A saúde mental dos jovens não pode esperar
A campanha Setembro Amarelo completa 13 anos no Brasil trazendo um dado que segue alarmante: mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio no mundo todos os anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Ministério da Saúde estima 42 mortes diárias, número que especialistas consideram subestimado diante da subnotificação e do estigma que ainda envolve o tema. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte, o que torna esse tema uma prioridade de saúde pública.
Em entrevista à Gazeta de Vargem Grande, a psicóloga Giovana Thezolin observou que não existe uma causa única capaz de explicar esse comportamento entre adolescentes e jovens adultos. É um fenômeno multifatorial, que une questões psicológicas, biológicas, familiares e sociais em um período da vida marcado por transformações intensas na identidade, nos vínculos e na pressão acadêmica. Explicações simplistas, como atribuir uma tentativa a um término de relacionamento ou ao uso de redes sociais, escondem histórias mais complexas e dificultam o reconhecimento a tempo dos sinais de sofrimento.
Mudanças persistentes de humor, isolamento repentino, queda no rendimento escolar, alterações no sono e falas relacionadas à morte merecem atenção quando aparecem combinadas e representam uma ruptura no funcionamento habitual do jovem. Ainda assim, o medo do julgamento, a vergonha de parecer fraco e a dificuldade de nomear o que se sente continuam afastando muitos adolescentes da ajuda de que precisam. Romper esse silêncio começa em casa, na escola e entre amigos, com escuta atenta e sem pressa por soluções imediatas.
Diante de sinais de sofrimento, a orientação da especialista é aproximar-se, ouvir sem interromper e sem transformar a conversa em investigação e buscar apoio profissional. A rede pública brasileira prevê caminhos para isso, como as Unidades Básicas de Saúde, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), o Samu pelo 192 e o Centro de Valorização da Vida, que oferece escuta gratuita pelo 188. Conhecer esses serviços e saber indicá-los pode ser decisivo no momento em que alguém finalmente decide pedir ajuda.
Cabe também ao poder público municipal assumir sua parte nessa rede de proteção. Ampliar e qualificar os serviços de saúde mental oferecidos à população, especialmente aos jovens, não é um gesto de boa vontade, mas uma obrigação. Investir no Caps, em equipes de referência nas escolas e em capacitação de profissionais da rede básica é o que vai tornar a conscientização do Setembro Amarelo em cuidado efetivo.
A comunidade de Vargem Grande do Sul também tem seu papel nessa construção. Tratar o sofrimento psíquico com a mesma seriedade dedicada a outras doenças, sem minimizar falas sobre morte ou desqualificá-las como chamado de atenção, é o que permite que crianças, adolescentes e adultos digam “não estou bem” sem sentir vergonha. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, e não é preciso esperar chegar ao limite para procurá-la. E essa é a lição mais importante que o Setembro Amarelo deixa todos os anos.












