Um grupo de 24 pessoas de Vargem Grande do Sul participou de uma caminhada até Aparecida do Norte pelo “Caminho da Fé”, saindo de Águas da Prata no dia 13 de julho e retornando à cidade no dia 24, quinta-feira passada.
Participaram da caminhada Beti, Liliane, Rosângela, Adriana, Lucelene, Lourdes, Ana Cláudia, Rafaela, Isabela, Regina, Geni, Roseli, Juliana, Rodrigo, Pintadinho, Vinícios, Fernando, Felipe, Lucas, Fernando, Camila, Tiago, Pedro e Henrique, que integram o Grupo Nossa Senhora de Lourdes. O grupo teve o apoio de Camila Honório Milan e Fernando Osete.

A peregrinação foi relatada em forma de poesia pelo peregrino Felipe Meireles, contendo cerca de 20 estrofes livres, onde narra os muitos lugares que o grupo passou e também os nomes dos peregrinos e as reações de cada um durante o trajeto.
Para que todos tomem conhecimento do bonito feito, segue a poesia de autoria de Felipe Meirelles.
CAMINHO DA FÉ
Saímos de Águas da Prata, num passo sagrado,
vinte e cinco corações num mesmo chamado.
Entre nós, duas crianças: pureza e ternura,
e uma mãe incansável, força em doçura.
Camila guiava o apoio com fé e carinho,
com água, com frutas, pavimentava o caminho.
Duas vidas no colo, um volante na mão,
e no peito, o combustível era pura devoção.
Thiago ao seu lado, com passos firmados,
nos vales, nos montes, pelos sonhos guiados.
E juntos passamos por terra encantada:
Andradas, Crisólita, a Serra dos Lima abençoada.
Em Borda da Mata, a fé se acendeu,
em Estiva, os morangos adoçaram o breu.
Subimos a Luminosa, a Porteira do Céu,
na Serra do Caçador, o silêncio nos deu…
Campos do Jordão nos encheu de ar puro,
e Potim revelou o que é mais que seguro:
ao fim do caminho, o Santuário brilhava,
Nossa Senhora de braços abertos nos esperava.
Mas mais que os passos, foi o que se viu:
um Pintadinho infartado, mas firme e viril,
pela sexta vez, com sorriso cansado,
mostrava que o corpo é frágil, mas o espírito é alado.
Havia quem pedia, quem só agradecia,
quem buscava sentido ou apenas companhia.
Professores, pedreiros, gente de todo lugar,
vidas tão distintas a se entrelaçar.
Houve dor, houve cansaço, tropeços também,
mas a fé era ponte, e não deixou ninguém sem.
Teve desentendimento, como em toda jornada,
mas a luz do caminho curou essa estrada.
E ali estava Lourdes, com risada que cura,
sabedoria simples, alma de ternura.
Unia os caminhos, dom de reunir,
com graça e firmeza, sem nunca fugir.
O Caminho da Fé não é só estrada e chão,
é espelho da alma, é transformação.
São montanhas que sobem por dentro da gente,
é o outro que ensina, é o amor persistente.
É a força do grupo, a beleza do encontro,
o suor que batiza, o milagre pronto.
É a Serra da Mantiqueira em sua oração,
um pedaço de céu tocando o chão.
E ao fim da jornada, o corpo cansado,
mas o peito leve, o olhar iluminado.
Pois quem caminha com fé, não caminha só:
é guiado no vento, é levado no pó.
E agora, em versos, deixo aqui meu apreço,
por cada um que fez do caminho um recomeço.
Às amigas que chegaram em laço e ternura:
Regina, Isabela, Juliana e Rafaela pura doçura.
Amigas de antes, de risada constante,
tornaram o caminho mais leve e vibrante.
Isabela advogada, com olhar decidido,
Juliana serena, Rafa sempre com riso.
E Regina, a sogra que a todos encantou,
com seu jeito calmo que a paz espalhou.
E o grupo dos homens, que alegria nos deu:
Thiago, Fusca, Vinícius, Lucas, Pintadinho e eu.
No passo, na piada, no canto e no sol,
éramos gargalha e energia no anzol.
Companheiros fiéis do começo ao final,
no suor e na fé, num balanço ideal.
Teve também Nando, rapaz sossegado,
mas por Ana Cláudia, vivia cercado!
Mãe protetora, de zelo sem fim,
“Você comeu, meu filho?” se ouvia no ar,
e lá vinha ela, pronta pra cuidar.
Um laço bonito, mesmo com exagero,
nos ensinava o que é amor verdadeiro.
Fernando e Luciene iam firmes, à frente,
com apoio discreto, mas sempre presente.
Seguiam com Ana e Nando, em seu próprio compasso,
muitas vezes ausentes dos cliques e do abraço.
Mas sabemos que mesmo à distância e correndo,
compunham a história que juntos escrevemos.
Bete, querida, com Lourdes a rir,
foi estrela que fez o caminho florir.
E mesmo com Ana, num breve embate,
foi só por uma máquina e ninguém saiu do debate!
No fim, o perdão é que fez mais sentido,
e o grupo seguiu, mais forte e unido.
Adriana, Rosângela, Geni, com Liliane e Roseli a sorrir,
caminhavam suaves, sabiam servir.
Na fé, no cuidado, presença constante,
acolhendo com afeto a cada instante.
Unidas às meninas e aos risos do chão,
teceram conosco uma só direção.
De cada um, levo um pedaço guardado,
um gesto, um olhar, um sorriso trocado.
E se hoje voltamos com os pés cansados,
o coração vai cheio… de amigos sagrados.
Com carinho Felipe Meireles!










