152 anos de Vargem, 35 anos de vida: um reencontro com a nossa história

Marcelo Fiorini
Ator | Jornalista | Especialista em Diplomacia, Políticas Públicas e Cooperação Internacional | MBA em IA para Negócios

Hoje, 26 de setembro, enquanto celebro meus 35 anos, Vargem Grande do Sul celebra seus 152. Duas histórias separadas pelo tempo, mas profundamente entrelaçadas pela memória. Afinal, falar da minha vida é também falar da cidade que ajudou a formar quem sou. Comemorar 152 anos é olhar para o passado com orgulho, reconhecer quem ajudou a construir essa trajetória e, principalmente, pensar na cidade que queremos deixar para as próximas gerações, assim como muitos pensaram em deixar uma boa cidade para a minha geração.
Em minha infância, vivi os dias mais preciosos. A memória ainda mora nas salas e corredores das escolas Henrique de Brito Novaes e Benjamin Bastos, e nas tardes no Tênis Clube ao lado dos amigos. Hoje, com a sensação tão própria de que na nossa infância, o tempo era infinito e a vida inteira cabia em um único dia. Apenas vivíamos, sem pressa, construindo sem perceber a saudade que um dia sentiríamos. Mas a cidade não parava, nunca parou. Sempre em constante evolução.


Na Escola Alexandre Fleming, encontrei amigos que carrego comigo até hoje. Alguns também fizeram parte da minha caminhada no grupo de jovens da Paróquia Sant’Ana, onde compartilhamos fé, sonhos, aprendizados, esperanças e muitos finais de semana sentados na escadaria da igreja Matriz de Sant’Ana jogando conversa fora. Foram momentos que fortaleceram amizades e nos ensinaram o valor da comunidade e do cuidado com o próximo. Amigos que permaneceram até hoje. Inclusive, foi no grupo de jovens que conheci a pessoa que, hoje, caminha ao meu lado na construção da nossa família. Neste ano celebramos 15 anos juntos, destes – 7 anos são de casados. E já penso em uma cidade muito mais evoluída para a minha filha, Elisa.


Vargem deixou marcas profundas em quem somos. Há em nós sua essência interiorana: o jeito simples de acolher, o valor da palavra, o respeito pelos mais velhos, a conversa sem pressa e a certeza de que sempre existe alguém disposto a estender a mão.
Com o passar dos anos, entendemos que a infância não desaparece. Ela apenas muda de lugar e o que antes estava à nossa frente, passa a morar dentro de nós.

Volta quando reencontramos um amigo, ouvimos uma música antiga ou passamos por um lugar que ainda parece guardar nossas risadas e parte da nossa memória. Completar 35 anos no mesmo dia em que Vargem celebra 152 é mais do que uma coincidência do calendário. É como se minha história se encontrasse, todos os anos, com a história da cidade que ajudou a moldar minhas características.
Hoje olho para trás com saudade, mas principalmente com gratidão. Por cada escola, cada amizade, cada tarde com amigos e cada encontro que ajudou a escrever minha história. Uma parte de mim sempre será Vargem. E, onde quer que a vida me leve, uma parte de Vargem sempre viverá em mim. Parabéns, VGS, pelos 152 anos.

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