

Vargem Grande do Sul celebra 152 anos de fundação neste sábado, dia 26 de setembro. A cidade que hoje conta com 40.133 habitantes de acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ocupa uma área de 267,178 quilômetros quadrados tem origem em uma grande sesmaria, pertencente ao capitão-mor José Garcia Leal, chamada Várzea Grande, às margens da famosa Estrada de Goiás ou Estrada Boiadeira, usada pelos tropeiros, ligando Minas Gerais a Goiás.
De acordo com o livro “História da Câmara: da Instalação do Município aos dias de hoje”, de Zezé Miranda e Dôra Avanzi, um dos mais importantes documentos sobre a trajetória da cidade, a sesmaria Várzea Grande era muito extensa, com 3.146 hectares. Ela ia desde a Serra dos Rabello (Sant’Ana e Fartura), até Bagassu (Pirassununga), do Córrego Aterrado (Casa Branca), até o Rio Itupeva (São João da Boa Vista), limitando-se com Aguaí, na Fazenda Embirussu. Há registros da existência desta Sesmaria datados de 1792, nos Anais do “Arquivo Histórico do Estado de São Paulo”.
No livro, o estudioso da história de Vargem, Mario Poggio Jr, que também é um dos mais tradicionais colaboradores da Gazeta de Vargem Grande, explicou que os primeiros proprietários dessa sesmaria foram Agostinho Delgado Arouche, José de Siqueira Camargo e Francisco Xavier de Camargo.
Posteriormente, José Garcia Leal, sargento-mor (funcionário da Coroa Portuguesa) e seu irmão, o Alferes Salvador Garcia Leal, da então Villa de Mogy Mirim, adquiriram a Sesmaria de Vargem Grande.
A partilha da sesmaria
Com o falecimento de Sargento-Mor José Garcia Leal, surgem questões jurídicas para a divisão da fazenda. Em 1849, José Alves da Cunha e sua mulher Tereza Alves da Cunha requerem ao Juiz de Casa Branca uma audiência para, junto dos demais herdeiros, tratarem da divisão da Fazenda Vargem Grande”.
Em 1854, foi realizada a primeira divisão. Surgiram então 50 sítios e pequenas propriedades. Com isto a região ia povoando-se, no ano de 1873 a pedido de Antônio Rodrigues do Prado, sua mulher e demais herdeiros, inicia-se nova divisão da fazenda Várzea Grande, terminada em 26 de setembro de 1874, data oficial da fundação da cidade. Foram feitos 65 pagamentos e entre eles o pagamento a Sant’Ana, por doação de Antônio Rodrigues do Prado, José Moreira e Dona Maria Antônia Flauzina Alves, para formação de patrimônio, no valor de trezentos mil reis (300$000).
Bairro da Porteira
Numa dessas áreas, existia uma povoação instalada no chamado Bairro da Porteira, cujo nome tem origem numa histórica porteira que abria caminho para Casa Branca e para a Fazenda Lagoa Formosa. Este povoado era formado pelos primeiros moradores da atual Vargem Grande do Sul.
Em 26 de setembro de 1874, com a divisão definitiva, foi celebrada a primeira missa na cidade, pelo Pe. José Valeriano de Souza, vigário de São João da Boa Vista. Como não havia templo, a missa foi rezada na casa do Sr. João Carneiro, às margens de um Córrego da Grama, que deságua no Rio Verde.
Ainda, em 1874, o Coronel Francisco Mariano Parreira conseguiu licença para erigir pequena capela, que foi instalada na atual Praça Capitão João Pinto Fontão, onde atualmente se encontra a fonte luminosa. Neste mesmo ano há referência de que no Bairro da Porteira, havia uma casa de negócio, de propriedade de Bernardo Garcia e uma escola particular regida por Joaquim Mariano Parreira, primeiro professor que se tem notícia.







