Árvore invasora, a leucena oferece sérios riscos ao meio ambiente

O agrônomo Pedro Hayashi fala do perigo que a leucena representa. Foto: Arquivo Pessoal

O engenheiro agrônomo Pedro Hayashi faz um alerta através do jornal Gazeta de Vargem Grande, para o perigo que representa a árvore invasora que estaria em silêncio provocando um grande problema ecológico no Brasil. Trata-se da leucena (Leucaena leucocephala), uma árvore exótica, vinda da América Central, principalmente do México, que tem crescimento acelerado, uma capacidade impressionante de reprodução, com suas sementes sendo produzidas em larga escala e germinando em diversos tipos de solo.
A árvore bonita, que produz muita sombra, tem gerado preocupação entre os ambientalistas e defensores do meio ambiente, principalmente pelo seu impacto causado na Mata Atlântica. A expansão da leucena pode comprometer de maneira irreversível o equilíbrio ambiental.

O agrônomo Pedro Hayashi fala do perigo que a leucena representa. Foto: Arquivo Pessoal

Ela pode ser vista em Vargem Grande do Sul, na Avenida Antônio Bolonha, margeando o Córrego Santana, antes de ele se encontrar com o Rio Verde, onde já formou um pequeno bosque. Os especialistas alertam que a leucena compete de forma agressiva por luz, água e nutrientes, sufocando a vegetação nativa que não consegue se desenvolver sob sua sombra densa.
Conforme matéria publicada no jornal Diário do Litoral sobre o assunto, o desequilíbrio provocado por esta espécie de árvore ao provocar o desequilíbrio “desencadeia um efeito em cadeia, afetando não só as plantas, mas também a fauna que depende da diversidade da floresta para sobreviver. A médio e longo prazo, isso pode levar ao colapso de ecossistemas inteiros”, cita a matéria.

Ao lado da Avenida Bolonha, a leucena tomou conta de um pequeno bosque, sufocando a mata nativa. Foto; Arquivo Pessoal

Árvore pode vir a prejudicar futuro Parque Linear

O questionamento sobre os possíveis efeitos causados pela leucena vem em momento oportuno, uma vez que a administração do prefeito Celso Ribeiro (Republicanos) está para investir na criação do Parque Linear do Rio Verde que compreende uma grande área onde atualmente a leucena está bem disseminada.


Com a criação do Parque, onde o prefeito além do lago pretende plantar inúmeras espécies de plantas nativas e fazer outras benfeitorias urbanas, a presença da leucena e seu grande poder de disseminação e invasão, poderá comprometer a futura criação de pequenos bosques no local com árvores da flora brasileira.


O engenheiro Pedro Hayashi disse que o poder público municipal poderia já ir tomando ciência da gravidade da situação e criando um projeto para erradicar a leucena. Ele disse que além do trecho perto da Avenida Bolonha onde há um pequeno bosque formado, também outro local onde se pode já notar a presença da árvore invasora é a conhecida Mina do Zecão. “O pessoal cuida, acha bonito, ela é frondosa, eu também gosto, mas é invasora e precisamos tomar todo o cuidado para não deixar que ela mate as plantas do nosso bioma”, afirmou o engenheiro.

Cidades já estão tomando providências

O problema é tão sério que em algumas cidades, as autoridades já estão erradicando a leucena do seu município. É o caso da cidade de Serra, no Espírito Santo, onde a Câmara Municipal propôs projeto de lei neste sentido. Segundo o vereador, estudos indicam que ela pode reduzir em até 70% a diversidade de espécies nativas onde se instala, competindo por espaço e nutrientes. Além disso, a planta altera a composição química do solo, dificultando a regeneração natural e impactando a qualidade da água.
A leucena é conhecida da população de Vargem, ela pode ser vista também no meio urbano, em algumas calçadas e se distinguem pelo tanto de bagas com sementes que produzem. Nas zonas de preservação permanente e margens de rios ela também está presente, comprometendo a vegetação ciliar e ameaça recursos hídricos essenciais para a cidade. Também Itapira é mencionada como cidade que se uniu contra a leucena e a cidade de Itu, onde a leucena será erradicada de áreas públicas, sendo substituída por árvores nativas.

Árvore teria vindo do México

Segundo apurou o jornal, a planta chegou ao Brasil na década de 1970. Nativa do México, a espécie foi introduzida em vários estados como uma alternativa para alimentar o gado.
Para os biólogos, a solução está no controle da planta por meio de manejo e monitoramento adequados, uma vez que erradicar e extinguir a leucena ainda é muito difícil, devido à alta viabilidade de suas sementes por muitos anos e à capacidade de rebrota imediata da planta.
O manejo adequado inclui a remoção da leucena e a substituição por uma espécie nativa de crescimento rápido, a fim de promover sombreamento e inibir seu desenvolvimento, além da retirada da camada superficial do solo onde estão as sementes, que podem permanecer viáveis por até cinco anos ou mais.

1 COMENTÁRIO

  1. Excelente matéria.
    A casa de minha família está ao lado destas árvores e além dos problemas ambientais citados pelo Eng.Pedro Hayashi, acrescento grave risco de segurança pois pela fragilidade destas árvores, já presenciamos diversas quedas, inclusive sobre nossa residência.
    A anos que solicitamos a remoção ou poda destas árvores na prefeitura e creio que a atenção será dada apenas quando algum acidente grave ocorrer.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui