Casa Branca festeja em 25 de outubro mais um aniversário. A data remete ao alvará de 25 de outubro de 1814 que, somado à Resolução Régia de 15 de março do mesmo ano, fez do povoado a freguesia de Nossa Senhora das Dores de Casa Branca, ainda subordinada a Mogi Mirim. Cem anos depois, a cidade inaugurou a atual Igreja Nossa Senhora do Rosário para comemorar o primeiro centenário. Contadas as décadas, são 212 anos de história.
Antes de ser cidade, foi caminho. A região dos rios Mogi Guaçu e Pardo foi percorrida pelas bandeiras no século XVII. O material da prefeitura registra que os bandeirantes cruzavam terras dos índios caiapós desde 1728, no Caminho do Goiás, e paravam num pouso de taipa de pilão, a “Casa Branca” que daria nome ao lugar. Segundo o historiador Lafayette de Toledo, a pequena casa caiada ficava ao lado do pouso de tropeiros.
Em 1815, chegaram cerca de 20 casais dos Açores, por decreto do príncipe regente D. João, para fixar colonos agricultores no caminho de Goiás. Em 1819, o naturalista Auguste de Saint-Hilaire encontrou uma rua com 24 casas para os açorianos e a povoação quase deserta. Algumas seguem de pé na Rua Waldemar Panico, que guarda o calçamento de pedra ferro, o mais antigo da cidade, tombado em 1985.
A Lei Provincial nº 15, de 25 de fevereiro de 1841, elevou Casa Branca a vila e município, desmembrado de Mogi Mirim e instalado em 7 de janeiro de 1842. É o 41º mais antigo entre os 625 municípios paulistas. A Lei Provincial nº 22, de 27 de março de 1872, deu-lhe o título de cidade. Nesse intervalo, começou a construção da Matriz de Nossa Senhora das Dores (1843), foi inaugurada a Loja Maçônica (1882), uma das mais antigas do estado, e foi constituída a Irmandade de Misericórdia (1885).
Fotos: Prefeitura Municipal de Casa Branca
Visita do imperador
Dom Pedro II hospedou-se em 1877 no casarão do Barão de Casa Branca e, em 1886, na segunda visita, plantou cinco palmeiras imperiais na Praça Barão do Rio Pardo, hoje retratadas no brasão do município. O ouro da época era o café: Cristiano Osório foi apontado como o maior produtor da região, e o Clube Casa Branca, na década de 1920, reunia a elite cafeeira em bailes, palestras e debates políticos.
Ferrovia
A grande artéria da prosperidade foi o trilho. A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro fez de Casa Branca a bifurcação entre a linha tronco e o ramal para Minas Gerais. A estação de 1890 serviu de base às tropas federais em 1932; com a nova estação do Desterro, em 1951, virou a Casa Branca Velha e foi desativada em 2000. A estação nova viu o último trem de passageiros em 1997, mas ainda recebe cargueiros.
Educação
A Escola Normal foi criada em 24 de dezembro de 1912 e instalada em 7 de abril de 1913 pelo advogado e político Francisco Thomaz de Carvalho. Foi uma das primeiras do Estado e recebia alunos de toda a região. O prédio atual, conhecido como Instituto de Educação, foi tombado pelo Condephaat em 2002. A cidade teve ainda a primeira Escola de Comércio da região.
A importância para a região
Casa Branca é a Capital Estadual da Jabuticaba, por lei de 22 de julho de 2013, e terra do escritor e artista Ganymédes José, autor de mais de 150 obras. Mas foi mais do que uma cidade entre as vizinhas: foi um centro de onde a região se organizou. No século XIX, seu território compreendia São Simão, Cajuru, Mococa, Santa Rita do Passa Quatro, São José do Rio Pardo, Santa Cruz das Palmeiras e Caconde; Itobi só se desmembrou em 1959.
Foi entroncamento da Mogiana, polo de ensino e capital do café. Vargem Grande do Sul, que era um distrito sob São João da Boa Vista, carrega com Casa Branca a sesmaria de origem, as mesmas estradas, juízes em comum e uma divisa desenhada também com a assinatura de casabranquenses. Afinal, a Vila Polar pertencia a Casa Branca e foi anexada ao território vargengrandense somente em 1939, após o Decreto Estadual nº 9.775, de 30 de novembro de 1938.















