispos que passaram pela Paróquia Sant’Ana e pela Diocese de São João da Boa Vista sempre incentivaram a participação dos fiéis, celebraram missas, concederam bênçãos aos romeiros e reafirmaram que a cavalgada deveria ser, antes de tudo, uma peregrinação de fé.

Em 1975 quando aconteceu a primeira Romaria dos Cavaleiros de Sant´Ana, era pároco Monsenhor Celestino C. Garcia, que desde 1946 tinha sido designado para a paróquia de Vargem Grande do Sul. Ele faleceu pouco antes da realização da Romaria dos Cavaleiros de Sant´Ana, no dia 4 de julho de 1984. Foi pároco da cidade por 38 anos.
Ele foi substituído por monsenhor Décio Ravagnani, cujo falecimento aconteceu em abril de 2020, aos 76 anos de idade. Em 1976 ele é enviado como diácono para auxiliar Mons. Celestino, só deixando Vargem em 1994. Por 18 anos mons. Décio esteve à frente dos preparativos religiosos da Romaria dos Cavaleiros de Sant´Ana, procurando manter toda a fé e religiosidade que a Romaria representava para a comunidade.

Outro participante dos mais queridos na Romaria até 1983, foi o monsenhor David, de São João da Boa Vista, cuja participação sempre esteve ligada ao forte caráter religioso das primeiras romarias, que saíam do largo da capela Santo Antônio na Vila Polar e onde monsenhor David dava as bençãos aos cavaleiros.
Ficaram gravadas na mente de muitos vargengrandenses suas conhecidas palavras ditas em alto som: “Não são cem, não são duzentos, são milhares de cavaleiros”, ao festejar entusiasmado a passagem dos romeiros pelas ruas de Vargem Grande do Sul.

Muito além de um desfile de cavaleiros e amazonas, a romaria representa uma profissão pública da fé cristã. Antes da partida, milhares de participantes se reúnem para receber a bênção da Igreja. Durante todo o percurso, orações, cânticos e manifestações de devoção acompanham os romeiros, que carregam consigo intenções, promessas, agradecimentos e pedidos de proteção para suas famílias, para o trabalho e para a comunidade.
Fotos: Arquivo Gazeta
Padres montados
A presença dos sacerdotes sempre conferiu à romaria um caráter profundamente espiritual. Ao longo dos anos, diferentes párocos da Paróquia Sant’Ana acompanharam a preparação das festividades da padroeira, celebraram a Eucaristia, acolheram os romeiros e reforçaram a importância de manter Cristo e Sant’Ana no centro das comemorações. Essa orientação foi essencial para que a tradição permanecesse fiel aos valores que inspiraram sua criação.
Em dezembro de 1994, tomou posse como pároco de Sant´Ana, o padre Luiz Antônio Cipolini, hoje bispo de Marília. Dentre suas preocupações em manter o caráter religioso da Romaria, destacou-se também por ser o primeiro padre a percorrer montado a Romaria dos Cavaleiros de Sant´Ana, realizando uma grande comunhão espiritual e também cultural com os participantes da romaria.

Também seguiu a tradição e participou das cavalgadas da Romaria, o padre Paulo Roberto Valim Santos, que assumiu a paróquia em janeiro de 2002, ao substituir padre Cipolini. Dele também são fartas as atitudes em tornar o caráter religioso cada vez mais presente na principal festa cultural e religiosa de Vargem Grande do Sul durante sua longa estadia na paróquia.
O padre Carlos Eduardo Dobies, conhecido como padre Eduardo ou padre Du, assumiu como pároco da Igreja Matriz de Sant’Ana em fevereiro de 2021. Ele também participou montado em sua primeira Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana. Em entrevista à Gazeta em julho de 2022, afirmou:

“Nós estaremos participando, acolhendo os romeiros com muito carinho e muita alegria. Vamos participar com muita alegria e devoção e quero acolher de verdade todos que irão vir de outras cidades para participar e desfilar para receber a benção pela intercessão de Sant’Ana, bem como toda a comunidade de Vargem Grande do Sul que sempre participa com tanto afinco e com carinho desse momento tão festivo aqui na nossa cidade”.
Em agosto de 2024, tomou posse como novo pároco de Sant´Ana o padre Thiago Caldeira de Oliveira, que como seus antecessores na direção espiritual da paróquia de Sant´Ana, busca manter a tradição religiosa junto à Romaria dos Cavaleiros de Sant´Ana. No ano passado, padre Thiago fez a acolhida final e deu as bençãos aos participantes junto ao palanque instalado na Praça da Matriz.

Participação das paróquias
Manter a fé e a religiosidade é a principal finalidade da Igreja Católica de Vargem Grande do Sul perante a Romaria. Matéria publicada pela Gazeta de Vargem Grande na edição especial do ano passado, trouxe a participação de todos os padres das paróquias da cidade no evento religioso. Conforme a matéria, todas as paróquias de Vargem participaram da 49ª Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana, com cada pároco ou padre cumprindo um papel religioso importante durante o transcorrer da Romaria. Assim, coube ao padre Paulo Sérgio Fuliaro, da Paróquia de São Joaquim dar as bençãos aos cavaleiros e amazonas na abertura da Romaria. Ao padre Antônio Carossi, da paróquia de N. Sra. Aparecida coube a animação e orações durante o trajeto.

O padre Carlos Eduardo Dóbies, da paróquia de Santo Antônio foi a cavalo com o estandarte de Sant’Ana, percorrendo todo o trajeto junto à Comissão de Frente. Os padres Gilberto do Prado, paróquia N. Sra. Aparecida e Luciano Muterle Guidi, da paróquia de Santa Luzia, deram as bençãos para os romeiros que passaram pelo beija-fitas e o padre Thiago Caldeira de Oliveira da paróquia de Sant’Ana fez a acolhida final e bençãos finais.
Ao longo desses 50 anos, cada pároco deixou sua contribuição para fortalecer a dimensão espiritual do evento. Coube aos sacerdotes recordar constantemente que a romaria não é apenas uma tradição popular, mas uma verdadeira peregrinação, na qual os participantes caminham movidos pela fé, pela esperança e pela confiança na intercessão de Sant’Ana.

A permanência da Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana por meio século também demonstra ao integrar religiosidade popular, tradição rural e celebração litúrgica, que a romaria tornou-se um expressivo momento de evangelização, aproximando famílias inteiras da vida paroquial e fortalecendo os vínculos da comunidade com sua padroeira.
Essa união entre a Igreja, a comissão organizadora, os cavaleiros e a população fizeram da romaria uma tradição que ultrapassa gerações. Mais do que preservar um evento, padres, párocos e bispos ajudaram a preservar seu verdadeiro espírito: o de uma manifestação de fé que encontra em Sant’Ana um exemplo de amor a Deus, dedicação à família e perseverança na vida cristã.
















