“HISTÓRIA DE UM PADRE CAVALEIRO”
Hoje meu coração aperta e transborda ao mesmo tempo. Em 1994 cheguei a Vargem Grande do Sul, vindo dos estudos em Roma, para ser pároco da Paróquia Sant’Ana. Cheguei sem conhecer ninguém, com mala na mão e medo no coração. E Deus, pela intercessão de Sant’Ana, já tinha preparado para mim a acolhida da Romaria dos Cavaleiros e Amazonas.

Homens e mulheres a cavalo, de chapéu, de fé que subiam as ruas e atravessavam a cidade rezando, cantando e levando o nome de Sant’Ana. Eu não entrei na Romaria, a Romaria me adotou, e foram seis anos caminhando juntos.
Romaria é isso, ninguém caminha sozinho! Cinquenta anos carregando cansaço, dividindo água, cuidando dos cavalos, esperando o mais fraco. É a Igreja a cavalo, é a comunidade que reza andando. Sant’Ana nos ensinou: família caminha junto!
Sant’Ana é raiz, é avó, é quem gera. Esta Romaria nasceu há cinquenta anos do ventre da fé do povo simples. Homens e mulheres que pegaram o terço, montaram a cavalo e disseram: vamos levar a benção de Sant’Ana para as famílias. E geraram filhos na fé, geraram netos e netas romeiros, geraram tradição. E Deus, na sua imensa misericórdia, transformou água em vinho, estrada em santuário, cavalgada em missão.
Os Cavaleiros e Amazonas não falam de Deus apenas na Igreja. Mas levam o nome de Deus pelas ruas da cidade, isso é evangelização. Passou padre, passou prefeito, passou crise, a Romaria ficou, porque o que tem raiz não cai.

Deixo a todos uma prece, carregada de saudades:
Sant’Ana, avó de Jesus e padroeira de Vargem Grande do Sul, abençoa os Cavaleiros e Amazonas que completam cinquenta anos de fé! Dá saúde para quem ainda vai cavalgar, dá força para os filhos e filhas assumirem as rédeas! E guarda a memória dos que já partiram para o céu, mas cavalgam conosco na fé. Que a Romaria continue sendo caminho de oração, escola de fé e casa de acolhida!
Obrigado pela acolhida que recebi em 1994, obrigado por me ensinarem que Paróquia não se faz só no altar, mas se faz também na estrada, e que nos 100 anos a gente se encontre, contando histórias!
Deixo minha benção e meu abraço a todos, com gratidão e saudades.
Dom Luiz Antônio Cipolini
Marília, 21 de julho de 2026












